os independentes estão com tudo

Os indicados ao Spirit Awards são basicamente tudo que a gente falou aqui no blog este ano. Moonrise Kingdom e O Lado Bom da Vida são os filmes com mais indicações, embora muitos critiquem que O Lado Bom não se encaixa no perfil independente, já que seu orçamento é superior a 20 milhões de dólares. A indicação de As Vantagens de Ser Invisível a Melhor Filme de Diretor Estreante também foi questionada, pois Stephen Chbosky já havia dirigido The Four Corners of Nowhere, que participou do Festival de Sundance em 1995. Fora isso, é impressionante a quantidade de filmes com temática gay: Deixe a Luz Acesa (que passou no Festival do Rio), Gayby e Your Sister’s Sister (no Netflix).

O que pode respingar no Oscar e outros prêmios: O Lado Bom da Vida, As Sessões e Moonrise Kingdom. E quem diria que Bruce Willis e Matthew McConaughey seriam um dia indicados ao Spirit!

Melhor Filme

Indomável Sonhadora (Beasts of the Southern Wild)

Bernie

Deixe a Luz Acesa (Keep the Lights On) 

Moonrise Kingdom

O Lado Bom da Vida

Melhor Diretor

Wes Anderson – Moonrise Kingdom

David O. Russell – O Lado Bom da Vida

Julia Loktev – Planeta Solitário (The Loneliest Planet)

Ira Sachs – Deixe a Luz Acesa

Benh Zeitlin – Indomável Sonahdora

Melhor Roteiro

Wes Anderson – Moonrise Kingdom

David O. Russell – O Lado Bom da Vida

Ira Sachs – Deixe a Luz Acesa

Zoe Kazan — Ruby Sparks

Martin McDonagh – Seven Psychopaths

Melhor Filme de Diretor Estreante

Fill the Void – Dirigido por Rama Burshtein

Gimme the Loot – Dirigido por Adam Leon

Safety Not Guaranteed – Dirigido por Colin Trevorrow

Sound of My Voice Dirigido por Zal Batmanglij

As Vantagens de Ser Invisível – Dirigido por Stephen Chbosky

Melhor Roteirista Estreante

Rama Burshtein – Fill the Void

Derek Connolly – Safety Not Guaranteed

Christopher Ford – Robot & Frank

Rashida Jones and Will McCormack – Celeste e Jesse Para Sepre

Jonathan Lisecki – Gayby

Melhor Atriz

Linda Cardinelli – Return

Emayatzy Corinealdi – Middle of Nowhere

Jennifer Lawrence – O Lado Bom da Vida

Quvenzhane Wallis – Indomável Sonhadora

Mary Elizabeth Winstead – Smashed

Melhor Ator

Jack Black – Bernie

Bradley Cooper – O Lado Bom da Vida

John Hawkes – As Sessões

Matthew McConaughey – Killer Joe

Wendell Pierce – Four

Thure Lindhardt – Deixe a Luz Acesa

Melhor Atriz Coadjuvante

Rosemarie DeWitt – YourSister’s Sister

Ann Dowd – Compliance

Helen Hunt – As Sessões

Brit Marling – Soundof My Voice

Lorraine Toussant – Middleof Nowhere

Melhor Ator Coadjuvante

Matthew McConaughey – MagicMike

David Oyelowo – Middleof Nowhere

Michael Pena – Marcados Para Morrer

Sam Rockwell – SevenPsychopaths

Bruce Willis – MoonriseKingdom

Melhor Fotografia

Yoni Brook – Valleyof Saints

Lol Crawley – Here

Ben Richardson – Indomável Sonhadora

Roman Vasyanov – Marcados Para Morrer

Robert Yeoman – MoonriseKingdom

Melhor Documentário

How to Survive a Plague

Marina Abramovic: The Artist Is Present

The Central Park Five

The Invisible War

The Waiting Room

Melhor Filme Internacional

Amour

Once Upon a Time in Anatolia

Ferrugem e Osso

Sister

War Witch

o hobbit e os 27 bichos

É uma polêmica que parecia ter se calado, mas voltou a ecoar. Várias entidades que lutam contra os maus tratos a animais pedem boicote a O Hobbit, depois da morte de 27 animais no intervalo das filmagens.  Quem está falando mais alto agora é o CEO da Humane Society, Wayne Pacelle, que diz que os animais não são assistidos adequadamente nos intervalos das filmagens. A Humane Society é a organização que monitora o tratamento dos animais no cinema e na televisão, e agora pensa em proibir o uso de animais em produções cinematográficas e televisivas, já que a computação gráfica já é capaz de criá-los digitalmente.

