o diário do coringa

Em 2008, Heath Ledger nos deixou estupefatos em O Cavaleiro das Trevas. Infelizmente ele morreu antes de receber as glórias por seu trabalho. Sabíamos que era um ator denso, que mergulhava fundo para compor seus personagens e que para o Coringa, se trancou num quarto de hotel até encontrar o tom certo. Michael Caine esqueceu sua fala quando o viu em cena pela primeira vez, nós ficamos hipnotizados. Agora vem a notícia de que Heath fez um diário enquanto se preparava para o Coringa. O diário aparece numa série de documentários chamada Too Young to Die, da tv alemã. No vídeo abaixo, o pai de Heath, Kim, mostra o diário. No verso da última página, um teste de maquiagem, ele escreveu “bye bye”. Assustador e incrível.

mad boatos

Pela quantidade de posts sobre Mad Men nos últimos dias, dá pra perceber que estou adorando muito esta reta final de temporada. Como Matthew Weiner nos prometeu levar a um lugar chocante, as apostas já foram lançadas. Eu ainda acho que Megan vai morrer, não só eu, um monte de gente também, especialmente depois do episódio de domingo passado.

Em The Better Half, outro excelente episódio, Megan está na varanda atordoada por seus próprios dramas e o barulho das sirenes na rua. Ela veste uma camiseta idêntica a que Sharon Tate usou num editorial da Esquire.megan sharon tateLogo após o episódio, a filha do fotógrafo que fez a foto de Tate perguntou pelo twitter se a camiseta era intencional. A figurinista da série, Janie Bryant, respondeu “nenhuma coincidência“.

Sharon Tate foi esfaqueada 16 vezes por Charles Manson e seus seguidores, que invadiram sua casa em 1969. Ela era casada com Roman Polanski e estava grávida de quase nove meses. Em 1968, o ano da atual temporada de Mad Men, os índices de violência em Nova Iorque começaram a crescer muito e só nos últimos episódios vimos uma invasão (The Crash) e um caso de agressão (The Better Half), o que alimenta as especulações. Soma-se a isso uma outra teoria, agora usando o pôster da temporada.mad men posterDon é metade Don, metade Dick, e a presença dos policiais no cartaz sugerem um caso. Então começam as apostas, quem vai matar Megan? Algum desconhecido, Bob Benson ou o marido da Sylvia, que descobre o caso que ela teve com Don e acaba matando Megan por engano? Fora que Sally estava lendo O Bebê de Rosemary em The Crash (como todo mundo sabe, quem dirigiu o filme foi Polanski). E mais: a foto da Esquire foi feita nos sets do filme! Bem, ainda ninguém sabe se Megan vai morrer mesmo. Legal se ela sobreviver.

Bob Benson é outro alvo de mil teorias. Quem é ele? No episódio em que a mãe do Roger morreu, ele disse que seu pai tinha morrido, mas em The Better Half, ele disse que seu pai só se recuperou por conta do tal enfermeiro(a), e que o enfermeiro(a) só está disponível por isso. Ele é estranho, muito bonzinho, muito prestativo, simpático e usa shortinho. As teorias são: ele é filho do Don (ou do Roger), é um irmão bastardo do Pete (comprou papel-higiênico, ajudou com o enfermeiro e vive na cola), é um agente do governo investigando a identidade do Don, é um espião de outra agência, está na série só para fazer par com a Joan, simboliza o Don jovem, é o filho do Don que veio do futuro… Mas o mais importante é que parece que o Ken não gosta dele.

a grande família

arrested development

Arrested Development é, para mim, a melhor série cômica já produzida. Ela foi prematuramente cancelada com apenas três temporadas, foi um sucesso rasgado de crítica, mas um fracasso de audiência. Por isso se tornou tão cultuada. Durante muitos anos foi prometido um já lendário filme, a agenda cada vez mais cheia de parte do elenco – Jason Bateman, Michael Cera e Will Arnett – só adiou a produção, que chegou a ter um esboço de roteiro escrito. Quando a Netflix resgatou a série para uma quarta temporada, eu dei pulinhos de alegria, mas depois de ver parte dos 15 episódios, meus pulinhos não foram tão altos assim.

