rapidinha nos bastidores: perfect illusion

Por mais definitivas que sejam as câmeras de hoje, o cinema continua sendo uma ilusão. As pessoas voam, derretem, envelhecem… planetas explodem, animais falam etc etc etc. Mas e quando as ações são corriqueiras e proibidas num ambiente de trabalho, como fumar e beber?

Cigarromad-menO elenco de Mad Men tem doutorado no quesito, até entrou em consenso sobre a melhor marca de cigarro herbal: Ecstacy. Os cigarros sem nicotina nem tabaco são (ou eram) usados por pessoas que estavam tentando largar o vício, e vêm numa infinidade de aromas, desde mentol e rosas até alface. O cheiro parece não agradar muito os atores. Só no primeiro episódio da série, Jon Hamm acendeu 74 cigarros nas dezenas de takes.

Se você quer economizar, dá para fazer um cigarro falso com este tutorial.

Bebidassex-and-the-cityWhisky é outro vício que o elenco de Mad Men conheceu bem. Foram litros e mais litros de chá gelado quente diluído. Já a cerveja era cerveja, mas sem álcool. O elenco de Superbad era menor de idade na época. Os garotos até acharam que ia beber muita cerveja durante as gravações do filme. Se decepcionaram, coitados.

Outras que beberam muitos drinks foram as garotas de Sex and the City, tudo falso também. O famoso Cosmopolitan era água com corante ou suco de cranberry diluído. Ginger ale (refrigerante de gengibre) era o substituto pra champanhe e o vinho era suco de uva. Mas a comida era de verdade, e elas comiam tudo, mesmo fria.

Falando em comida…

Não engula, use o balde. O ator Nick Offerman aconselha os novatos a não comerem nem beberem nas cenas, já que são feitos inúmeros takes. Por isso existe uma coisa chamada spit bucket, o balde para cuspir. Julia Roberts disse que acha o balde nojento e que nunca usa, por isso sofreu ao passar uma manhã inteira comendo pizza nas filmagens de Comer, Rezar, Amar. “Se você vir a cena, no final dela, dá pra ver que eu estou farta. Começamos a filmar às 8 da manhã, às 8:45h, eu já tinha comido 8 ou 10 fatias”. Que glamour!

Cocaínalobo-de-wall-streetNuma entrevista de divulgação do filme Cães de Guerra, Jonah Hill contou que teve bronquite de tanto aspirar cocaína falsa nas filmagens de O Lobo de Wall Street. A cocaína era feita de vitamina D macerada. E quem viu o filme sabe que ele e DiCaprio cheiraram muita vitamina. Hill também contou que para parecer doidão, tomava muito Red Bull e ouvia música “caótica”.

Nudez. Até a nudez tem seus truques. As atrizes usam um tapa-sexo, seja uma calcinha da cor da pele ou uma calcinha sem as laterais, colada estrategicamente para que não haja exposição total nem contato com os documentos do ator, caso seja uma cena de sexo. Já os atores também usam tapa-sexo. Quando é uma cena não muito reveladora, eles usam uma sunga cor da pele. Já numa cena que exige bunda de fora, eles usam uma meia para guardar o que interessa ou uma bolsinha amarrada com um laço ou fita adesiva. Durante as temporadas de True Blood, Anna Paquin foi adepta da calcinha cortada e os atores usaram muitas meias.

Uma outra curiosidade são as perucas para as partes de baixo, chamadas de merkins. Como a depilação está na moda, os maquiadores recorrem a este artifício quando é uma produção de época. Boardwalk Empire usou muito, e o uso estava até especificado no contrato das atrizes. Kate Winslet também usou em O Leitor, porque não deu tempo de deixar crescer, e parece que ela se divertiu com o apetrecho.

A peruquinha é feita de cabelo natural (da cabeça), que passa por um tratamento para parecer pelo pubiano e é colada com um adesivo. Aliás, Jake Gyllenhaal também usou em Amor & Outras Drogas.

