ost – michael giacchino

giacchino lostUm filme não consegue ser completo sem uma trilha sonora. Para mim, uma boa trilha é aquela que ajuda criar a atmosfera do filme e, consequentemente, a contar a história. Mas uma trilha boa mesmo é quando você ouve apenas alguns acordes e todo o filme passa na sua cabeça, é quando você se emociona.

A partir de hoje eu começo a minha homenagens aos grandes compositores de trilhas sonoras do cinema. E começo por um “novato”, talvez o novo John Williams, o genial Michael Giacchino.

Nos roteiros de Lost, era comum ter indicações para a entrada da trilha de Giachinno, e eram anotações como “aqui The Giacchino aumenta a tensão” ou “The Giacchino triste por baixo do diálogo”. A trilha de Lost, por seis temporadas, foi gravada ao vivo com orquestra, algo não comum naquele tempo e nem nos dias de hoje, especialmente na televisão (e ainda por cima, tv aberta). Um luxo (de arrepiar) que lhe deu um Emmy e mais duas indicações.

O encontro com J. J. Abrams aconteceu antes de Lost, quando Giacchino fazia trilhas para vídeo games como The Lost World: Jurassic Park e Medal of Honor. Assim J.J. o convidou para fazer a música de uma série que ele estava desenvolvendo: Alias. Lost veio três anos depois, junto com sua primeira grande encomenda, a trilha de Os Incríveis. Giacchino se tornou o queridinho da Bad Robot de J.J. e também da Pixar, onde fez ainda curtas, a maravilhosa trilha de Ratatouille, Carros 2 e a vencedora do Oscar Up – Altas Aventuras, uma trilha melancólica e épica.

Para a Bad Robot ele fez Cloverfield, a dantesca trilha de Star Trek, a bonitinha Super 8 e Missão Impossível 3 e 4. Na minha modesta opinião, a trilha de Deixe-me Entrar é uma de suas melhores. Triste, misteriosa e poderosa.

Giacchino, como se vê pelo sobrenome, é descendente de italianos, pelos dois lados da família. Nascido e criado em Nova Jersey, quando criança, costumava fazer trilhas para seus filmes em stop-motion.  No ensino médio, um professor de artes sugeriu que ele fosse para a School of Visual Arts, em Nova Iorque, onde se formou em Belas Artes em 1990. Durante a faculdade, fez um estágio na Universal e trabalhou na Macy’s para pagar o aluguel. Em seguida, teve aulas de música na prestigiada Juilliard. Depois de se formar, trabalhou nos escritórios de publicidade da Universal e Disney. Quando a Disney se mudou para Los Angeles, ele foi junto, onde começou a ter aulas de música na UCLA. Quando abriu uma vaga de produtor na Disney Interactive, a divisão de video games do estúdio, ele se candidatou. O trabalho como produtor o permitiu se contratar para fazer a trilha dos jogos.giacchino oscar

O trabalho de Giacchino no cinema ainda é recente, mas já se nota sua assinatura. Há sempre um tom inusitado, uma leve melancolia, um cheiro de nostalgia. “Durante séculos, eu acho que artistas se inspiraram em outros para criarem obras próprias. Eu gosto de pensar que toda a arte que vi, li e vivi enquanto crescia faz parte do que faço hoje. Isso vai desde uma tela de Monet ao programa dos Muppets”.

Anúncios

let’s have a kiki

O Serviço de Entrega da Kiki (ou Kiki’s Delivery Service, ou Majo no Takyoubin) é um dos meus filmes favoritos do Miyazaki. Outro dia mesmo eu estava pensando nele, em como o Miyazaki conseguiu (e consegue) transpor de forma tão incrível os sentimentos dos personagens. No caso de Kiki, as expectativas e frustrações de uma menina, uma jovem bruxa que quer ver o mundo. Hoje descubro que a história vai ganhar um live action pelas mãos de Takashi Shimizu (do original O Grito). Sem querer ser chato, mas… pra quê? O filme do Miyazaki é tão bom e a história se encaixa direitinho como animação. Shimizu disse que seu filme se baseará mais no livro. Acho que Nausicaa renderia mais.kiki

o retorno dos bíblicos

the bibleToda vez que o mundo começa a sofrer grandes transformações políticas, sociais e culturais, uma parte dele fica confusa, dá dois passos para trás e se deixa tomar por um cobertor de conservadorismo e moralismo. É uma necessidade de delinear tudo em preto e branco, bem e mal. Foi assim nos anos 1950, mulheres e negros começaram a revindicar seus direitos com a sensação de liberdade vinda do fim da Segunda Guerra, mas ao mesmo tempo, o medo do comunismo e a Guerra Fria deixaram o povo paranoico. Nos cinemas, Marilyn Monroe, Marlon Brando e James Dean eram os novos modelos da juventude e contrastavam com os grande épicos cristãos: Sansão e Dalila, Os Dez Mandamentos, David e Betsabá, Ben-Hur…

