duas comédias para abrir o ano

Como já disse mil vezes aqui, séries de comédia não são o meu forte. Já expliquei também porque a comédia é vista como a prima pobre das artes dramáticas. Resumidamente, o que é triste, emocionante e dramático é assim em qualquer lugar do mundo. Já a comédia não agrada a todos. O que é engraçado aqui pode não ser considerado engraçado lá, e vice-versa. Este nariz de cera foi só para dizer que séries cômicas não me prendem facilmente, mas gostei de duas estreias na televisão.

last man on earthA primeira é The Last Man On Earth, a prova de que todo homem é bobo e toda mulher é chata. A história se passa em 2020, depois de uma epidemia que matou toda a humanidade, menos Phil (Will Forte – gosto tanto dele), que passou um ano viajando pelos EUA à procura de algum sobrevivente. Phil é um cara mediano. Não é especialmente inteligente, bonito nem nada, mas tem conhecimento suficiente para coletar obras de arte, relíquias históricas e o roupão do Hugh Hefner. Num primeiro momento, ser o único habitante da Terra é um sonho, mas a solidão vem e ele se vê como o náufrago do Tom Hanks. Quando a razão de viver acaba, eis que aparece uma mulher! Seria a linda da Alexandra Dadario? Não, mas a mulher mais chata do universo, Carol (Kristel Schaal), que insiste em seguir regras e leis num mundo pós-apocalíptico. E ela quer repovoar o mundo!

O argumento é dos diretores Christopher Miller e Phil Lord (ambos de Tá Chovendo Hambúrguer, Uma Aventura Lego e Anjos da Lei) para um filme. Will Forte escreveu o episódio piloto (que na verdade são dois episódios seguidos) e também bate ponto como produtor. A série é da Fox, mas parece ser de canal a cabo. Não só porque o investimento é alto, mas o tratamento difere dos colegas da tv aberta. Há nuances, silêncios, nada de piada cronometrada, e um estilo de humor próprio. Não é de dar cambalhotas de tanto rir, mas tem seu charme e interesse.

XXX KIMMY SCHMIDT TV A ENTA outra série também difere no estilo, fugindo totalmente do sarcasmo e cinismo que cobre todas as produções atuais. The Umbreakable Kimmy Schmidt é uma criação da dupla de 30 Rock, Tina Fey e Robert Carlock. Dá pra dizer que The Umbreakable Kimmy Schmidt é uma dose café com leite de 30 Rock, mas sua protagonista compensa o humor mais fofo.

Durante 15 anos, Kimmy Schmidt (Ellie Kemper) viveu num abrigo nuclear com outras mulheres vítimas de uma seita apocalíptica. Ao serem resgatadas, elas viram as mulheres-topeiras e se tornam uma comoção nacional. Kimmy resolve então tentar a vida em Nova York, onde seu entusiasmo e inocência são suas armas. Ela acaba dividindo o apartamento com Titus, um ator fracassado e desempregado da Broadway, e consegue um emprego como babá na casa da lunática Jacqueline (Jane Krakowski).

Kimmy foi especialmente escrita para Ellie Kemper, que consegue fazer uma personagem empolgada e positiva sem cair na irritação e infantilidade. Acerto total! O texto tem seus altos e baixos, mas quando tem seu momento 30 Rock, é de dar gargalhadas. Destaque para a participação especial de Martin Short como o cirurgião plástico Dr. Franff.

The Umbreakable Kimmy Schmidt nasceu como uma série do mid-season da NBC. Ao perder o interesse na série, a Netflix a comprou e já com o acordo para a segunda temporada – win win. Os sete primeiros episódios precisaram ser reeditados, pois estavam montados para ter intervalos comerciais. É uma série simpática e bem inteligente.

 

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