A Warner e Peter Jackson negam que os animais sofreram maus tratos e negligência, se defendem dizendo que um “curral” foi montado especialmente para os animais ficarem nos intervalos, mas foi justamente neste espaço que três cavalos, seis bodes, seis ovelhas e 12 galinhas morreram. Numa pesquisa feita pelo Hollywood Reporter, sobre o impacto das mortes, 85% disseram que em nada mudou a vontade de ver o filme. No início do ano, a morte de três cavalos durante as gravações de Luck foram determinantes para o cancelamento da segunda temporada.

É claro que eu estou louco para ver o filme, mas acho estranho 27 animais morrerem, assim como acho que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

por que o oscar 2013 vai/pode ser diferente?

Todo ano o Oscar muda alguma coisa. As regras, a cerimônia (lembra que ano passado não teve apresentações musicais?), o tom… Sejam elas boas ou ruins, não dá para negar, por exemplo, que ele está cada vez mais internacional. Este ano, além da inusitada escolha de Seth MacFarlane como apresentador, a academia decidiu antecipar a entrega das estatuetas para o dia 24 de fevereiro, apenas duas semanas após o início da votação (8 de fevereiro), com isso, ela anuncia os indicados no dia 10 de janeiro. No mesmo dia, a associação de críticos entrega seus prêmios, e três dias depois é a vez do Globo de Ouro. No sábado seguinte, quem premia são os produtores e no domingo, o sindicato dos atores entrega os SAG. O que isso quer dizer? Que aquela máxima “termômetro do Oscar” aplicada a todas as premiações nunca se valeu tanto.

Se a gente der uma olhada nos possíveis indicados ao Oscar 2013, veremos que muitos dos filmes têm atuações mais fortes do que o filme em si. E se atores são a maioria dos votantes da academia, o negócio vai ficar interessante.  Sabemos que Oscar não é simplesmente merecimento, é principalmente marketing. E Apesar da ausência de zum zum zum (ano passado só se falava em O Artista e Meryl Streep), vamos ver quem tem sérias chances de fazer bonito na temporada de ouro 2013. E eu acho que vai ter para todos os gostos.

Argo, Lincoln, O Mestre e Os Miseráveis parecem ser os únicos com vaga garantida entre os indicados. Haja o que houver. Os quatro podem ser indicados também por roteiro, direção (Ben Affleck, Steven Spielberg, Paul Thomas Anderson e Tom Hopper), atores (Philip Seymour Hoffman, Daniel Day-Lewis, Hugh Jackman e Anne Hathaway) e atores coadjuvantes (John Goodman, Alan Arkin, Sally Field e Joaquin Phoenix).

Os quase lá: O Hobbit, As Aventuras de Pi, O Lado Bom da Vida, O Cavaleiro das Trevas Ressurge. Os três O Senhor dos Anéis conseguiram indicações ao prêmio principal, mas será que O Hobbit vai conseguir. Acho que vai. As Aventuras de Pi foi bem recebido por público e crítica, tem tudo para estar no Oscar, e ainda tem o selo Ang Lee. O Lado Bom da Vida deve ser o independente do ano, com possível indicação para Jennifer Lawrence (a segunda em três anos) e, quem sabe, Bradley Cooper. A Warner quer ver o Batman no Oscar, até adiou O Grande Gatsby para isso.

As dúvidas: Django Livre, Anna Karenina, Zero Dark Thirty e Um Final de Semana em Hyde Park. Tarantino já foi ao Oscar com Pulp Fiction e Bastardos Inglórios. Django parece ser um filme que exigiu uma nova visão de Tarantino, então… Anna Karenina, segundo as críticas, é grandioso, diferente, elaborado, lindo, mas não muito simpático. Zero Dark Thirty é o novo filme da Kathryn Bigelow, que contrariou todo mundo e ganhou o Oscar com Guerra ao Terror, mas ninguém sabe nada sobre o “kill Bin Laden” dela. Um Final de Semana em Hyde Park era certeza, a versão 2012 de O Discurso do Rei, assim como Bill Murray, mas as críticas não andam muito boas.

