toda forma de amor

elaComo eu já disse aqui, é muito mais fácil escrever sobre algo que não gostei ou que achei mais ou menos, do que escrever sobre algo que amei. Aquela vontade de dizer algo que faça jus é dificílimo de saciar. Dito isso, eu não sei o que escrever sobre Ela. Ainda mais porque amo seu diretor, Spike Jonze. É como pedir para criticar publicamente o trabalho do melhor amigo.

Felizmente não preciso de diplomacia aqui. Não só porque Jonze é meu amigo imaginário, mas porque o filme é de pura beleza. Em duas horas que passam voando, ele faz um retrato singelo, esperto e delicado dessa coisa chamada amor. Num futuro não distante, Theodore (Joaquin Phoenix) trabalha como escritor de cartas personalizadas. Ele é muito bom no que faz, pois vive na nostalgia de um casamento que acabou. Solitário e confuso, ele compra um novo e revolucionário sistema operacional. O que ele não esperava era se apaixonar pela voz deste sistema, Samantha (Scarlett Johansson – e quem não se apaixonaria?).

Samantha tem consciência própria e, se tem consciência, consegue sentir e ter emoções, que afloram a partir do momento em que Theodore passa a interagir cada vez mais com ela. Em pouco tempo, Theodore deixa de ser o cara melancólico e passa a rir e se aventurar fora de seu apartamento. É linda a cena em que ele admite estar namorando um sistema operacional, só não é mais incrível que a cena de sexo deles. É o poder da linguagem, que Jonze já tratou de forma completamente diferente em Adaptação.

As atuações não são gratuitas. É tão bom ver o Joaquin Phoenix rindo e longe daquele tipo angustiado em que ele é especializado. Ele realmente faz um trabalho primoroso, com camadas e camadas de sensibilidade. Apesar de não aparecer, Scarlett Johansson brilha. Se o filme fosse apenas áudio, seria o conjunto de conversas mais prazeroso de se ouvir. Por fim, há participações de Amy Adams, Rooney Mara e Chris Pratt sendo Chris Pratt. Todos com calça “centropeito” e camisa abotoada até a última casa.

O futuro do Spike Jonze é lindo, mas com sentimentos de hoje. Ela, pra mim, é como ver as estrelas numa noite de apagão. Belo, misterioso e um pouquinho melancólico.  A cena abaixo é a síntese do filme:

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