Falando no Jake, ele foi flagrado usando um tapa-sexo nos bastidores de Everest.jake-gylenhaal-everest

E quando é para disfarçar os contornos dos documentos na cueca? Uma fatia de pão de forma (sem casca) resolve. Outra saída, pra diminuir o volume na calça, a gente aprendeu no post da Cinderela.

atores que não gostam de se ver

Toda vez que eu vejo o interior da casa de alguém e há uma foto enorme da própria na parede, me dá um misto de admiração e horror. Admiração porque é muita autoestima: a pessoa contratou um fotógrafo pra uma sessão, mandou imprimir a foto gigante e ainda contratou alguém pra colá-la na parede. E horror porque eu simplesmente não conseguiria, não suporto me ver em foto e vídeo. Por incrível que pareça, alguns atores também detestam se ver nas telas.

Maggie Smithdownton abbey maggie smithApós seis temporadas de Downton Abbey, ela ainda não viu um único episódio da série. Ela diz que é muito perfeccionista e que encontra muitos defeitos em sua atuação, então prefere não ver algo que não poderia consertar. A produção já deu um box com todas as temporadas, mas ela não tem o menor interesse e disse estar aliviada de ter terminado a série – usar corselet era terrível.

Matthew Fox e Naveen Andrewslost naveen andrews matthew foxO Jack e Sayid de Lost disseram que nunca viram um episódio da série. Eles liam os roteiros, achavam a história interessante, se emocionavam, mas nunca pararam pra ver o resultado final.

Jared Letoclube de compras dallas jared letoO forever young ganhou o Oscar de ator coadjuvante por Clube de Compras Dallas, porém, ainda não viu a montagem final (ou será que já?). Na época do lançamento, ele confessou que pediu para a produção arrumar um saco de dormir ou uma tenda para que ele pudesse dormir durante a premiere.

Julianne Mooreo setimo filho julianne mooreOutra que não consegue sentar e ver seus próprios filmes. Ela disse que seu interesse é mais na produção que no resultado final.

Adam Drivergirls adam driverAo ver o piloto de Girls, Adam se criticou tanto que nunca mais assistiu a um episódio da série. Mas O Despertar da Força ele viu.

Johnny Deppo turista johnny deppEle jurou para si mesmo que jamais veria um filme seu. Ele apenas lamenta perder o trabalho de seus colegas de elenco. Talvez seja por isso que ele esteja fazendo tanto filme ruim. O que nos leva para…

Angelina Jolie. Ela declarou que não gosta de se ver nas telas e há um ou dois filmes dela que ela não viu. Se for O Turista, nenhum dos protagonistas viu o filme, como bem confessou o Johnny Depp no Globo de Ouro. Enfim, assim como Julianne Moore, ela prefere o processo ao resultado final. Quando ela tem alguma dúvida sobre sua filmografia, ela pergunta ao marido (atualização: perguntava ao ex).

 

rapidinha nos bastidores – variados 4

Que saudade da rapidinha!

Rocky Horror Showrocky horror showO orçamento do filme foi de 1,2 milhão de dólares e rendeu quase 140 milhões. O set não tinha aquecimento nem banheiro. Quando Susan Sarandon reclamou pros chefões do estúdio, eles disseram que ela estava reclamando demais. Ela pegou pneumonia depois da cena na piscina. Tim Curry disse que foi convidado pelo príncipe Charles e a princesa Diana para um evento. Charles nem o reconheceu, mas Diana deu uma risadinha e disse que o filme completou a sua educação.

O Grande Hotel Budapeste grande hotel budapesteA pintura Boy With Apple foi feita especialmente para o filme pelo pintor Michael Taylor. A pintura é uma homenagem ao estilo húngaro.

Jurassic World jurassic world Boa parte do filme foi filmada no Havaí, mas algumas externas foram feitas no parque Six Flags, em New Orleans, que ficou submerso e abandonado depois do furacão Katrina, em 2005. Para mais detalhes do parque, ver este post.