Os soltinhos: As Sessões, O Homem da Máfia, Moonrise Kingdom. São queridinhos, mas talvez não tenham força, vontade nem dinheiro para montar uma campanha de marketing. As Sessões pode conseguir indicações para Helen Hunt e John Hawkes. O Homem da Máfia pode colocar Brad Pitt novamente entre os indicados e os votantes podem se lembrar de Moonrise Kingdom e dar uma vaguinha a ele – “ele merece, ele merece, ele merece”.

As animações. Depois da polêmica não indicação de Tintim no ano passado e filmes bem insossos na lista final, o Oscar deste ano deve ser mais animador (hahaha) e eclético.  Com 21 candidatos a Melhor Animação, a academia deve escolher cinco finalistas. Quem tem mais chances na corrida: Valente, Detona Ralph, Frankenweenie, From Up on Poppy Hill, The Painting, A Origem dos Guardiões e Paranorman. Acho que vai dar Detona Ralph.

ground control to major nelson

Sei lá quantos anos eu tinha quando comecei a ver Jeannie É um Gênio, passava num bloco de séries antigas (A Noviça Voadora, A feiticeira, Terra de Gigantes) na antiga TVE (acho que era TVE, era?). Achava tudo muito ingênuo e divertido. Queria muito viver dentro da série. Adorava como Jeannie enrolava o major Nelson – um major, um oficial da aeronáutica! Achava isso muito louco.

Nos bastidores, Larry tentou a sorte como ator em Nova Iorque. Sem sucesso, foi para Los Angeles, onde fez testes para tudo quanto era papel. Quando conseguiu o papel de Tony Nelson, Larry vivia numa barraca na praia. Sua comemoração foi pedir uma pizza. Jeannie É um Gênio foi um sucesso, mas começou a perder força no terceiro ano. Larry foi contrário à decisão da NBC de finalmente casar Jeannie com o major. Diz a lenda que ele subiu na mesa dos executivos para ser ouvido. Para ele, casar uma mulher de espírito livre e revolucionário ia contra a proposta da série. Por obrigação contratual, ele teve que gravar a quarta temporada e seu humor sempre simpático mudou para temperamental – foi nessa época que começou seu alcoolismo. Em 1996, ele precisou de um transplante de fígado.

A popularidade de Jeannie É um Gênio o impediu de conseguir outros trabalhos. Em 1978, ele conseguiu o papel que lhe definiu: JR Ewing, seu personagem preferido e o grande vilão de Dallas, a série-novela que mudou o perfil das produções nos Estados Unidos. Dallas ganhou uma nova versão este ano e Larry participou da primeira temporada, quando foi diagnosticado com câncer. Ele já tinha gravado seis episódios da segunda temporada, agora os roteiristas e produtores terão que dar um final para um dos personagens mais icônicos  da televisão mundial.

A segunda temporada de Dallas estava prevista para janeiro. O TNT ainda não se pronunciou sobre adiamento.

“Quero que minhas cinzas sejam espalhadas por um campo, e que depois plantem trigo e maconha sobre elas. Quando vier a colheita, que façam um gigantesco bolo de maconha, o bastante para que 200 e 300 pessoas venham celebrar a vida do Larry”.

criancinhas

É expressiva a quantidade de séries que estão ganharam remakes nos Estados Unidos nos últimos anos: The Office, The Killing, In Treatment, Homeland, Inbetweeners, Life on Mars… a lista é grande.  Agora, a NBC quer fazer a versão americana de The Slap, minissérie australiana em oito episódios e indicada ao Emmy Internacional. Não sei se o projeto vai pra frente, mas acho interessante e muito válido dar uma olhada na minissérie.

