super-homem da depressão

Man of SteelSó recentemente vi O Homem de Aço. Não fiquei muito animado com os trailers e tive preguiça de ir ao cinema, mas não poderia virar o ano sem tê-lo visto. O veredito? É um filme chato. Longo e sério demais, pretensioso e cheio de momentos “hein?”.

O Super-Homem é um personagem difícil. Ele é perfeito demais, imbatível, moralmente certinho, meio melancólico e a única coisa capaz de deixá-lo vulnerável é um pedacinho de kriptonita. É difícil se identificar com ele, pois ele simplesmente não tem os mesmos dilemas e conflitos que nós temos. Até por quê, nem humano ele é. E esse filme do Zack Snyder não faz esforço algum para aproximá-lo da plateia (a não ser que você venere o Michael Bay), pelo contrário, ele cria um campo de força de indiferença. O maior conflito do filme é que ele é extremamente sério e realista, e dois segundos depois é absolutamente fantasioso. E no meio disso tudo, personagens vão pra lá e pra cá sem muito o que fazer. Ah, sim, eles salvam cidades ao mesmo tempo em que as destroem, o que faz todo sentido.

Homem de Aço começa em Krypton, pouco antes de Kal-El ser enviado para a Terra e o planeta explodir. A grande tensão é entre Jor-El (Russel Crowe) e o General Zod (Michael Shannon), que quer impedir o lançamento da cápsula. Tudo ali parece ter sido emprestado de outros filmes e os diálogos são um tanto embaraçosos (as coisas pioram depois). Zod e seus amigos são capturados, congelado e enviados para a Zona Fantástica em naves penianas. O planeta explode e todo mundo morre. Então ocorre um salto no tempo e vemos Kal-El já adulto no que parece ser um episódio de Pesca Mortal. Depois de um dramático e incrível salvamento, Kal-El cai no mar e o filme vira uma sucessão de flashbacks da infância e adolescência.

Com um filme tão picotado, o timing vai pras cucuias. Lois (Amya Adams) entra destemida, tão destemida que vai seguir o Super-Homem no meio da noite, e para isso precisa pular tocos de gelo num abismo, coisa que nem o Super Mario consegue fazer sem o equipamento necessário. Em pouquíssimo tempo, Clark e ela estão juntos e ele passa a confiar nela incondicionalmente. A relação dos dois não convence e nem o Henry Cavill tem tempo de convencer como Super-Homem (que fica bem melhor de barba). Um desperdício de elenco, que inclui Diane Lane e Christopher Meloni.

Zod reaparece, obviamente, colocando em xeque o destino de todos na Terra. No entanto, quem acaba sendo o grande vilão são os militares mais bocós da ficção. Quando não estão atirando, estão metralhando exposição, aqueles diálogos explicativos do tipo “você quer dizer que se não apertarmos o botão tudo vai explodir?”. Estes diálogos são necessários, mas no roteiro do David S. Goyer, eles são sucessivos e descarados. E então ocorre a melhor luta do filme, no centro de Smallville, que já não deve existir mais. Novamente, na lógica do filme, salva-se vidas destruindo cidades.

Entre mortos e feridos, salva-se o novo uniforme do Super-Homem. A dobradinha com o Batman vem aí, sob a mesma batuta de Snyder e com roteiro de do Goyer. Pode ser prematuro dizer, mas acho que é um erro e um retrocesso na carreira do Ben Affleck.

Para mais furos em Homem de Aço, veja o vídeo abaixo. 

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