rapidinha nos bastidores – figurinos

Um bom figurino é aquele que ajuda a contar a história. Deve estar no contexto, na “realidade” da personagem e transmitir visualmente ideias que não poderiam ser verbalizadas. Abaixo, três filmes em que o figurino é mais que um coadjuvante. Os três são de época ou de fantasia, num outro post eu faço com figurinos contemporâneos.

A Ameaça Fantasma. A figurinista Trisha Biggar teve um grande desafio na hora de criar os figurinos, pois as roupas do filme deveriam condizer com o que os personagens dos três Star Wars anteriores vestiram e ainda sim fazer algo novo. Se os figurinos da primeira trilogia tinham forte influência japonesa, este seria o caminho, mas Trisha abriu um pouco mais o leque e colocou a teoria da figurinista Elois Jenssen em prática. Esta teoria, desenvolvida num artigo, diz que o figurino de filmes de ficção científica são derivações de “antigos gregos e romanos, xeques e seus haréns, samurais e gueixas, e cavaleiros medievais”.

O grande destaque do filme são as vestimentas da rainha Amidala (Natalie Portman). Inicialmente, ela teria apenas três trocas de roupa, mas George Lucas achou que, sendo uma rainha, ela deveria vestir uma roupa diferente a cada aparição. Carrie Fisher, a princesa Leia, chegou a brincar que num só filme, Natalie Portman teve mais trocas do que todo o elenco da primeira trilogia. Perguntado sobre esta diferença no figurino das trilogias, George Lucas disse que a época em que os episódios I, II e III se passam é mais sofisticada.

As vestimentas de Amidala foram inspiradas em roupas usadas por mulheres da realeza, como da imperatriz mongol Borte e de outras monarcas do século 20. O vestido que ela usa na sala do trono demorou oito semanas para ser desenhado. Um outro, teve centenas de pétalas de seda tingidas artesanalmente.

Memórias de uma Gueixa. A premiada Colleen Atwood tomou diversas liberdades na hora de criar os quimonos do filme. Sua preocupação era dar formas mais identificáveis para os olhos modernos e ocidentais, enquanto os quimonos tradicionais são retos (o tamanho é único e usa-se “enchimento” para tapar “buracos”). Estampas também foram simplificadas e diminuídas. É possível ver ombros e colo, por exemplo, o que gerou críticas dos mais tradicionais. Como conta o livro, uma gueixa só consegue se tornar independente quando consegue um amante e este lhe banca um guarda-roupa de quimonos, que era (e ainda é) caríssimo para simples mortais. As três gueixas principais do filme têm padrões e cores distintos.  

Hatsumomo (Li Gong) veste vermelho acetinado, azul e verde. Mameha (Michelle Yeoh), por ser mais velha e sábia, usa cores mais serenas e calmas. Já no caso de Sayuri (Ziyi Zhang), o mais importante foi mostrar sua ascensão como gueixa e mulher, então ela começa usando quimonos de algodão e chega a mais refinada das sedas. Na cena de dança durante o festival, Colleen adicionou um forro vermelho nas mangas do quimono branco para dar mais contraste e dramaticidade. 

Drácula. A figurinista e diretora Eiko Ishioka não trabalhou em muitos filmes, mas seu trabalho foi sempre imaginativo e marcante, ganhando um Oscar pelo figurino de Drácula (1992). Inicialmente, ela tinha sido contratada para fazer o design de produção, mas quando Francis Ford Coppola viu um livro seu, ele imediatamente a contratou como figurinista, pois seu filme teria um apelo visual muito forte. Até Drácula, Eiko nunca havia visto um filme sobre o personagem ou sobre vampiros. E também foi a primeira vez que usou a cor laranja. Ao ver que o trabalho dela tinha forte influência do teatro Kabuki, o cabeleireiro Stuart Artingstall estudou o Kabuki e o estilo das gueixas para incorporar suas perucas ao figurino de Eiko, assim, cada peruca foi feita prendendo fio por fio, o que era comum apenas em óperas. Um dos figurinos mais marcantes, o de Lucy, foi inspirado em um lagarto, seus movimentos também são como os de um. Para mais detalhes do figurino de Drácula, não deixe de ver este documentário de 15 minutos, é sensacional!  

Anúncios

3 comentários em “rapidinha nos bastidores – figurinos”

  1. <3<3<3<3<3<3<3

    Sete corações. Até porque devo me envolver mais com a parte criativa do próximo espetáculo do T.O.C., inclusive e especialmente figurino. Por isso, ando estundando esta questão de estética, da mensagem que deve ser passada, da semiótica, da ousadia… Vai ser um tremendo desafio.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s