A grande questão que costura a série acontece durante um churrasco, quando o primo do anfitrião dá um tapa na cara de um menino de três anos, depois de um dia de selvageria e nenhuma repreensão dos pais. Cada episódio é focado num personagem e como ele “viu” o tapa. No primeiro, Hector (Jonathan LaPlaglia, irmão caçula do Anthony), o anfitrião do churrasco, vive uma crise da meia idade. Pelo que se percebe nas entrelinhas e nos episódios seguintes, ele teve uma juventude bem doida. Agora, completando 40 anos, casado e com dois filhos, ele se encontra perdido e sem identidade. O filho mais velho está cada vez mais distante, as discordâncias com a mulher (Sophie Okenodo) são frequentes e há um perigoso flerte com uma adolescente. O tapa apenas intensifica sua transformação na corda do cabo de guerra entre sua família e amigos.

Nem tudo é inferno. Embora os personagens se dividam, não há times. O texto, a direção e as atuações são de uma naturalidade rara. Bem intimista. Ninguém está totalmente certo nem errado, todo mundo acha que está fazendo o melhor. No final das contas, todos são tão criancinhas quantos seus filhos. Se você tiver a chance de ver The Slap, não perca. No Brasil, a minissérie foi ao ar pelo + Globosat e está disponível no NOW.

rapidinha nos bastidores – figurinos

Um bom figurino é aquele que ajuda a contar a história. Deve estar no contexto, na “realidade” da personagem e transmitir visualmente ideias que não poderiam ser verbalizadas. Abaixo, três filmes em que o figurino é mais que um coadjuvante. Os três são de época ou de fantasia, num outro post eu faço com figurinos contemporâneos.

A Ameaça Fantasma. A figurinista Trisha Biggar teve um grande desafio na hora de criar os figurinos, pois as roupas do filme deveriam condizer com o que os personagens dos três Star Wars anteriores vestiram e ainda sim fazer algo novo. Se os figurinos da primeira trilogia tinham forte influência japonesa, este seria o caminho, mas Trisha abriu um pouco mais o leque e colocou a teoria da figurinista Elois Jenssen em prática. Esta teoria, desenvolvida num artigo, diz que o figurino de filmes de ficção científica são derivações de “antigos gregos e romanos, xeques e seus haréns, samurais e gueixas, e cavaleiros medievais”.

O grande destaque do filme são as vestimentas da rainha Amidala (Natalie Portman). Inicialmente, ela teria apenas três trocas de roupa, mas George Lucas achou que, sendo uma rainha, ela deveria vestir uma roupa diferente a cada aparição. Carrie Fisher, a princesa Leia, chegou a brincar que num só filme, Natalie Portman teve mais trocas do que todo o elenco da primeira trilogia. Perguntado sobre esta diferença no figurino das trilogias, George Lucas disse que a época em que os episódios I, II e III se passam é mais sofisticada.

As vestimentas de Amidala foram inspiradas em roupas usadas por mulheres da realeza, como da imperatriz mongol Borte e de outras monarcas do século 20. O vestido que ela usa na sala do trono demorou oito semanas para ser desenhado. Um outro, teve centenas de pétalas de seda tingidas artesanalmente.

Memórias de uma Gueixa. A premiada Colleen Atwood tomou diversas liberdades na hora de criar os quimonos do filme. Sua preocupação era dar formas mais identificáveis para os olhos modernos e ocidentais, enquanto os quimonos tradicionais são retos (o tamanho é único e usa-se “enchimento” para tapar “buracos”). Estampas também foram simplificadas e diminuídas. É possível ver ombros e colo, por exemplo, o que gerou críticas dos mais tradicionais. Como conta o livro, uma gueixa só consegue se tornar independente quando consegue um amante e este lhe banca um guarda-roupa de quimonos, que era (e ainda é) caríssimo para simples mortais. As três gueixas principais do filme têm padrões e cores distintos.  

Hatsumomo (Li Gong) veste vermelho acetinado, azul e verde. Mameha (Michelle Yeoh), por ser mais velha e sábia, usa cores mais serenas e calmas. Já no caso de Sayuri (Ziyi Zhang), o mais importante foi mostrar sua ascensão como gueixa e mulher, então ela começa usando quimonos de algodão e chega a mais refinada das sedas. Na cena de dança durante o festival, Colleen adicionou um forro vermelho nas mangas do quimono branco para dar mais contraste e dramaticidade. 