Mestres do Universo mestres do universo Frank Langella disse que Esqueleto é um dos melhores personagens que já interpretou. Não pelo lado artístico, mas porque seu filho era um grande fã do desenho. O figurino da Malígna era tão pesado e desconfortável que deixou inúmeros hematomas na atriz Meg Foster. Dolph Lundgren seria dublado, já que ele não falava inglês muito bem. Com o cronograma atrasadíssimo, ficou a voz original mesmo.

O Labirinto do Fauno labirinto do fauno Quando Doug Jones leu o roteiro, ele não sabia que o filme seria falado em espanhol, já que tinha lido um roteiro traduzido. O diretor Guillermo Del Toro sugeriu que ele decorasse a pronúncia, mas ele preferiu estudar espanhol.

A Fantástica Fábrica de Chocolate fantastica fabrica de chocolate O filme é uma adaptação do livro Charlie and the Chocolate Factory, algo como Charlie e a Fábrica de Chocolate. Para promover o lançamento do chocolate Wonka, o título do filme foi mudado para Willy Wonka and the Chocolate Factory. O chocolate Wonka, produzido pela Quaker (a da aveia), que financiou o filme, acabou não acontecendo na época, pois derretia ainda na prateleira. Outros produtos Wonka foram lançados em alguns países, e anos mais tarde, a Wonka foi pra Nestle, que financiou boa parte do orçamento do filme de 2005.

O Massacre da Serra Elétrica TCM Michael Wolfe O orçamento do filme foi tão restrito que eles filmaram tudo em quatro semanas, trabalhando todos os dias por 16 hora, sob o sol do verão texano. O ator Gunnar Hansen (Leatherface) tinha apenas uma camisa, e como ela estava tingida para as cenas, não podia ser lavada. Depois de alguns dias, ninguém queria ficar perto dele. Nem ele aguentava o cheiro. O esqueleto que aparece no final do filme é verdadeiro, pois um de plástico custava muito mais caro. A casa usada no filme foi alugada e serviu como base pra equipe, que descobriu uma plantação de maconha nela. Para evitar problemas, eles chamaram a polícia, que nunca apareceu.

Contatos Imediatos de Terceiro Grau encontros imediatos de terceiro grauOs alienígenas que aparecem no fim do filme foram feitos pelas meninas de Mobile, Alabama. Steven Spielberg achou que elas se moviam de forma mais graciosa que os meninos.

boas notícias pra quem gosta de fantasia

miss-peregrines-home-for-peculiar-childrenA adaptação de O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares finalmente deu notícias após a escalação da Eva Green, que vai interpretar a personagem do título. Um teaser lembra o “loop day”, essencial para a trama, que zera o dia e faz os personagens viverem o mesmo dia sempre.

A direção é do Tim Burton (rezemos pra ser bom) e o roteiro é da competente Jane Goldman (Stardust, Kick-Ass, X-Men: Primeira Classe, A Mulher de Preto e Kingsman). Na história, Jacob cresce na Flórida ouvindo as surreais histórias do avô, quando vivia num orfanato. Quando este é misteriosamente morto, Jacob descobre que as histórias eram reais e parte em busca do Orfanato da Srta. Peregrine.

A escalação é bem interessante. Asa Butterfield (Hugo Cabret) como Jacob, Eva Green, apesar de muito jovem, como a Srta. Peregrine (dá pra reclamar?) e Allison Janney, curiosamente, vai ser o Dr. Golan. Completam o elenco Samuel L. Jackson, Judi Dench, Rupert Everet e Chris O’Dowd. O filme encontra-se em pós-produção e tem estreia prevista para março de 2016.

Sério, torcendo muito pro Tim Burton voltar a fazer filme bom! E tomara que minha parte favorita do livro vá pra tela.

O mundo entrou em alvoroço quando a Netflix anunciou uma série baseada em Desventuras em Série. Isso porque todo mundo espera uma continuação do filme (que nem é tão bom, ma bem interessante) até hoje. O anúncio foi feito no fim do ano passado. Desde então, apenas um trailer fan made surgiu na internet. Só agora a gente começa a ter mais detalhes, e que detalhes legais. A direção vai ficar nas mão do Barry Sonnenfeld (A Família Addams, MIB e os dois primeiros episódios de Pushing Daisies), que também será produtor executivo, assim como o showrunner Mark Huddis (True Blood).