Lá nos idos de 2003, o humor feroz, rápido, ácido, satírico e absurdo da série não era comum na televisão americana. Os personagens egoístas e mesquinhos de Arrested Development eram o oposto dos personagens bonzinhos das outras comédias. Talvez isso explique a rejeição do grande público. Nesses quase sete anos que separam a terceira da quarta temporada, muita coisa surgiu na televisão, no mesmo estilo: 30 Rock, Community, Parks & Recreation, Party Down, It’s Always Sunny in Philadelphia, The Office (ok, é derivado da série inglesa, mas teria acontecido se não fosse por AD?). E isso diminuiu um pouco o impacto de furacão que Arrested tinha.

Não, a série não está ruim, continua me fazendo dar gargalhadas, fora a excepcional narração do Ron Howard. Mas não gostei do formato de focar o episódio em um ou dois personagens, sinto falta dos atropelamentos e dos mal entendidos. O non-stop de explicações também me causou estranheza cansaço, o que deixou alguns episódios bem compridos.

A quarta temporada começa no tempo presente e faz um mega flashback dos sete anos: os negócios frustrados de Michael,  George tirando vantagem de Oscar no deserto, o julgamento de Lucille 1, e o eterno fim de casamento de Tobias e  Lindsay. Muita coisa mudou, mas mais vez uma crise econômica obriga a família Bluth a se unir. E a série espreme a crise de 2008/2009 para extrair o máximo de humor. Nos primeiros episódios, Kristen Wiig e Seth Rogen fazem participações especiais como os jovens Lucille e George. Liza Minnelli retorna como Lucille 2, assim como o advogado incompetente Barry e a crente Ann.

bons ventos sopram

Hayao Miyazaki não é um homem de palavra. Pela enésima vez sua aposentadoria foi por água abaixo. Ainda bem. Desde Ponyo ele não lançava um filme com sua assinatura, apenas escreveu roteiros ou serviu como produtor, mas em julho o Japão vai ver seu novo filme: Kaze Tachinu (The Wind Rises – “O Vento Sobe”), baseado em sua própria HQ sobre o criador do avião A6M Zero Fighter, Jiro Horikoshi.

Obviamente uma animação não é produzida da noite pro dia, Miyazaki trabalha no filme desde 2010, quando rumores diziam se tratar de uma continuação de Porco Rosso. Os cartazes divulgados pelo Studio Ghibli. O filme ainda não tem distribuidor internacional, mas se seguir o mesmo caminho dos outros filme, peça ajuda ao torrent mais perto de você.kaze tachinu 4 kaze tachinu kaze tachinu 2 kaze tachinu 3

para fazer filme de terror

Olha que fotos sensacionais de lugares abandonados no leste europeu, a maioria na Ucrânia. As fotos são do fotógrafo especializado Niki Feijen, que acaba de lançar o livro Disciple of Decay. Vale ver as outras fotos em seu site. Sobre a foto da igreja, ele não viu o que estava por baixo do pano. Deus nos livre e guarde de ir num lugar desses à noite!casas abandondas 9 casas abandonadas casas abandonadas 2 casas abandonadas 3 casas abandonadas 4 casas abandonadas 5 casas abandonadas 6 casas abandonadas 7 casas abandonadas 8 casas abandonadas 9

 

sobre mad men e game of thrones

Eu acho fantástico que as duas melhores séries da atualidade estejam indo ao ar no mesmo período, mas preferiria que Mad Men ficasse para o segundo semestre. Esta semana, no mesmo domingo, as duas séries deram um tsunami de brilhantismo, e de quebra, uma aula de tudo o que o cinema não tem feito com competência: desconstrução e suspense.

game of thrones second sonsSe na tela grande os diretores fecham a câmera o máximo que podem para criar suspense, em Game of Thrones (Second Sons), Michelle MacLaren, veterana de Breaking Bad, fez o oposto. Abriu o quadro o quanto pôde. Vai dizer que você não ficou arrepiado e foi pra pontinha da cadeira quando Tyrion enfrentou Joffrey no casamento? Cersei e Tywin ficaram. Eu também. E em Mad Men, com a crise de tosse de Don, você não tinha certeza de que teria sangue naquele lenço?