Drácula. A figurinista e diretora Eiko Ishioka não trabalhou em muitos filmes, mas seu trabalho foi sempre imaginativo e marcante, ganhando um Oscar pelo figurino de Drácula (1992). Inicialmente, ela tinha sido contratada para fazer o design de produção, mas quando Francis Ford Coppola viu um livro seu, ele imediatamente a contratou como figurinista, pois seu filme teria um apelo visual muito forte. Até Drácula, Eiko nunca havia visto um filme sobre o personagem ou sobre vampiros. E também foi a primeira vez que usou a cor laranja. Ao ver que o trabalho dela tinha forte influência do teatro Kabuki, o cabeleireiro Stuart Artingstall estudou o Kabuki e o estilo das gueixas para incorporar suas perucas ao figurino de Eiko, assim, cada peruca foi feita prendendo fio por fio, o que era comum apenas em óperas. Um dos figurinos mais marcantes, o de Lucy, foi inspirado em um lagarto, seus movimentos também são como os de um. Para mais detalhes do figurino de Drácula, não deixe de ver este documentário de 15 minutos, é sensacional!  

me dá mais uma chance

Smash está batendo na minha porta, implorando para eu voltar para ela. “Por favor, let me be you star de novo! Eu mudei, eu mudei por você desde nossa última conversa”. Eu, cético, fico dizendo “você foi minha maior decepção, Smash, tínhamos tudo para dar certo e foi uma vergonha”. Rolling in the deep…

Aparentemente, Smash realmente mudou, fez uma baita reciclagem para fazer mais promessas. De concreto, substituiu a showrunner Teresa Rebeck por Josh Safran, que prometeu novos rumos criativos (mudou tudo então), limou simplesmente quatro personagens problemáticos que não farão falta, e conseguiu um time de participações especiais, como Jennifer Hudson, Liza Minnelli e Sean Hayes.

Bom, eu estou quase abrindo a porta para a gente discutir mais um pouquinho. Só vou voltar mesmo se vir que ela realmente mudou. E que a Karen parou de cantar em karaokês – mas isso eu duvido, ela é que nem a Gwyneth Paltrow, não pode ver um microfone.

deus tenha piedade

A temporada de ouro do cinema 2013 foi antecipada e já era para Hollywood estar em chamas! Mas não é bem isso que estamos vendo. Pouca coisa tem entusiasmado nos últimos meses, cadê o burburinho de Lincoln, The Master e dos independentes? Fora do Oscar e seus semelhantes, o primeiro pôster de Only God Forgives foi a única coisa relevante nas últimas semanas.

Como todo mundo já sabe, eu amo o Ryan Gosling e Drive foi um dos meus filmes favoritos no ano passado. A dobradinha com o diretor Nicolas Winding Refn não foge da temática de Drive, é um acerto de contas, uma história de vingança e traição em Bangcoc. Estreia em maio na Dinamarca, terra natal de Refn.

impressionismo e cinema

Um dos meus sonhos é ter uma noite exclusiva no museu, só para mim, e vendo tudo apenas com a ajuda de uma lanterna, mais ou menos como no Paciente Inglês. Dentro das circunstâncias, posso dizer que hoje ele foi parcialmente atendido. Depois de semanas com imensas filas de duas horas e meia, finalmente fui ver a badaladíssima exposição sobre os impressionistas, parte do rico acervo do Musée d’Orsay que já passou por São Paulo com a mesma força. Foi de manhã, antes das oito, nem dez pessoas na fila e entrada imediata (virada cultural do CCBB). As portas da sala estavam fechadas, o segurança deu as orientações do que não fazer (porque o povo é bem sem noção) e depois desejou uma boa visita como se estivéssemos numa montanha-russa entrando no País das Maravilhas.

Eu fiquei arrepiado no meio de tantos Renoir, Degas, Monet e cia ilustre. Juro, não é conversa para boi dormir. Não pela popularidade das obras ou pela beleza, mas porque eram obras originais, e não reproduções. A gente se acostuma a vê-las em calendários, quebra-cabeças e coisas do tipo, mas quando vê as originais, em seus tamanhos e cores reais, vem um baque! Não sei explicar direito por quê, mas para mim isso é algo fantástico. É algo que nenhuma fotografia do quadro ou cópia fiel consegue transmitir, só estando a alguns centímetros de distância para entender. Quantas histórias não existem por trás do quadro, ou melhor, dos quadros? Estas obras de arte, além de seus simbolismos, significados e significantes, têm memória.