Se tem alguém pra contar uma história sombria com humor negro é o Sonnenfeld, que chegou a quase dirigir o filme. O autor dos livros, Lemony Snicket (ou Daniel Handler), comemorou a adaptação.

A série ainda não tem elenco definido nem data de lançamento, mas cogita-se algum momento de 2016.

o line-up de ouro 2015/16

Muito cedo pra falar de Oscar, mas a certeza é de que os indicados, assim como ocorreu este ano, não serão filmes populares. Com o anúncio dos filmes que serão exibidos no seletíssimo Telluride Festival, a gente já começa a entender o extrato de 2015.

steve jobsSteve Jobs. Direção do Danny Boyle e roteiro do Aaron Sorkin. No elenco, Michael Fassbender e Kate Winslet. É aquele filme com troca maluca de atores e diretores. David Fincher era o diretor, mas a Sony não quis pagar o cachê cobrado nem dar controle criativo total. E com Fincher, Jobs seria papel de Christian Bale. Com a saída de Fincher, entraram Danny Boyle e Leonardo DiCaprio, que desistiu e passou a bola para Bale, que também recusou achando não estar pronto para o papel. E assim apareceu Fassbender. Mas o Sorkin queria o Tom Cruise. Enfim, em outubro o filme começa sua via crucis pelos festivais de Nova York e Londres, mais ou menos o caminho que A Rede Social percorreu.

carolCarol. Novo filme do Todd Haynes, sempre muito delicado com o universo feminino. Em Carol, uma jovem (Rooney Mara, ganhadora da Palma de melhor atriz em Cannes) se apaixona por uma mulher mais velha, a Carol do título (Cate Blanchett). No elenco ainda estão Sarah Paulson, Kyle Chandler e um jovem ator muito bom chamado Cory Michael Smith, que está em Gotham.

black massBlack Mass (Aliança do Crime). A volta por cima do Johnny Depp depois de tantos filmes ruins. Ele vive Whitey Bulger, irmão de senador, mafioso e informante do FBI. O elenco é tão bom que não caberia num só parágrafo, então vai só um nome: Benedict Cumberbatch. O filme acaba de ser exibido no Festival de Veneza e depois vai passar nos de Toronto e Londres.

beasts of no nationBeasts of No Nation. No dia 16 de outubro, Beasts vai estrear simultaneamente nos cinemas, na internet e na Netflix. Sim, a Netflix pagou 12 milhões pelos direitos! É também o primeiro trabalho que veremos do Cary Fukunaga, depois da alucinante primeira temporada de True Detective. O filme é baseado na história de Agu, um menino soldado obrigado a lutar na guerra civil de algum país esquecido da África. Idris Elba está no elenco. E é assustador!

o regressoThe Revenant (O Regresso). Depois da consagração de Birdman, Alejandro González Iñárritu retorna com um filme que já é uma lenda. A história é baseada em fatos reais, sobre um homem (Leonardo DiCaprio) que se vinga dos colegas que o abandonaram para morrer depois de um ataque de urso. O filme já é uma lenda por causa dos seus bastidores, um caos: estouro de orçamento, atrasos e muitas brigas, uma vez que as locações eram em lugares de condições extremas, a fotografia não usou luzes artificiais e a decisão de filmar como um plano contínuo, como em Birdman, dificultou tudo ainda mais. O filme ainda está em pós-produção, mas o trailer é de cair o queixo!

