não faça a coisa certa

complianceEm 2004, um homem ligou para uma lanchonete do McDonald’s em Mount Washington, Kentucky, se fazendo passar por policial.  Ele falou com a gerente e disse que uma funcionária roubou dinheiro da bolsa de uma cliente algumas horas antes, deu uma descrição genérica e disse que precisava de sua ajuda. Pela descrição, a gerente apontou Louise Ogborn, então com 18 anos. Louise foi levada para uma sala onde a gerente prosseguiu com as ordens dadas pelo “policial”. Suas roupas foram confiscadas, assim como seu celular. Nas horas seguintes, o “policial” convenceu a gerente a chamar seu noivo para ajudar a guardar Louise enquanto ele não chegava. Nas mão do noivo da gerente, Louise passou por uma revista íntima, foi obrigada a fazer polichinelos completamente nua e a fazer sexo oral. O martírio de Louise só acabou quando o servente da lanchonete apareceu para provar uma sobremesa nova. Ele se recusou a obedecer o policial e fez a gerente ligar para o gerente regional, com que o “policial” disse ter falado anteriormente. Tudo não passou de um trote.

É nesta história que Compliance se baseia. E não, não estou dando spoiler, apesar do filme ser exatamente assim. O que o filme discute é como as pessoas obedecem ordens sem questionamento, ainda mais quando são ordens tão absurdas. Como elas conseguem ser tão manipuláveis. Donna Summers, a gerente, disse que não duvidou que o homem do outro lado da linha era realmente um policial, uma autoridade. “Ele tinha resposta para tudo”. Já Louise disse que, apesar de ter pedido para não tirar a roupa, cooperou porque não queria perder o emprego.

O roteirista e diretor Craig Zobel faz uma escalada tensa. Enquanto clientes comem seus lanches sem ter ideia do que está acontecendo, do outro lado do balcão, numa salinha, as coisas pioram a cada instante. O ambiente é claustrofóbico. Como espectador, você fica tenso, fascinado, e também horrorizado com a burrice dos personagens. Dreama Walker, Ann Dowd e Ashile Atkinson fazem um excelente trabalho.

Apesar d o filme dar alguns detalhes subjetivos que ajudam a entender a razão dos personagens obedecerem cegamente uma autoridade, você continua fazendo a mesma pergunta até o fim. E é uma pergunta pertinente, já que mais de 70 casos parecidos foram registrados em todo o Estados Unidos.

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2 comentários em “não faça a coisa certa”

  1. Foi meio assustador ler o relato de tudo que aconteceu. Lembrei por um momento daquela noticia que saiu que SP tem um dos maiores indices de insanidade do mundo e fiquei pensando no que somos capazes rs

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