E ali, naquela Paris imaginária do fim do século retrasado, eu percebi o quanto o cinema é impressionista. O Tocador de Pífano, que é a tela símbolo da exposição, é um bom exemplo. Édouard Manet pega uma criança tocando um pífano numa orquestra e o destaca simplesmente tirando todo o segundo plano. Não é quase o mesmo que o Joe Wright – e tantos outros – faz em Orgulho & Preconceito para exaltar o flerte de Darcy e Elizabeth?

O Impressionismo foi “inaugurado” por Monet em 1872, foi uma quebra de regras. Retratar fielmente algo não mais importava, o passado era velho e o mundo estava mudando. O importante era encontrar luz e movimento. “Luz e movimento”? Isso se chama Cinema. Alguns anos mais tarde, em 1895, os irmãos Lumière exibiam um filme pela primeira vez. No início eram cenas do cotidiano, como a saída de operários de uma fábrica ou a chegada de um trem na estação, mas não tardou para o cinema ganhar as formas como conhecemos hoje: sets, narrativas, enquadramentos… da mesma maneira que Millet pintou seus camponeses, Degas e Renoir pintaram retratos cuidadosamente posados, Van Gogh distorceu sua visão e Monet diluiu seus jardins. Já em 1901, Ferdinand Zecca apareceu voando sobre Belleville em seu filme A Conquista dos Ares, e George Méliès começou sua empreitada como pai dos efeitos visuais.

Talvez aquele baque que eu falei parágrafos acima seja essa urgência de ser fantástico e rotineiro. De dar movimento e procurar luz, ou usar sombras, seja por pinceladas aparentes ou através de lentes. O interessante é que hoje procuramos a melhor imagem possível, sempre em altíssima definição com milhões de pixels para ser o mais “realista” possível. Um cenário precário não engana mais, assim como as rugas e imperfeições ficam evidentes. E lá na Terra Média, Peter Jackson filma os Hobbit com uma câmera de 48 frames por segundo, o dobro das câmeras atuais. Quem já viu o resultado detestou a hiper nitidez, disseram que tira o mistério e o encanto das imagens. Fica igual a um Gauguin, com tudo trazido para o primeiro plano, sem perspectiva, mas em cores reais.

só no que interessa

Olha como eu tenho bom gosto. Pelo menos para séries. O USA Today fez uma reportagem sobre o crescimento do DVR, aquele aparelho que permite você gravar programas na tv mesmo para assistir depois. Com a facilidade do DVR, os americanos estão lotando a memória com mil programas que nunca assistirão, então o jornal fez uma seleção das melhores séries no ar atualmente. Vê se vocês concordam!

1 – Homeland. É boa, mas não prende, sem muita vontade de ver a segunda temporada e não acho que mereceu ganhar o Emmy. Mas…

2 – The Walking Dead. A Andrea continua chata e o Governador ainda não disse a que veio, mas o núcleo do Rick está bem bom! Sem barrigas nem enrolação.

3 – The Good Wife. Para mim, continua sensacional e viciante!

4 – Treme. Falei que ia ver e não vi.

5 – The Middle. Vi alguns episódios e achei simpatiquinha. Só.

6 – Modern Family. Não inventa a roda, mas continua hilária. Às vezes passa por períodos fracos, mas o nível de risadas é sempre alto.

7 – The Big Bang Theory. Engraçado, tenho simpatia apesar de nunca ter visto um episódio. Quer dizer, vi meio episódio e não me pegou.

8 – Grey’s Anatomy. Tem a capacidade de se reinventar continuamente. Já está na nona temporada e continua muito boa. Ao contrário do que esperava – detestei o final da oitava – esta temporada está impecável. Só poderiam ter matado a Arizona.

9 – Elementary. Caiu no gosto americano. Como disse num outro post, achei meramente legalzinha – qualquer pessoa que já viu Dexter ou algum CSI da vida consegue decifrar os casos, ou pelo menos boa parte do caso. Nem se compara ao Sherlock da BBC.

10 – Fringe. Me mandaram ver a partir do final da primeira temporada.