suffragetteSuffragette. Parece ser o filme britânico do ano. Carey Mulligan, Meryl Streep e Helena Bonham Carter vivem as primeira feministas britânicas a lutar com mais força pelo direito ao voto. Ao verem que manifestações pacifistas não dão resultados, elas arriscam tudo que têm para que todas as mulheres tenham seus direitos garantidos.
spotlightSpotlight
. Escrito e dirigido por Tom McCarthy (Up!, O Agente da Estação, O Visitante, Ganhar ou Ganhar) o filme é sobre a reportagem vencedora do Pulitzer que revelou décadas de casos de pedofilia dentro da igreja católica. Michael Keaton (ele voltou mesmo), Liev Shreiber, Rachel McAdams, Mark Ruffalo, Stanley Tucci, John Slattery e Billy Cudrup estão no elenco. O filme acaba de passar por Veneza e ainda tem Telluride e Toronto pela frente.

macbethMacbeth. O diretor Justin Kurzel não é muito conhecido pelo público, mas já ganhou o prêmio do juri numa mostra no Festival de Cannes e foi indicado este ano por Macbeth. Ele também já grudou no Fassbender, pois também vai dirigi-lo na adaptação de Assassin’s Creed. Apesar da pouca badalação, o filme está pegando pesado no quesito “elogios da crítica”, como bem mostra o novo trailer. E a Lady Macbethe é a Marion Cotillard, ou seja… Que casal!

Vamos ver se teremos algumas surpresas. Vale dizer que Que Horas Ela Volta estreou em algumas salas nos EUA e foi muito elogiado.

sobre cinderela e a calça branca

Vi Cinderela e não tenho com quem comentar.

Achei visualmente lindo, sem complicações, Cate Blanchett maravilhosa, atores de Downton Abbey irreconhecíveis quando mudam de época e tudo mais, senti falta apenas de uma trilha sonora mais pontuada. Mas o parabéns mesmo vai pra figurinista veterana Sandy Powell. Não apenas fez um figurino lindo, mas conseguiu a proeza de vestir o Rob Stark (Richard Madden) de legging branca sem ele pagar baryshnikov, se é que vocês me entendem. Fiquei impressionado. Tão impressionado que fui procurar mais informações sobre, e encontrei!

Richard Madden e a produção do filme tiveram problema com a protuberância, que não poderia aparecer por se tratar de um filme família. Depois de muito pensar, a solução foi o ator usar uma jockstrap. Para quem não conhece, a jockstrap é uma cueca atlética cada vez mais comum no dia a dia. Resumindo, ela deixa tudo guardadinho num só lugar. Uma jockstraps que o ator usou era tão apertada que o pobre sofreu e lágrimas começaram a cair. E o povo achou que só a Lily James sofreu por causa do espartilho. cinderela principe mala

Agora comparando com o resultado finalcinderela principe sem mala

Falando na cintura da Lily James, não foi usado nenhum tratamento de imagem na pós produção para que sua cintura parecesse ultra fina. Além de ter usado espartilho, o famoso vestido azul foi construído para causar uma ilusão de ótica. E vários modelos foram feitos para diferentes cenas. Quando ela precisava correr, a barra da saia era bem mais curta, já para a cena de dança e a entrada no baile, ela usou um que a barra da saia encostava no chão. cinderela

E é apertando os atores que o cinema é feito. Só queria ver se o príncipe fosse o Jon Hamm.

what it feels like for a girl

divertida menteEu ficava muito irritado quando alguém dizia a máxima “criança não tem problema”. Ainda fico, pra dizer a verdade. Me dava um ódio da pessoa, porque eu tinha muitas questões, e meu maior problema era que ninguém me ouvia ou tentava me entender – assim nasceu minha síndrome de incompreendido. Talvez por isso eu amei tanto Divertida Mente. Que filme genial!

Divertida Mente é o primeiro filme original da Pixar desde Valente. Assim como o filme da arqueira celta, este também é protagonizado por personagens femininas. Riley tem 11 anos e se muda repentinamente para São Francisco com os pais. É claro que uma mudança tão drástica aos 11 anos significa muito para uma garota, e é na cabeça da Riley que o filme acontece.

