o figurino de penny dreadful – mais um motivo para ver

A Inglaterra vitoriana tem um apelo visual quase imbatível. Pelo menos para mim. Um período de transição, de experimentações e explorações, quando o antigo e o moderno andavam no mesmo compasso. Ver Penny Dreadful é uma delícia, pois não é uma mera série de horror, mas um drama cinco estrelas que usa elementos do gênero. É ver Victor Frankenstein horrorizado com sua criatura que exige seu amor, ou Vanessa Ives buscando algum tipo de redenção. Com produção de Sam Mendes e John Logan, Penny não poderia ser menos elegante e visualmente apurada.

As figurinistas Gabriela Pescucci e Uliva Pizzette misturaram roupas vintage e criações próprias, muitas vezes reaproveitando tecidos e adereços antigos. Como as ilustrações nas penny dreadful (publicações de horror voltadas ao público jovem do final do século 19) eram um tanto exageradas, as duas decidiram fazer algo mais sóbrio e realista, ou nem tanto. Personagens da literatura, como Frankesntein e Dorian Gray tiveram uma releitura. Frankesntein, por exemplo, virou um jovem médico e anatomista, pobre, então suas roupas são mais gastas e de qualidade inferior. Já Dorian usa roupas mais românticas e visivelmente caras. São camisas sem gola e coletes de seda. Ele se permite usar cores chamativas que contrastam com a sobriedade dos outros personagens.Episode 103 Episode 101penny dorian Episode 104

Sir Malcolm também veste roupas bem feitas e de qualidade. Como é um explorador, há pele e couro em alguns detalhes de seus ternos e casacos. Não tão rico quanto Sir Malcolm, o americano Ethan Chandler se esconde atrás da aparência. De origem rica, mas sem um tostão furado, ele veste casaco, calça e colete (sim, ele só teve um look até agora) que seriam muito caros para ele, bem diferente do que usou em sua primeira cena.penny sir malcolm Episode 101penny etha 2 Episode 103

Já Vanessa Ives usa vestidos que fogem do padrão da época. Nada de corselet, seios querendo escapulir e frufrus. Atormentada por visões de aranhas, elas são o tema de seu figurino. Quase todos os vestidos dela têm rendas, fios soltos e transparências. Sendo uma sensitiva, uma mulher entre o mundo dos vivos e mortos, o roxo é sua cor. Episode 101 penny vanessa 2 penny vanessa 3 Episode 104 Episode 102

o lirismo de uma novela

meu pedacinho de chão zelaoMeu Pedacinho de Chão foi ao ar, originalmente, entre 1971 e 1972. Era uma novela educativa, segundo seu autor, Benedito Ruy Barbosa. Ensinava ao homem do campo coisas como tétano, verminose e outros perigos suscetíveis quando se tem menos instrução, mas Barbosa não conseguiu falar sobre a miséria e os maiores problemas rurais, afinal, eram tempos de Ditadura. Já a Meu Pedacinho de 2014, Barbosa prefere dizer que é uma nova novela, não uma nova versão nem recriação. Ao mesmo tempo que fala de reforma agrária e coronelismo, o lúdico e fantasia encantam de forma rara na televisão.

Quem comanda Meu Pedacinho de Chão é Luiz Fernando Carvalho, diretor com quem Barbosa trabalhou nos marcos Renascer e O Rei do Gado. Carvalho é um diretor especial, muito mais de minisséries que de novelas. São deles outras obras-primas da tv brasileira, como Os Maias (suspiros), Hoje É Dia de Maria e Capitu. É dele a assinatura artesanal da novela, cheia de simbolismos. Havia uma preocupação se ele conseguiria manter essa qualidade ao longo dos meses. E a resposta é, até agora, sim, com louvor.

Meu Pedacinho é uma novela micro. Tem apenas 20 personagens e até agosto serão meros 100 capítulos. Parece muito, mas é a metade do que uma novela das nove tem. Os cenários são tão complexos que não são desmontados depois das gravações e o elenco precisa chegar horas antes para passar pela caracterização. O visual (um colaborativo de vários artistas como Raimundo Rodriguez) não se sustentaria se o material não fosse bom, e é aí que o casamento de Barbosa e Carvalho realmente encanta. É a beleza de ver um texto tão delicado e bonito ser tratado como uma flor. É ver a transformação do jagunço Zelão (Irandhir Santos) depois de se apaixonar pela professora Juliana (Bruna Linzmayer), e depois a dor da rejeição. Ou o menino Lepe (Tomás Sampaio) indo à escola pela primeira vez para aprender a ler. A lindeza da fictícia Vila de Santa Fé só desabrocha com a chegada da professora, a maior inimiga do coronel Epa (Osmar Prado), que não quer que ninguém aprenda coisa alguma, nem sua própria filha. Juliana representa não apenas o conhecimento, mas o amor, como o da masculinizada Gina (Paula Barbosa), que descobre sua feminilidade e se vê apaixonada por Ferdinando (Johnny Massaro). E sempre com o cuidado da trilha sonora supervisionada pelo Tim Rescala, parceiro de outros carnavais de Carvalho.