Em tempos de Mad Men, Game of Thrones e da indie Top of the Lake, o bafafá está em cima mesmo de The Bible, minissérie exibida pelo History Channel que apareceu de fininho e quebrou recordes de audiência da tv paga de lá. No mundo, ela ficou conhecida quando muitos viram semelhança física entre Satanás e Obama. The Bible já tem uma continuação prevista e deve estrear só em 2015. A primeira temporada teve 10 episódios contando passagens distintas da bíblia. Enquanto a continuação não vem, um filme de três horas de duração vai compactar a minissérie para estrear no cinema. Já disponível em DVD, vendeu em seis dias o que era previsto para um ano. Por aqui, a Record já comprou os direitos de The Bible.

Ainda nos Estados Unidos, na roleta-russa do Nicolas Cage, uma nova adaptação da série apocalíptico-cristã Deixados Para Trás deve chegar aos cinemas em 2014. Na história, verdadeiros cristãos são retirados da Terra e os deixados ficam a mercê de um mundo sem Deus. Já nas terras brasileiras, com ou sem Deus, a Record tem planos de fazer mais minisséries bíblicas até 2015: Os Dez Mandamentos e A História de Jesus. Atualmente, José do Egito conseguiu uma audiência consolidada e é o carro-chefe do canal. Três outras minisséries já foram produzidas pela Record, A História de Ester, Sansão e Dalila e Rei David.

O anúncio das próximas produções da Record mostram que o canal finalmente entendeu que televisão se faz com planejamento. É um amadurecimento e os investimentos nestas minisséries são altos. Resta saber se o povo ainda vai ter interesse nestas produções.

tá chato ou eu é que estou?

mad menBom, como dá para perceber pelos posts do blog, eu não tenho visto muita coisa. É falta de tempo (tempo até dá, mas acaba rolando uma preguiça). Para terem uma ideia do drama, eu ainda estou no segundo episódio de Game of Thrones. Estou falando de GoT! Pois bem, também ando atrasado com Mad Men, e depois do meu desapontamento com o episódio de estreia, minha impressão não mudou muito. Sou eu que estou chato ou é a série que se bagunçou? Sei lá, só estou achando a história do Don com a Megan chata pra carambaa? Os únicos momentos verdadeiramente Mad Men têm sido rápidos e geralmente são com Joan, que deixou uma boa história engatada na temporada passada. A tela se ilumina quando ela entra em cena. Um beijo também para Alison Brie, quando a Trudy entrou no quarto depois de descobrir que Pete a traiu, ela não disse uma palavra, mas sua expressão foi inquestionável.

Outros fãs da série também andam reclamando por aí, para eles, Matthew Weiner rebateu: “Dizem que não há bastante publicidade na agência. Depois, que há publicidade demais. Não há Betty o suficiente. Tem Betty demais. Quem é Megan? Por que não mostra mais de Megan?”. “Relaxem e aproveitem o lugar aonde o programa está os levando”. A pergunta é que lugar é esse?

se meu candelabro falasse

Agora já não restam mais dúvidas de que Michael Douglas levará o Emmy, Globo de Ouro e todos os outros prêmios que existem neste mundo. Será a grande virada de carreira de Matt Damon? Pelo menos é um tipo inédito para ele.

Behind the Candelabra era para ser um filme para os cinemas, mas não conseguiu financiamento por conta do par central (e das possíveis cenas de sexo). A HBO salvou o projeto e é, pelo menos por enquanto, o último filme de Steve Soderbergh. A badalação já começou, Behind vai ser exibido no Festival de Cannes, na mostra competitiva.

Acho que vai ser que nem Angels in America, vai levar todos os prêmios que concorrer.

tipo net

hemlock groveMais uma jovem é encontrada morta perto de uma floresta. Ela foi atacada por algo desconhecido e teve suas entranhas arrancadas. Os suspeitos são muitos, pois os habitantes de Hemlock Grove ou são esquisitos e escondem grandes segredos, ou são simplesmente retardados.

Não, Hemlock Grove não lembra Twin Peaks, na verdade, ela não lembra nada, mas é tipo um monte de coisa, uma série genérica de True Blood com Teen Wolf mais filme soft porn dos anos 90. Não consegue ser trash, ainda falta muito humor para isso acontecer, nem gore, ela fica num vai não vai incompreensível com diálogos estúpidos e cenas sem sentido que não levam a lugar algum.

Voltando ao enredo, o corpo dilacerado da jovem é encontrado e o povo suspeita do jovem cigano Peter (Landon Liboiron), que se mudou recentemente com a mãe (Lili Taylor) para um trailer herdado de um tio. Claro, Peter é um excluído da sociedade e acaba fazendo amizade com Roman (Bill Skarsgård, estes irmãos estão dominando a tv), o herdeiro de uma indústria de biotecnologia que domina Hemlock Grove, e meio alien no meio daqueles adolescentes ordinários. Roman tem uma irmã gigante que não tem metade do rosto e se comunica através de um aplicativo do iPhone. A mãe deles é uma mulher manipuladora e nada boazinha (Famke Janssen, caricata e meio traveco da Julia Roberts), viúva, e tem um caso com o cunhado (Dougray Scott).