Os diretores Pete Docter e Ronaldo Del Carmen encontraram um jeito muito inteligente para mostrar isso. Eles pegaram cinco emoções – Alegria, Tristeza, Nojinho, Raiva e Medo – para controlar os sentimentos de Riley. Quando Alegria e Tristeza vão parar fora da sala de controle, a fase difícil de Riley fica ainda mais difícil.

divertida mente rileyContar muito estragaria a experiência de quem ainda não viu. Digo apenas que é um filme maduro, sofisticado, profundo, simples, comovente e extremamente real. Talvez não seja apropriado para os muito pequenos – de idade e de cabeça. No fim, como eu aprendi com o tempo, alegria e tristeza andam de mãos dadas. É uma maravilha ver que Divertida Mente está fazendo bonito nas bilheterias num momento em que produções originais estão tão em baixa.

E é uma pena que a Disney disponibilizou poucas cópias legendadas. É um filme que se apoia muito no texto e no elenco – Amy Poehler, Phyllis Smith, Mindy Kaling, Bill Hader, Lewis Black e Richard Kind. Aqui no Rio as sessões legendadas foram apenas duas.

artesanato em movimento

Um dos motivos para eu detestar os episódios I, II e III de Star Wars é o excesso de computação gráfica. O George Lucas entrou na Industrial Light & Magic e fez a festa. Tenho tido cada vez menos paciência para filmes de ação e blockbusters. Mas parece que esse meu descontentamento tem um motivo, que é explicado no vídeo abaixo. 

Resumindo: O nosso cérebro precisa de uma figura real ou humana para acreditar. Até 2004, a computação gráfica era usada para inserir um elemento numa imagem real já filmada. Depois disso, os softwares avançaram tanto que passaram a criar um background e mesclar tudo, tornando a imagem linda e impecável. Só que o nosso cérebro não consegue se deixar enganar e a gente se entedia com as longas sequências geradas em computadores e que custaram uma fortuna!

Lembro de Capitão Sky e o Mundo de Amanhã, o primeiro filme a ser todo feito em chroma key – ô filme pra dar sono. Se a gente pega blockusters recentes, a conclusão é que os de maior popularidade são os que apostaram em efeitos práticos e apostaram na edição – vide Mad Max: Estrada da Fúria, filmado no desertos com carros de verdade e dublês presos naquelas hastes, e Guardiões da Galáxia, que construiu sets e usou muita caracterização e figurantes. Obviamente, o roteiro fala mais alto.

Ainda bem que o novo Star Wars está sendo dirigido pelo J. J. Ambrams, que entende a importância de contar uma história e adora construção de sets, maquiagens etc. Falando nisso, já viu o novo vídeo?

Passando do cinema para a televisão, a segunda temporada de Penny Dreadful terminou domingo passado. Mais do que nunca, texto impecável e elenco afiado. Que prazer ver uma série assim (não entendo por que os americanos acham a série chata e monótona – eu poderia ver um episódio inteiro de diálogo da Vanessa com a Evelyn). A gente realmente se sente prestigiado quando a produção tem tanto capricho! Cada cenário é absolutamente detalhado, fora o figurino, o cabelo, maquiagem… É uma série artesanal, e parte dos bastidores – como a casa da Evelyn e o baile com chuva de sangue do Dorian Gray – está disponível no blog de produção.

Não é uma questão de ser contra o uso de computação gráfica. Muito pelo contrário, mas do uso inteligente do CGI.

jurassic park: island of adventure

jurassic worldAntes de mais nada, deixa eu falar sobre meu amor por O Parque dos Dinossauros. Eu vejo filmes desde os meus 3 anos e sempre amei. Quando os dinossauros do Spielberg estrearam no longínquo ano de 1993, eu enchi o saco da minha mãe para ela me levar ao cinema. Não, ela não me levou, mas passou a tarefa pro meu primo. Quando fomos, numa noite de quarta-feira (vocês não sabem como era raro sair fora do fim de semana), no finado cinema da Galeria Condor, o filme já estava em cartaz há um mês e todos os meus amigos já o tinham visto. Minha alegria foi tanta que a pipoca acabou antes dos trailers começarem. Quando o filme acabou, eu já tinha morrido e ressuscitado umas cinco vezes só nas sequências do carro e da cozinha. Ali eu descobri que eu realmente amava o cinema, essa coisa de contar uma história através de imagens em movimento. Passei um mês falando de dinossauros (do filme, na verdade) e meu desejo de ser astronauta migrou para a paleontologia.