Voltando a Game of Thrones, Daenerys continua diva absoluta, mas é incrível como Peter Dinklage consegue ficar cada vez mais à vontade no papel. Ele simplesmente rouba todas as cenas. Talvez possa dizer o mesmo de Jack Gleeson, que me faz querer esbofetear Joffrey cada vez mais. Eu já gostava de Dinklage de outros carnavais e sabia que ele era um ator maravilhoso (se você não viu, deve ver O Agente da Estação e Morte no Funeral, de 2007, não confundir com o de 2010), mas seu Tyrion se supera a cada episódio.

Por ser uma obra de fantasia, que muitos consideram um subgênero, as pessoas acabam subestimando a série a um simples entretenimento adulto. Game of Thrones tem uma força, uma construção tão sólida (não só por ser uma adaptação literária, mas a produção em si é muito rigorosa com seu andamento) que se permite dar cambalhotas num penhasco. As atuais cenas de Jaime Lannister com Brienne seriam tão fascinantes se Nikolaj Coster-Waldau e Gwendoline Christie não fossem os atores que são? Creio que não. Mais são cenas como a deles que deixam a série muitos degraus acima de qualquer outra que se julga dramática com pedigree. Ao lado de Mad Men e Breaking Bad, Game of Thrones já é uma das obras mais importantes da década.

mad men the crashJá Mad Men se desconstruiu e fez um episódio tão sofisticado que praticamente tive que ver duas vezes para ver se pesquei tudo. Aliás, por que o oitavo episódio da temporada é sempre o melhor?

Toda a falta de “minúcia”, aqueles detalhes silenciosos de contemplação que eu reclamei no início da temporada foi usada em The Crash, ou seria Don no País das Maravilhas, ou Mad Men Horror Story? É mentira quando dizem que raramente a série foge de seu formato, desde da primeira temporada Mad Men dá suas escapadas na narrativa. The Crash é um Far Away Places mais destrutivo, começa com a terrível experiência de Ken com o pessoal da Chevy e a dúvida se aquele era o fim do episódio e teríamos um flashback. Felizmente não e Ken sobreviveu. Don está mais autodestrutivo e descontrolado do que nunca e o prazo para apresentar uma ideia para a Chevy só piora as coisas. Com uma estranha injeção na bunda (anfetamina?), os homens da agência piram, mas é Don quem sofre os piores efeitos colaterais.

Uma pausa: Jon Hamm nunca esteve tão bonito na série. Os closes são assustadores, transbordam entrega. Seus olhos ficam vermelhos, as veias saltam… talvez porque a história do ator seja tão tortuosa quanto a do personagem ou simplesmente porque é um excelente ator.

Num episódio com tantos detalhes (o que foi Don parado na escada olhando Peggy, o que foi o número de sapateado do Ken?), a inusitada ladra no prédio pareceu um tanto forçada, mas foi usada apenas para mostrar o quanto Don está descontrolado – e também para dar uma participação a Betty, que está chata como sempre. Senti falta de Joan na loucura que o escritório se transformou, mas meu medo é seu estado de saúde.

Enfim, Mad Men e Game of Thrones estão indo para a reta final de suas temporadas. O negócio é aproveitar e se preparar para o tenebroso inverno.

a rainha branca e o trono de ferro

the white queenA BBC se prepara para estrear a minissérie de dez episódios  The White Queen neste verão do hemisfério norte. A minissérie conta a história que durou 30 anos entre duas casas de uma mesma família : York (rosa branca) e Lancaster (rosa vermelha), entre 1455 e  1485, a chamada Guerra das Rosas. E por que esta história é particularmente interessante para nós? Bem, ela é, talvez, a principal base de Game of Thones. Veja o resumo da ópera:

