why so serious?

O Brasil está passando por um período bem turbulento. O mundo todo, na verdade. Acho que turbulento nem é a palavra mais adequada. Talvez incerto seja melhor. Eu, aqui no Rio, só ouço notícias ruins. Sobre o Carnaval, quase nada. É o aumento de casos de assaltos, tiroteios e ônibus incendiados, o trânsito que a cada dia está pior, os serviços que não funcionam, os candidatos a governador… Tudo isso está conectado, é a única coisa clara no momento. O descontentamento geral é justificado, obviamente, vivemos num país precário em que as medidas são provisórias e improvisadas, mas pro resto da vida. No entanto, estamos entrando no perigoso estado de paranoia.

A paranoia e o pânico levam ao pessimismo e ao cinismo burro, que tenta ter alguma graça, mas é apenas estúpido, como aquele comentário machista dito pelo colega babaca que se acha humorista. E no Facebook não há um único post alegre ou engraçado. Logo no Facebook, que sempre foi uma galhofa e vitrine de vaidade. Tudo agora é catastrófico. É de ler e ficar deprimido. Da nada saudável barrinha de ceral ao Joaquim Barbosa. Continuando a metamorfose, quando nos tornamos pessimistas e cínicos burros, perdemos a habilidade de rir de nós mesmos e passamos a ver tudo com uma seriedade absurda. E o pior, levamos tudo ao pé da letra.

Why so serious? Por que precisamos ser tão sisudos e até agressivos? Por que a gente precisa se explicar tanto? Temos mesmo que alertar quando contamos uma piada ou estamos sendo irônicos? Por favor, vamos tomar um sorvete e rir de nós mesmos. Estamos ficando patéticos.

Anúncios

chibatada no estômago

12 anos de escravidao12 Anos de Escravidão é uma porrada. Como o tema pede, ele é desconfortável e sádico, um contraste com as lindas imagens compostas pelo diretor Steve McQueen e o diretor de fotografia Sean Bobbitt.

McQueen tentava escrever um roteiro sobre um homem sequestrado e transformado em escravo quando sua mulher lhe apresentou a história de Solomon Norethup, um negro nascido livre e escravizado depois de aceitar uma proposta de emprego. Chiwetel Ejiofor foi a primeira escolha para o papel, que ele recusou num primeiro momento, depois percebeu que seria o papel de sua vida. E realmente é. O trabalho de Chiwetel é magistral, algo que ele deve se orgulhar profundamente.

12 Anos é e não é um filme sobre escravidão. McQueen, que não tem antepassados escravos, apresenta a escravidão tanto ao espectador quanto a Solomon. Como um homem que nasceu e sempre viveu livre, letrado e pai de família, precisa sobreviver numa situação sub-humana? Não é o trabalho exaustivo, injusto e desumano que assusta, e sim a mentalidade de ter pessoas como propriedade, como mercadoria.

O elenco coadjuvante também é de se aplaudir de pé. O nosso querido e venerado Benedict Cumberbatch faz uma participação como um escravocrata “bonzinho”, mas quem brilha mesmo é a estreante Lupita Nyong’o e o magnânimo Michael Fassbender, como o senhor mais deplorável da Louisiana.

ressuscitando heróis

heroesDo nada, a NBC resolveu trazer Heroes de volta, agora com o subtítulo Reborn. A série vai seguir aquele formato que os canais americanos estão adotando cada vez mais, o de minissérie. Serão 13 episódios com um novo grupo de personagens, mas os antigos podem fazer participações especiais. Se der certo, ganha nova temporada e vira série.

Esta é a segunda tentativa de extrair mais a série. Em 2007, a NBC chegou a anunciar uma minissérie chamada Heroes: Origins, que acabou não vingando. Apesar de ter tido apenas uma temporada de sucesso nos Estados Unidos, internacionalmente, Heroes rendeu muito dinheiro.

Os outros heróis ressuscitados são do cinema. Caçadores de Emoção vai ganhar remake, agora ambientado no mundo dos esportes radicais. O desconhecido Luke Bracey vai fazer o personagem que foi de Keanu Reeves, enquanto Gerard Butler será o antagonista, que no filme original foi vivido por Patrick Swayze.

1d

Pra rir nesta manhã de domingo.

O Tonight Show é o talk show mais tradicional da tv americana. Jimmy Fallon estreou há pouco como apresentador, assumindo o lugar de Jay Leno. Para se firmar de vez, ele tem usado toda a munição possível e imaginável, mas o melhor até agora foi sua colega de Saturday Night Live Kristen Wiig como Harry Styles. 

vem coisa boa na tv

Neste exato momento, estou mega vidrado em Sherlock, cuja terceira temporada comecei a ver ontem. Meu Deus, o que foi o casamento do Watson? Mas isso é outro papo. Saiu agora o teaser de The Knick, nova série do Cinemax com Clive Owen e Steve Soderbergh como produtor. A história se passa na Nova York de 1900, dentro de um hospital onde o médico John W. Thackery (Owen) passa a adotar procedimentos mais modernos (e chocantes para a época).

