as dores da vida romântica

anna kareninaFelizmente Joe Wright não teve dinheiro suficiente para fazer sua Anna Karenina em locações na Rússia. Com uma verba mais enxuta, cerca de 45 milhões de dólares, ele decidiu ambientar a história dentro de um teatro construído num estúdio. Não apenas o palco é usado, mas também a plateia, os camarotes, galerias, corredores e coxias. Os cenários se transformam e os personagens conseguem ir de uma “externa” para dentro de uma sala com apenas um giro da câmera. É uma estética experimental e funciona lindamente, com o mesmo controle que ele mostrou ter na sequência contínua de Dunkirk, em Desejo e Reparação. Poucas cenas acontecem fora do “teatro”, como uma estação de trem e um campo, e estas conseguem se mesclar perfeitamente com as cenas no teatro.

Que Anna Karenina é um banquete estético, todo mundo concorda, mas grande parte da crítica reclama que é um filme frio como a Sibéria e que os personagens estão muito distantes do público, sobretudo a protagonista Keira Knightley. Eu discordo, acho que Knightley faz uma Karenina consciente e faminta por algo além de uma família feliz. E as metáforas também funcionam, como a valsa dos burocratas, a sociedade hipócrita se encenando no palco. A dualidade das cidades grandes como Moscou e São Petersburgo com o campo e sua vida simples também se faz presente, e dá um toque sobre o que o próprio Tolstói faria em sua vida anos depois de publicar sua obra.

É impressionante como o Joe Wright consegue deixar Keira Knightley deslumbrante. Ela não é uma mulher bela, tem o rosto tão angular quanto uma meia-lua, mas ele a deixa magnífica. Aaron Johnson está surpreendentemente bonito com os cabelos loiros e é fácil entender por que Karenina se perde por Vronsky. Ainda falando de elenco, possivelmente Wright vai alavancar carreiras, como fez com Carey Mulligan e Saoirse Ronan, as escolhidas da vez são Alicia Vikander e Ruth Wilson.

Anna Karenina pode não ser a melhor heroína de Wright, mas a plateia também admite não nutrir simpatia pela personagem, afinal ainda é muito moderno trocar um bom marido e uma vida de riqueza por um jovem gatinho.

O design de produção deste filme merece um post próprio!

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2 comentários em “as dores da vida romântica”

  1. Se chegar em JF, dou meu parecer.
    Pelo trailer, parece ser um filme lindissimo, como uma experiencia única. Bom, na verdade, sou suspeito, pq amo Wright e Keira. Concordo no fato da parceria deles render bons frutos. Ela me encanta em todos os filmes deles dois juntos.

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