o trailer do trailer

Taxi-DriverDurante dois anos, o Google fez uma pesquisa com frequentadores assíduos de cinemas para saber como eles se informam sobre os filmes, ou melhor, o que eles procuram para decidir que filme ver. A resposta não surpreende, o que muda é como a indústria tem usado esses resultados. 39% das pessoas vêem o trailer oficial, quatro em cinco pessoas, vão direto ao Youtube. 11% buscam mais informações sobre o elenco e 8% se baseiam na opinião de amigos.

Com a internet, o trailer se tornou um evento, um produto, uma notícia, a estrela de toda campanha publicitária de distribuição em massa. A virada de mesa aconteceu com Star Wars – A Ameaça Fantasma, numa era pré-youtube, quando 3,5 milhões de pessoas assistiram ao primeiro trailer na internet. Hoje, os estúdios liberam o trailer do trailer para que sites façam podcasts desses teasers, que são analisados frame por frame, falando o óbvio como a narração de uma partida de futebol. Ganha quem faz mais barulho, então vêm os trailers que ninguém sabe quem deixou vazar, afinal, tudo numa produção cinematográfica é absolutamente controlado. Mas qual é o problema do trailer?

Num mundo em que os filmes querem agradar uma maioira absoluta, eles mostram demais. Mostram todas as piadas boas, mostram partes que não fazem parte da montagem final e caem na previsibilidade do atual padrão hollywoodiano. Pegue os trailers dos três últimos filmes do Tom Cruise pra ver como parecem ser do mesmo filme.

Mas não é só o trailer que faz as pessoas decidirem ir ao cinema. Dependendo do gênero, a busca é outra. Se for uma comédia, as pessoas querem saber que atores estão no filme. Para quem quer ver um filme de ação, o que vale é saber o diretor. Não necessariamente o nome, mas que filmes ele tem no currículo. Já quem vai ao cinema ver um filme de terror, mais vale a conveniência do horário – o resto não importa, pois geralmente o filme é ruim. Só as pessoas que vão em família lêem as críticas, pois não há nada mais contrangedor do que assistir uma cena de sexo ao lado das crianças – e vice-versa.

Crítica especializada não vende filme. O que vende mesmo é o que dá pra vender. A grande maioria do público vai ao cinema sem saber a sinopse ou qualquer outra informação, então o que faz as pessoas irem ao cinema é o marketing. Por isso um blockbuster sai tão caro e precisa faturar o triplo do orçamento para não sair no prejuízo.

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