O teaser não mostra nada, mas é um sinal de que a série estreia em breve. Pela sinopse, lembra London Hospital, porém, o teaser dá um outro tom. 

chatonildos da tv

O Daily Beast fez sua lista de personagens insuportáveis das séries. Concordo com todos, mas alguns vêm em combo. A Marnie é chata pra caramba, mas a Hannah também. E quase todos os personagens de The Walking Dead são irritantes, inclusive o protagonista. Se bem que a maioria já morreu.  Me admira não incluírem a Rachel com o Mr. Schu. Já Skyler me irritava no início, mas sua chatice sempre foi justificada. Agora o Joffrey é um prazer odiar. Acho que não há personagem mais odiado. Vem me vingar, 4ª temporada!

Betty Draper e Mr. Bates eu não sei porque ainda estão vivos. E, na minha opinião, o Larry é o único defeito de Orange Is The New Black.

same sex in the same city

sex and the cityMuitas das notas e reportagens que saem no Hollywood Reporter, Vanity Fair e afins são recados ou sondagens. Às vezes a gente fica sem saber para quem é o recado, mas às vezes a gente saca na hora a intenção. Esta semana por exemplo, um monte de gente jogou iscas para ressuscitar projetos, como Roma. Na InStyle de fevereiro, Sarah Jessica Parker cogitou um terceiro filme de Sex and the City. Falou assim: “Parte de mim acredita que há um último capítulo a ser contado”. E depois jogou a isca. “Não é uma decisão que pode esperar para sempre. Eu não quero usar muumuus (aqueles vestidos grandes)”.

Daí que Michael Patrick King, produtor da série e diretor (e roteirista) dos dois filmes resolveu falar. Agora para a Entertainment Weekly: “A grande questão são as histórias. Se você tem algo a mais para dizer e se isso é interessante e válido para os fãs. Não é sobre até onde você pode levar ou quanto dinheiro isso pode render. É realmente se você tem algo a mais para contar e se justifica o risco de ver suas personagens favoritas novamente. Eu acho que há mais um capítulo a ser contado”.

Kristin Davies já disse que topa. Kim Catrall idem. Até Cynthia Nixon, que um dia declarou que não faria Miranda novamente, já deu o costumeiro “se a história for boa”. Well, acho que vem um terceiro filme por aí. Juntos, os dois filmes renderam 247 milhões de dólares em bilheteria nos Estados Unidos, apesar das críticas negativas.

quero ser martin scorsese

Christian Bale;Amy AdamsNo ano passado, eu criei polêmica ao dizer que não gostei de O Lado Bom da Vida. A polêmica foi tão grande, já que todo mundo amou o filme, que teve até desfile de lingerie e venda de shake dietético. Mentira, não foi tudo isso, mas ninguém entendeu porque eu não curti e eu não também entendi porque o povo amou. Um ano depois, o mesmo David O. Russel ataca de novo, agora com Trapaça, indicado a 10 Oscar. Como já imaginava, é um filme tão superestimado quanto o anterior, mas é melhor.

Para mim, ser melhor que O Lado Bom não necessariamente significa que o filme é incrível, pois não é. Trapaça é uma versão vegana de Martin Scorsese. Estão lá a narração em off, a câmera seguindo os personagens, os flashbacks da infância… todo o estilo (tem até ponta de De Niro), menos a substância. E neste Oscar que tem Scorsese integral com O Lobo de Wall Street, esta diferença aparece descaradamente.

Irving Rosenfeld (Christian Bale) é um vigarista com várias especializações que encontra na ambiciosa Sydney (Amy Adams) sua parceira ideal. Ambos acabam caindo nas mãos do detetive do FBI Richie DiMasio (Bradley Cooper) e são forçados a cooperar com os federais parar armar flagrantes envolvendo políticos de New Jersey. As coisas vão bem, até que Sydney se envolve com Richie, desestabilizando a relação com Irving. E a esposa deste, Rosalyn (Jennifer Lawrence), muda as regras do jogo. Tudo se explica e se resolve no final.

Como disse Tina Fey no Globo de Ouro, Trapaça é uma explosão na fábrica de perucas. Apenas isso. Christian Bale e Amy Adams estão muito bem em seus papéis, mas ninguém ali merece um Oscar. Não se a gente vir os concorrentes. Em uma cena, Irving pede a opinião de Richie sobre um Rembrandt no museu. Richie diz que é bonita e se espanta ao ouvir de Irving que ela é uma falsificação. A cena é para falar que as pessoas acreditam no que elas querem, mas ele indaga: “Quem é o mestre, o pintou ou falsificador?”. No caso de Trapaça, o pintor ainda é o verdadeiro mestre.