A Inglaterra vivia os últimos dias da Guerra dos Cem anos e sofria contínuas derrotas. Com a morte do rei Eduardo III, os York apoiaram Henrique VI ao trono, embora ele tivesse problemas mentais e fosse incapaz de armar estratégias políticas e militares. A ideia dos York era que Henrique VI morreria em pouco tempo e o trono passaria para Ricardo de York, no entanto, o rei gerou um herdeiro. Ameaçado, Ricardo começou a articular com barões o afastamento da família Lancaster da administração geral. Insultado, Henrique organizou um exército contra Ricardo, mas foi derrotado. Em seguida, a família Lancaster se juntou a Henrique e derrotou os York, que se refugiaram na Irlanda. Incansável, Ricardo e seus aliados travaram mais uma batalha contra os Lancaster e venceram, mas quando Ricardo estava quase chegando ao trono, foi brutalmente assassinado.

A família York manteve os planos, mas agora com o filho de Ricardo no poder, Eduardo IV. O exército dos Lancaster foi destruído e Henrique VI foi para a Escócia. Enquanto Eduardo permaneceu no poder, nobres aliados a ele começaram a se desentender, com rompimentos e apoio aos Lancaster, isso possibilitou o retorno de Henrique VI ao trono. Como os nobres iam sempre para o lado mais favorável a eles, pouco tempo depois, Eduardo IV reconquistou a confiança de alguns nobres, foi vitorioso em uma batalha e voltou ao trono. E como o seguro morreu de velho, matou Henrique VI e seu herdeiro e vários membros da família Lancaster,

Eduardo ficou no poder até sua morte, em 1483, e seu sucessor foi o irmão mais novo de seu pai, Ricardo III. Eduardo tinha dois filhos que desapareceram misteriosamente na Torre de Londres. Nesse período, os Lancaster decidiram apoiar um novo pretendente ao trono: Henrique Tudor. Surpreendentemente, Tudor venceu Ricardo e se tornou o novo rei. E para selar a paz com os York, casou-se com Isabel de York.

Duas casas em guerra, alianças que se forjam e se quebram, dança dos tronos, desaparecimento de príncipes, torres, rei louco… e as coisas não param por aí.

Os York eram do norte, assim como os Stark. Os Lancaster, assim como os Lannister, eram ricos, mas não se sabe se sempre pagavam suas dívidas. Robert Baratheon e Robb Stark têm muito de Eduardo IV. Cersei tem grande semelhança com Marguerite d’Anjou, mulher de Henrique VI. Com um marido mentalmente instável, Marguerite é quem exercia o poder quando Henrique não estava disposto, dizem que seu único filho era ilegítimo, pois Henrique era impotente (alô Joffrey). Cersei também lembra a rainha Isabella, que no início do século XIV planejou e, possivelmente, matou seu marido com a ajuda de seu amante. O rei Eduardo II era bissexual (oi Reinly). Ao contrário de Cersei, Isabella foi muito competente no ramo da política.

The White Queen é baseada no livro The Cousin’s War, de Phillipa Gregory. É uma perspectiva feminina da guerra. Agora eu uso os nomes em inglês porque a legenda vai mantê-los assim.  Edward IV (Max Irons) consegue chegar ao trono com a ajuda do Lorde Warwick (James Frain) e se casa secretamente com Elizabeth Woodville (Rebecca Ferguson), uma jovem viúva por quem era apaixonado. Elizabeth passa a exercer grande influência nas decisões de Edward, o que deixa Warwick inseguro quanto sua posição de conselheiro. Logo, ele casa sua filha Anne Neville (Faye Marsay) com o irmão caçula de Edward, Richard (Aneurin Bernard).

um detalhe: Elizabeth era filha de uma bruxa (!) e ficou conhecida como a mulher mais bonita do reino, tal qual Cersei.

roupa nova – look do dia

Não, não, não, você não entrou no lugar errado e nem o blog foi rackeado por um exército de vírus zumbis. Roupinha nova, mas o dono ainda está muito inseguro. Na qualidade de bons amigos palpiteiros, o que acharam, o que mudariam, devia voltar para como estava antes? Mais cor? Muito minimalista? Por favor, digam alguma coisa!!!