cinema descartável

monalisaA Mona Lisa é o quadro mais famoso do mundo. Mesmo quem não sabe o nome, conhece a imagem. No Louvre, ela lota a sala de turistas, que sacam suas câmeras para um registro, mesmo que de um Ângulo ruim, e depois vão embora para postar no Facebook. A maioria se decepciona com a tela, ela é pequena, escura e amarelada. Poucos entendem que ela foi o primeiro retrato natural na história da arte. Não há contornos definidos, parece que ela é iluminada por dentro e o semi-sorriso dá uma profundidade humana capaz de interagir com o espectador. É mais que um interesse turístico. A Mona Lisa é tão reproduzida que perdeu o seu significado. O mesmo dá para dizer de outra obra de Da Vinci, A Última Ceia, reproduzida e parodiada constantemente, para o bem e muito mais para o mal. Atualmente, Da Vinci não passa de um personagem do Dan Brown.

Vou da arte plástica ao cinema. Sigo duas ou três páginas sobre cinema no Facebook e elas vivem pipocando artes, charges e paródias usando O Iluminado. De repente, parece que todo mundo passou a venerar o filme. Tanto, que deixou de ser um filme minuciosamente pensado por Stanley Kubrick para ser apenas Jack Nicholson quebrando a porta com um machado ou Danny diante das gêmeas. É muito triste ver essas coisas, pelo menos para mim, é como rebaixá-lo a um mero O Massacre da Serra Elétrica, que é apenas divertido na sua repulsa, e esquece-se que é um horror de arte.

O cinema em geral se tornou isso. As pessoas baixam ou compram o piratex, vêem e depois esquecem. Não sabem dizer quem é o diretor, os atores… nada. No máximo, é “aquele que fez aquele filme que você viu com seu tio”. É a diversão ruim apenas pela diversão. Eu lamento muito. Ainda bem que tenho um blog em que eu posso apenas escrever Scorsese, Kubrick ou Fassbender (porque sim) que as pessoas entendem.

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4 comentários em “cinema descartável”

  1. Amo o blog, entro diversas vezes no dia, fica dificil comentar os assuntos q gosto (mentira, adoro os assuntos de tv), mas esse eh de longe o melhor post do ano. Esta decidido!

    Em relacao a banalizacao, culpo um pouco nosso mundo veloz e efemero. As pessoas so se importam consigo mesmas, nao querem conhecer os outros ou entender o q tem por tras. É mta correria, o q nao gera aprofundamento.

    1. Eu não sei bem se a velocidade do dia justifica. Acho que talvez as coisas estão acessíveis de forma muito fácil. Outro dia eu ouvi um senhor dizendo que no tempo dele, comprar uma roupa era muito difícil porque era muito caro. Por isso as roupas – tudo, na verdade – eram feitas para durar muito tempo. Eram um investimento. As pessoas comuns conheciam os tecidos, os cortes, a costura… Hoje, todo mundo fala que ama moda, mas a grande maioria gosta mesmo é de consumir.
      É bastante triste quando a arte vira um mero consumismo.

  2. Hoje eu dei um discurso semelhante em sala de aula, mas em outro contexto. O pior é eu ler o tempo todo que eu tenho que me adaptar a isto e que a tendencia é esta banalização de tudo só aumentar…

    1. Por favor, seja um professor exigente. Pelo seu blog, vejo que você tenta envolver seus alunos e fazê-los enxergar além da escola. Eu acho que é um primeiro e ótimo passo.

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