o coração do diabo

top of the lakeO cenário é deslumbrante, mágico: picos nevados, um mar de florestas e um lago gigantesco. E é neste lago que começa a história de Top of the Lake, minissérie em oito capítulos criada por Jane Campion (O Piano, Em Carne Viva) e Gerard Lee. A menina Tui sai de casa e vai até o lago, ela entra de roupa e tudo, a água vai até seu ombro. É uma imagem surreal. Como sabemos, meninas de 12 anos não tentam se matar sem um motivo grave, e Tui é apenas a ponta da cortina que cobre os habitantes da pequena Laketop. Quem começa a abrir esta cortina é a detetive Robin (Elisabeth Moss, menos Peggy e mais Clarice Starling), que nasceu e viveu na cidade, mas se mandou para Sidney na primeira oportunidade. Ao retornar para visitar a mãe, em tratamento contra um câncer, ela é chamada para assumir o caso de Tui, algo que a insensível e machista polícia local não tem competência para fazer. Tui está grávida de quatro meses, ninguém sabe quem é o pai e ela também não conta de jeito algum, até que um dia desaparece.

Quanto mais Robin investiga, mas ela descobre sobre a crueldade que se esconde atrás da beleza de Laketop. O que ela enfrenta são seus próprios demônios e uma lista de personagens estranhíssimos, desde o pai (Peter Mullan, excelente) e os meio-irmãos de Tui (Thomas M. Wright, Jay Ryan e Kip Chapman), os principais suspeitos, até a inacreditável colônia de mulheres que vivem em contêiners numa espécie de retiro, lideradas pela enigmática GJ (Holly Hunter). Fora o ambíguo detetive sargento Al (David Wenham, o Farmir).

A atmosfera é totalmente Twin Peaks, não apenas pela imprevisibilidade dos personagens, mas também pelo caminhar vagaroso e hipnotizante. Top of the Lake tem algo que te faz grudar os olhos na tela, seja pelas locações, o mistério por trás de Tui ou simplesmente cenas como Robin na cabana de um pedófilo ou o pai de Tui rolando apenas de cueca no meio da floresta, chapado de ecstasy. Como pode o paraíso esconder uma natureza tão horrível?

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5 comentários em “o coração do diabo”

  1. Eu acho que é um trabalho diferente. Você mesmo pontuou mesmo. Só espero que nao recaiam em clichês ou algo semelhante a produções do mesmo gênero.
    Realmente tem algo que atrai, que tez manter a presença. Só que eu ainda não defini bem. Pensava que, no meu caso, seria por causa da Robin. No entanto, passo a pensar que é o conjunto, é essa ambientação cheia de extremos.

    1. Não é? Eu também não sei explicar direito, é uma estranheza em tudo. O clima parece frio, mas há pessoas agasalhadas e outras sem camisa. O povo é meio primitivo, mas o sinal do celular funciona até na mata fechada, e por aí vai. Mas eu fico feliz que seja uma minissérie, ficaria chata se fosse uma série.
      E eu disse que ia ver no fim de semana, vi um episódio e já quis outro.

  2. Do jeito que vocês falaram deu até vontade de ver. Quando vi pensei que seria uma The Killing da vida e passei reto.

    1. Eu achei melhor que The Killing. Sei lá, já vi gente que achou chatinha, mas mesmo assim continua vendo porque tem uma estranheza hipnótica!

      1. Eu concordo. Aparentemente vc acha q é mais do mesmo, mas ela tem uns elementos estranhos, divergentes, erráticos. Pra minissérie, parece funcionar. Nem sei se merece continuação. Talvez nao.

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