meu pedacinho de chão juliana

A novela repete atores que estiveram em novelas há muito pouco tempo, como a própria protagonista  Bruna Linzmeyer e Antonio Fagundes, mas não há sensação de repetição porque Carvalho os colocou em papéis pouco prováveis. Fagundes, veterano que há anos faz o mesmo papel de patriarca, aqui é o dono da mercearia, quase um bonachão. É engraçado vê-lo contracenando com o filho, o médico Renato (Bruno Fagundes). O Pedro Falcão de Rodrigo Lombardi não tem nada de galã e Juliana Paes subiu uns cinco degraus como atriz (não que ela fosse ruim, mas sua Catarina tem mil camadas como seus vestidos, algo não visto nem quando ela protagonizou sua primeira novela).

O horário das seis tem experimentado bastante. Do cangaço real de Cordel Encantado (que teve post aqui), passando pelo texto super inteligente e realista de A Vida da Gente, até o lirismo de Meu Pedacinho de Chão. Não sou noveleiro como o texto me faz parecer (vejo muito pouco, pra dizer a verdade), mas se o futuro das novelas for este, talvez eu vire um.

stonewall e a volta do giacchino

Nem tudo é notícia ruim. A HBO comprou os direitos de produção da série/minissérie Open City, que se passa no finzinho da década de 1960, em Nova York, culminando na Revolta de Stonewall, que iniciou o movimento de defesa dos direitos civis gays. A produção acompanha a vida de diferentes personagens pela cidade e a relação do bar Stonewall com a máfia. Ainda não há cronograma nem elenco. A produção é de, tremei, Adam Shankman (Hairspray) e Dave Kajganich (Invasores). Podia ser spin-off do Bob Benson.

Com a divulgação da sinopse do novo filme da Pixar, Inside Out (2015), foi confirmado também que a trilha será de Michael Giacchino, ganhador do Oscar pela trilha de UP! Altas Aventuras, dirigido por Pete Docter. Repetindo então a parceria. Depois da trilha de Inside Out, Giacchino vai se dedicar ao novo filme da franquia Jurassic Park. inside out

Inside Out vai se passar na cabeça da menina Riley, de 11 anos. Ao ter que se mudar para San Francisco, suas emoções ficam um tanto confusas. No Quartel General em seu cérebro vivem a Alegria (Amy Poehler), Medo (Bill Hader), Raiva (Lewis Black), Nojo (Mindy Kaling) e Tristeza (Phyllis Smith)

 

roupa velha colorida

Blog com roupa nova, mas ainda com medo de mudanças. Ele é muito inseguro com sua própria imagem, mas no resto vai dar uma boa ajeitada. O fundo branco foi cogitado, porém, seria uma experiência radical demais. Mas o preto virou cinza escuro. Queria um azul mais luminoso, mas não dá pra mexer nessa cor. Por favor, opinem! O blog fica gordo de cinza? morticia

x-salada mista

x-men dias de um futuro esquecidoX-Men: Dias de um Futuro Esquecido é como uma novela da Glória Perez. Uma história louca que se passa em vários lugares, com mil personagens sem muito o que fazer e no final, dá tudo certo. O problema do filme não é apenas o excesso de personagens (dá uma gastura ver Ian McKellen como figurante), mas a falta de pontuação. O filme começa mostrando o apocalíptico futuro da Terra. Mutantes, humanos que carregam genes mutantes e simpatizantes são perseguidos e dizimados pelos Sentinelas criados por Bolivar Strak (Peter Dinklage). Quando em 1973, Mística (JLaw) mata Strak e é capturada, seu DNA é usado para aperfeiçoar os Sentinelas. A saída encontrada pela turma do Professor X e Magneto é usar Kitty Pryde (Ellen Page) para mandar a consciência do Wolverine (Hugh Jackman) para o seu corpo de 1973, e assim convencer os jovens Xavier (James McAvoy) e Magneto (Michael Fassbender) a impedir a ação da Mística.

Muita coisa aconteceu entre o fim do Primeira Classe e este filme. Os alunos de Xavier foram convocados para a Guerra do Vietnã e ele ficou devastado pela ausência de Raven. Do outro lado, Magneto foi preso por ter matado JFK e todos os seus aliados foram mortos. Essa é a parte interessante de Dias de um Futuro Esquecido, mas Bryan Singer preferiu dar mais atenção ao Wolverine. O resto do filme é a repetição da luta com os Sentinelas no futuro, um tour por Washington e Paris, com Wolverine, Xavier e Fera (Nicolas Hoult)  tentando impedir Mística ou Magneto de seguirem com seus planos. Em nenhum momento se tem a real dimensão da ameaça dos Sentinelas, eles aparecem bastante, mas não se explica os reais interesses por trás da demonização dos mutantes.