Roman passa a se interessar por Peter, pois ele é um lobisomem e isso não o entedia. Mal sabe ele que ele mesmo é um vampiro (tudo leva a crer, dois Skarsgård vampiros). E a série é só isso. Tem uma fotografia feia que eu não entendi até agora, um anacronismo nos detalhes, mas estranhamente me faz querer continuar. Talvez a dolorosa e aflitiva transformação de Peter em Lobisomem no final do segundo episódio tenha me dado alguma esperança.

Hemlock Grove é a segunda série original da Netflix. A primeira, House of Cards, estreou em fevereiro e, segundo a Netflix, fez sucesso suficiente para uma segunda temporada ser encomendada. A crítica também foi positiva, eu vi apenas o primeiro episódio, mas não é meu tipo de série. É um formato interessante, uma plataforma em que roteiristas e diretores têm mais liberdade criativa e ainda é financeiramente viável. Pena que, no caso de Hemlock Grove, Eli Roth não tenha pirado.

o coração do diabo

top of the lakeO cenário é deslumbrante, mágico: picos nevados, um mar de florestas e um lago gigantesco. E é neste lago que começa a história de Top of the Lake, minissérie em oito capítulos criada por Jane Campion (O Piano, Em Carne Viva) e Gerard Lee. A menina Tui sai de casa e vai até o lago, ela entra de roupa e tudo, a água vai até seu ombro. É uma imagem surreal. Como sabemos, meninas de 12 anos não tentam se matar sem um motivo grave, e Tui é apenas a ponta da cortina que cobre os habitantes da pequena Laketop. Quem começa a abrir esta cortina é a detetive Robin (Elisabeth Moss, menos Peggy e mais Clarice Starling), que nasceu e viveu na cidade, mas se mandou para Sidney na primeira oportunidade. Ao retornar para visitar a mãe, em tratamento contra um câncer, ela é chamada para assumir o caso de Tui, algo que a insensível e machista polícia local não tem competência para fazer. Tui está grávida de quatro meses, ninguém sabe quem é o pai e ela também não conta de jeito algum, até que um dia desaparece.

Quanto mais Robin investiga, mas ela descobre sobre a crueldade que se esconde atrás da beleza de Laketop. O que ela enfrenta são seus próprios demônios e uma lista de personagens estranhíssimos, desde o pai (Peter Mullan, excelente) e os meio-irmãos de Tui (Thomas M. Wright, Jay Ryan e Kip Chapman), os principais suspeitos, até a inacreditável colônia de mulheres que vivem em contêiners numa espécie de retiro, lideradas pela enigmática GJ (Holly Hunter). Fora o ambíguo detetive sargento Al (David Wenham, o Farmir).

A atmosfera é totalmente Twin Peaks, não apenas pela imprevisibilidade dos personagens, mas também pelo caminhar vagaroso e hipnotizante. Top of the Lake tem algo que te faz grudar os olhos na tela, seja pelas locações, o mistério por trás de Tui ou simplesmente cenas como Robin na cabana de um pedófilo ou o pai de Tui rolando apenas de cueca no meio da floresta, chapado de ecstasy. Como pode o paraíso esconder uma natureza tão horrível?

da vinci rock star

Da Vinci's Demons 2013Durante um bom tempo o canal Starz procurou por uma série para substituir seu grande sucesso Spartacus. Tinha que ser uma série voltada ao público masculino, “sombria” como Game of Thrones e com forte apelo junto aos jovens, não tão dramática nem boba. A escolhida foi Da Vinci’s Demons, criada por David S. Goyer, co-roteirista dos três Batmans do Nolan e do Homem de Aço, uma “juventude” imaginária de Leonardo Da Vinci, ou simplesmente Leo, sem qualquer compromisso com fatos históricos.

Na Florença do século XV (as cenas externas não convencem), Leo (Tom Riley) anda de jaqueta de couro, peito aberto e cabelo cuidadosamente despenteado. Sua fiel companhia é o aprendiz Nico (Eros Vlahos), mas não espere nada carnal entre eles, Leo é hétero e seduz Lucrezia Donati (Laura Haddock) para chegar aos Médicis. O twist da história é que uma onda sombria começa a tomar conta de Milão, Roma e Florença, e a chave deste mistério é Leo.

De O Código Da Vinci e A Lenda do Tesouro Perdido a série pega emprestado os mistérios das sociedades secretas e relíquias, de Os Bórgias vem o núcleo da Família Médice, e Leo é um parente do Sherlock Holmes do Guy Ritchie. Nessa mistureba toda, não se deve levar a série muito a sério, pois assim, pelo menos, é divertida.