a seita dos psicopatas com bacon

the following
Ah, os serial killers. Enquanto a televisão brasileira tem um fascínio perturbador por anões, a americana idolatra serial killers. Pelo menos três das grandes estreias prometidas para este primeiro semestre têm um serial killer como protagonista ou co-protagonista. Dois são velhos conhecidos do público com nova roupagem – e os dois tem a mesmíssima fonte: Ed Gein.

A primeira, Bates Motel, rejuvenesce Norman Bates (Freddie Highmore) para os dias de hoje, numa relação doentia com a mãe (Vera Farmiga). A segunda transforma Dragão Vermelho em série criminal, onde ninguém sabe ainda que o dr. Hannibal Lecter (Mads Mikkelsen) é um serial killer. O agente Graham (Hugh Dancy) deve descobrir que seu consultor é um assassino só no final da temporada primeira temporada de Hannibal.

Quem saiu na frente foi The Following, a aguardada nova série de Kevin Williamson (The Vampire Diaries, Dawson’s Creek e roteirista da quadrilogia Pânico) e debut de Kevin Bacon como protagonista na televisão. Em entrevistas de divulgação, Bacon disse que seu interesse em televisão começou com The Closer, protagonizada por sua mulher (Kyra Sedgwick). “Não tenho lido bons roteiros de cinema. E quando buscava pilotos de TV, era um ótimo atrás do outro”. Sua busca por uma personagem ideal demorou três anos, “não queria fazer mais um vilão”, e citou Six Feet Under, The Wire, Homeland e Breaking Bad como séries que o influenciaram a trocar o cinema pela televisão.

Tudo e todos que citam Six Feet Under me interessam, mas The Following é tão boa assim? Não. Quer dizer, não tem nada a ver, o que o Bacon quis foi citar exemplos de séries inteligentes e de qualidade certificada, mas mesmo como uma série de investigação, ela não é a invenção da roda, porém tem seu diferencial, que se chama Kevin Bacon e James Purefoy.

Dan Brown, autor de O Código Da Vinci está prestes a lançar a nova aventura do professor Robert Langdon, Inferno. Desta vez, ele investiga os mistérios envolvendo A Divina Comédia. Aposto que neste novo livro, o professor vai contar com a ajuda de uma bela e jovem investigadora/especialista/descendente. The Following segue o mesmo modelo que todo mundo conhece. Ryan Hardy (Bacon) conseguiu capturar o serial killer Joe Carroll (Purefoy, aka eterno Marco Antônio de Roma), mas foi gravemente ferido e hoje vive recluso em seu apartamento. Com a fuga de Joe do presídio, Hardy é chamado para novamente prender o homem que quase lhe tirou a vida.

O twist da história é que Carroll, além de assassino, também é professor de literatura e obcecado por Edgar Allan Poe (o que eu acho mais batido que bife duro – e senta que dá-lhe Allan Poe) e montou um culto, uma rede de adoradores e maníacos que o idolatram e acatam suas ordens. Pronto, o terror está formando, e com ele, as inúmeras coincidências, facilidades e improbabilidades que este tipo de história pode carregar. E não poderiam faltar a incompetência da polícia, o jovem agente fã do agente herói (praticamente com um caderninho de autógrafos) e a agente implicante. Ah, e o “romance” entre Hardy e a mulher de Carroll.

The Following estreou em janeiro nos Estados Unidos, quando o país ainda se recuperava dos tiros na escola primária de Sandy Hook, e as cenas de violência e carnificina foram duramente criticadas. Triste sincronicidade. De fato, muitas das cenas são gratuitas, feitas somante para chocar – basta lembrar de O Silêncio dos Inocentes para constatar que menos é mais. Depois de quase três parágrafos dizendo os erros da série, agora vem a parte boa e que dá esperanças ao espectador. James Purefoy não sabe fazer mocinho e se assume como um rock star psicopata, meio blasé, meio monstro. E Kevin Bacon, tirando as carinhas de susto e horror toda vez que vê sangue, também tem bons resultados como o agente vulnerável e assombrado. Aliás, o que não fica bom com bacon?

Anúncios

4 comentários em “a seita dos psicopatas com bacon”

  1. O início da sua resenha sobre The Following lembrou-me de O Dossiê Pelicano… Mas insisto em voltarmos ao início do post: A TELEVISÃO BRASILEIRA TEM UM FASCÍNIO PERTURBADOR POR ANÕES???? Dessa eu não sabia haohaohaoah

    1. O Triângulo das Bermudas da tv brasileira: Pânico, SBT e Record. E com a volta do João Kleber, talvez vire um quadrilátero. Tem sempre um anão dançando ou vestido de mulher.

  2. Vi tanta gente elogiando e o começo de seu texto me assustou, já que foi uma das poucas criticas negativas que li. Mas acho que deixarei de lado por enquanto. Comecei Banshee e estou gostando e logo mais vem Game of Thrones para fazer o nerd aqui pirar hahahah

    1. É assistível e divertida, mas tem muitos furos. Por exemplo, de cara, a ex-mulher do serial killer já seria um alvo da turminha de psicopatas, mas a polícia só vai fazer guarda permanente na casa dela no segundo episódio. E isso porque o FBI consegue um endereço (e fica lá por horas) e encontra a foto da mulher no teto de um dos quartos (tipo, as fotos das vítimas não estavam escondidas). A casa da mulher vira um entra e sai de policiais revistando tudo, mas é claro que ninguém se deu o trabalho de ver o sistema de ventilação.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s