Há dois momentos deliciosos no filme, três, se você contar com a bunda do Hugh Jackman. Um é o resgate do Magneto pelo Mercúrio (Evan Peters), genial nos efeitos, no timing e no humor. O segundo é o final, quando se tem um vislumbre dos personagens dos dois primeiros filmes do X-Men. A impressão que tenho é que Dias de um Futuro Esquecido é um filme para situar os filmes numa cronologia (e dar um ponto final na saga daqueles filmes do Singer, meio que eliminando a existência do terceiro) e fazer uma ponte para X-Men: Apocalypse.

o corpo é o mesmo, mas minha voz…

Cantando na Chuva mostra o exato momento em que o cinema passa a ser falado. O plot é uma atriz que tem uma voz horrorosa e não consegue se adaptar ao microfone, então ela passa a ser dublada por uma atriz adorável e que canta lindamente. Tão lindamente que Gene Kelly se apaixona por ela. A dublagem de atores acontece desde então, às vezes provocando tortinha de climão, mas sempre no intuito de melhorar o filme. Eis alguns exemplos.

jeff eastJeff East foi escalado para ser o jovem Clark Kent no Superman do Richard Donner. East filmou todas as suas cenas, mas quando viu o filme, ficou furioso. Ele havia sido dublado pelo próprio Christopher Lee. Tudo o que restou de sua voz foi um ‘woo-hoo”.

andie macdowellAndie MacDowell venceu Glenn Close na disputa pelo papel de Jane em Greystoke – A Lenda de Tarzan, o Rei da Selva. Foi seu primeiro filme, mas algo cruel aconteceu. Os produtores acharam que MacDowell tinha um sotaque muito sulista, então chamaram Glenn Close para dublá-la. Climão total. O detalhe é que os produtores queriam um inglês mais britânico, mas Close nasceu em Connecticut, norte dos Estados Unidos. Close voltou ao universo do Tarzan muitos anos depois, quando dublou a gorila Kala na animação da Disney.

eva mendesEva Mendes não estava em início de carreira quando fez Rede de Corrupção, mas até então, só havia feito filmes ruins, do naipe de Colheita Maldita 5 e Lenda Urbana 2. Apesar de não ser nenhuma maravilha, o filme ao menos tinha um ator conhecido, Steven Seagal (uau!). Ao ver o filme pela primeira vez, junto com seus pais, ela teve uma profunda decepção. Ela fora dublada. Ao questionar o porquê, os produtores responderam que sua voz não soava muito inteligente. Mendes cagou e andou. Seu filme seguinte foi Dia de Treinamento, com Denzel Whashington e Ethan Hawke.

audrey hepburnAudrey Hepburn se esforçou muito para fazer My Fair Lady e enfrentou de frente a opinião de seu colega de elenco Rex Harrison, que queria repetir a parceria com Julie Andrews. Julie, que tinha estrelado o musical no teatro, chegou a fazer teste, mas os produtores acharam que ela não era conhecida o bastante pelo público. Depois de muitas aulas de canto, Hepburn foi informada que seria dublada em quase todas as músicas. Com raiva, ela simplesmente foi embora. No dia seguinte, voltou e se desculpou. Posteriormente, disse que não teria feito o filme se soubesse antes que seria dublada. Hepburn foi dublada pela cantora Marni Nixon, exceto na canção Just You Wait e alguns versos de I Could Have Danced All Night. No final, Rex Harrison caiu de amores por Hepburn e chegou a declarar que ela foi a melhor parceira que teve na carreira. Abaixo, I Could Have Danced All Night na voz de Hepburn. 

linda blairLinda Blair tinha 12-13 anos quando fez O Exorcista. As cenas em que Regan estava possuída foram dubladas pela atriz Mercedes McCambridge, que fez loucuras para distorcer sua voz. De engolir ovos crus até beber whisky, sendo que ela era alcoólica e estava há anos sem beber. Sua única exigência foi ter seu padre por perto durante as gravações. Ela ainda foi amarrada a uma cadeira para dar mais realismo. O diretor William Friedkin disse que a preparação e a atuação de McBridge o assustam até hoje. Max Von Sydow também ficou assustado, mas com Linda Blair. No primeiro dia de filmagem do exorcismo, ela o deixou tão chocado ao dizer sua fala que ele esqueceu a dele.   Inicialmente, McCambridge não foi creditada, por isso Linda Blair conseguiu a indicação ao Oscar de atriz coadjuvante. Abaixo, uma cena sem a dublagem e depois com, a diferença é gigante.