a ruiva e o deus da carnificina

a hora mais escuraNinguém sabe nada. Tanto dentro de A Hora Mais Escura quanto fora do filme. No filme de Katrhyn Bigelow, a guerra é escondida, feita de informações fragmentadas e desencontradas. São possíveis informantes, gravações, fotos, conversas telefônicas e muita burocracia. No centro de tudo está Maya (Jessica Chastain), a agente da CIA sem vida pessoal que gasta mais de dez anos exclusivamente montando um quebra-cabeça insano à procura de Osama Bin Laden. Ela parece ser a única pessoa que consegue enxergar dentro da nuvem de poeira e carnificina.

Enquanto Maya se mostra fria, horrorizada, exausta e desolada no meio do inferno de A Hora Mais Escura, fora da tela, muitos perdem tempo tentando concluir se a diretora Kathryn Bigelow é nacionalista ou anti-americana. Se é pró-tortura ou contra. A resposta é nem uma coisa nem outra. Essa conversa é fútil e redundante. Não existe mais esquerda nem direita, Estados Unidos versus resto do mundo. O que Kathryn faz, assim como fez em Guerra ao Terror, é um thriller movido pela ação. Nós sabemos o destino de Bin Laden, mas o foco é Maya e como ela conduz sua investigação. Em determinado ponto do filme, ela alerta que seus colegas estão analisando o comportamento dos talibãs como se fosse o mesmo de antes de 11 de Setembro. Ao contrário do personagem de Jeremy Renner em Guerra ao Terror, um perdido numa guerra de ninguém, Maya tem plena consciência de onde está e que é a mudança ruiva naquele cenário dominado por homens. É interessante que na cena depois da invasão, enquanto os oficiais vasculham a casa de Bin Laden como se fosse um trabalho de rotina, apenas um fica parado, se dando conta de que matou o homem mais procurado do mundo.

Maya. É impossível não falar de Maya porque ela é o único personagem verídico de A Hora Mais Escura e claramente uma heroína com quem Bigelow se identifica. Os outros personagens são junções de vários homens para que o excelente roteiro de Mark Boal funcionasse. Rooney Mara estava escalada inicialmente para o papel e foi substituída fantasticamente por Jessica Chastain. Tenho certeza de que Mara teria feito um ótimo trabalho, mas Chastain prova que suas sutilezas são muito mais letais que qualquer metralhadora de última geração. E, ainda no ramo das atuações, Bigelow conseguiu um elenco de respeito: James Gandolfini, Mark Strong, Kyle Chandler, Édgar Ramírez e Joel Edgerton. Até o namorado da Lady Gaga está no filme! Jason  Clarke merecia uma indicação ao Oscar de ator coadjuvante – e falando em Oscar, puta mega mancada não terem indicado Kathryn Bigelow.

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6 comentários em “a ruiva e o deus da carnificina”

  1. A Jessica Chastain está mto bem. Ela é tremendamente boa. Esse Oscar de atriz está difícil. torço pra ela, pra Jennifer e Emmanuelle. Podia dar empate.

    Eu achei q nao fosse gostar desse filme, mas ele me cativou. Gostei da direção de Bigelow. Me animou a ver Guerra ao Terror. Gostei do tipo de abordagem. Não me interessa julgar se ela fez bandeira contra ou pro a politica de guerra dos EUA.

    1. Olha, meu Oscar iria para a Emmanuelle Riva. Jessica Chastain viria em segundo lugar, junto com a Naomi Watts, mas quem vai levar é a Jennifer Lawrence. Gosto muito dela e ela está ótima em O Lado Bom da Vida, mas acho que ela deveria ganhar o Oscar por um filme e papel melhor – o que certamente vai acontecer nos próximos anos.

      1. Racionalmente, concordo com vc. Mas a Jennifer me cativou de uma forma fresca e intensa, até por meio de Jogos Vorazes. Por isso, torço por ela, embora um papel mais marcante teria sido bem melhor.

    2. E um detalhe que eu achei engraçado no filme: quando a Maya está no Paquistão, Afeganistão ou qualquer país stão, o cabelo dela está natural, mas quando está em Washington, está alisado de chapinha. Bem corporativo.

      1. Tb percebi a questão do cabelo dela. Apreciei como a personagem se torna mais dura e determinada ao longo do filme. É interessante ver como os americanos selecionam seus melhores diretamente e com antecedência. Ela foi recrutada após o Ensino Médio. Aqui, somos obrigados a passar por concursos públicos. Sei q é uma forma democrática, mas ficou burocratizada e dura. Não necessariamente os aprovados são os adequados.

        Gostei das suas informações. Quando terminou o longa, eu queria saber o q é verídico dessa história. Entao, Maya é real? Existiu? Um mulher num ambiente hostil e sério… É claro q algumas coisas devem ter sido preenchidas de maneira cinematográfica.

      2. Uma das polêmicas é como o Mark Boal e a Bigelow conseguiram tantas informações sigilosas, além do livro No Easy Day, escrito por um dos SEALs que participou da invasão. A Maya existe de verdade, é uma agente de médio escalão da CIA e tem a identidade secreta preservada.

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