Dando um pulo de 22 anos, fui todo feliz ver Jurassic World, a terceira continuação. Fui todo feliz, mas sem expectativas, já que O Mundo Perdido e o terceiro filme não foram lá uma Brastemp. E, de fato, Jurassic World é um filme irregular, alterna momentos empolgantes com outros quase blasés. Porém, o roteiro dos bons Rick Jaffa, Amanda Silver (ambos do reboot de O Planeta dos Macacos), mais Derek Connolly e do diretor Colin Trevorrow dá uma piscadinha com um olho, de forma bem discreta, brincando com os clichês do gênero. Chris Pratt é o cara rude que vive num “bangalô”, Bryce Dallas Howard corre pra lá e pra cá de salto num estranho conjuntinho branco, o adolescente vivido por Nick Robinson vive no celular e seu irmão, Gray, sabe tudo de dinossauros. São praticamente os mesmos arquétipos do primeiro filme (tirando a Claire), e não há nada de errado nisso. Pra que complicar algo que não precisa?

De fato, não adianta fazer uma mega análise do filme. É um filme para divertir, não é um documentário. Só esperava que o diretor Colin Trevorrow tivesse construído melhor algumas sequências, como a dos velociraptores correndo atrás do carro – quanta tensão a mais poderia ter saído dali – e se divertido mais com os pterodáctilos tocando o terror no povo. Há trocentas referências ao primeiro filme e Jurassic World tem suas metalinguagens – a necessidade de fazer um dinossauro maior e mais feroz, por exemplo, foi a mesma necessidade que fez o terceiro filme adotar o espinossauro como estrela (sabemos que o rex nunca perde a majestade), além de dar uma leve alfinetada na forma como os blockbusters são produzidos atualmente. Ah, e claro, ao Tubarão do Spielberg.

E sim, eu adoraria ir ao Jurassic World. Não seria tão diferente de ir num parque de Orlando. Quer dizer, seria mais emocionante.

no deserto da loucura

mad max fury roadMad Max: Estrada da Fúria, ou Fury Road, como preferir é cinema puro. São imagens espetaculares em movimento. É a luz, a câmera e a ação. E que ação! Os olhos ficam sem piscar por quase duas horas e você não consegue acreditar que, em tempos de computação gráfica avançada, o louco do George Miller filmou tudo na Namíbia (aí você entende o que o Tom Hardy sofreu com aquela mordaça), e que todas as explosões, pessoas voando pra lá e pra cá… tudo foi realmente feito. Aí você fica com medo de que o caos e a loucura sem freios vai desandar, mas não, Miller sabe exatamente o que está fazendo. Ao contrário dos outros filmes de ação, aqui, cada ato tem uma consequência e um significado.

A ação de passa depois do terceiro filme – Além da Cúpula do Trovão (ou We Don’t Need Another Hero), e Max (Tom Hardy) anda pelo deserto, atormentado por seus fantasmas. Ele é caçado pelos War Boys de Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne) e seu destino cruza com o da Imperatriz Furiosa (Charlize Theron) e de Nox (Nicholas Hoult, irreconhecível). Atenção para cada detalhe desta primeira parte, pois nada é explicadinho num diálogo de exposição, Miller usa a imagem e é seu trabalho entender como aquela sociedade funciona. Tudo desencadeia na fuga de Furiosa e das outras reprodutoras, e Max se vê no meio (literalmente) dessa insanidade.

Não é necessário contar mais, mas Estrada da Fúria é um grande road movie em que tudo é um conflito, os personagens se entendem por olhares e também mudam, embasbacados com o que vêem. Querendo ou não, Miller fez um filme que dialoga com os problemas do mundo de hoje e dá um ultimato: mulheres no poder!