corações perdidos

the normal heartO Ryan Murphy tem um problema. Ele é um bom escritor, bom diretor e sabe o que o espectador quer, mas ele se distrai e atira pra todo lado. E pior, ele exagera e floreia o quanto pode. Foi assim com Nip/Tuck, Correndo com Tesouras, Glee e até com American Horror Story. Com The Normal Heart a história se repete, ele se distrai e usa mil estilos, como quando mostra o primeiro encontro de Ned e Felix.

The Normal Heart é uma peça escrita por Larry Kramer sobre os primórdios da Aids no início dos anos 1980, quando era uma doença sem tratamento, isolada e conhecida como “câncer gay”. A peça estreou em 1985 e é um retrato do que Kramer viveu como um dos fundadores da Gay Men’s Health Crisis (GMHC), uma organização que tentou entender a Aids e pressionou o governo a incluí-la nas políticas públicas de saúde. Na história, Ned (Mark Ruffalo) é um escritor e porta-voz feroz da GMHC, constantemente em fúria e atrito com políticos, colegas e seu irmão (Alfred Molina). Além dos amigos perdidos tragicamente, Ned sofre com a doença do seu companheiro Felix (Matt Bomer), e todos contam com a ajuda de uma das únicas médicas preocupadas com a doença, Dra. Emma Brookner (Julia Roberts).

Palmas para Ryan Murphy, que comprou os direitos com o próprio dinheiro e tirou o projeto do limbo (aka Barbra Streisand). É mérito dele também reunir um elenco talentosíssimo que arrasa toda vez que lhe é permitido. Mark Ruffalo brilha, assim como Jim Parsons (que repete o papel que fez no revival da Broadway) e Matt Bomer. É impossível não se comover com o Felix de Bomer, não apenas porque ele emagreceu sei lá quantos quilos em tão pouco tempo, mas ele prova com louvor que é muito mais que um ator bonito com sorriso perfeito. Na segunda parte de The Normal Heart, Murphy é mais contido e  deixa o texto fluir.  The Normal Heart acerta mais que erra e cumpre com o prometido. Mostrar uma era de terror em que a Aids nem tinha nome e suas vítimas eram tratadas como lixo radioativo. O coração é o mesmo.

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3 comentários em “corações perdidos”

  1. O Murphy eh um desagrado pra mim. Glee se perdeu e nem animo assistir mais nada dele.
    Vi esse filme pelo tema, pelo elenco e pra poder discutir com meu roommate.
    Eh interessante e bem executado, mas tem um tom teatral grande. Parece q em cada cena alguem esta mais preocupado em proferir um discurso ao inves de agir.
    Gostei mas nao era isso tudo q prometia nao.

    1. Sabe que eu nem me incomodei com o tom teatral, e eu sempre implico quando vejo um texto de teatro mais ou menos adaptado para o cinema ou televisão. Cortei isso do texto, mas todos os personagens têm seu momento discurso. No trailer mesmo dá pra ver o exagero do Murphy quando o Ned vai tentar falar com o prefeito e é impedido pelos seguranças.
      Também não achei isso tudo, mas vai ser indicado pra vários prêmios, inclusive a Julia Roberts, que não fez mais do que a obrigação. Rufalo e Bomer merecem.

  2. Sim, deve ganhar coisas importantes pois eh um tema chocante pra eles, deu pra perceber.
    Acho q Julia e Bomer devem levar ate Emmy.

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