papel e tesoura – com ponta

Dia das Bruxas e os fantasmas se divertem! Achei sensacional!

Marc Hagan-Guirey implorava ao irmão mais velho que o deixasse assistir aos filmes de terror que alugava, tudo para ter pesadelos algumas horas depois. Os filmes de terror eram o único gosto que os dois dividiam. Muitos anos mais tarde, em 2010, Marc foi a Los Angeles visitar um amigo, que se meteu em grandes confusões para levar Marc até a Ennis House, que serviu de locação para Blade Runner e A Casa dos Maus Espíritos, e é um marco arquitetônico da Califórnia – infelizmente em péssimo estado de conservação. Como agradecimento, Marc fez seu primeiro kirigami, uma réplica da Ennis House numa única folha de papel – dobraduras e cortes.

O modelo fez tanto sucesso que Marc passou a fazer outros, e quando percebeu, eram casas de filmes de terror. O sucesso veio com o reconhecimento de revistas e sites. Agora ele vai expor seu trabalho em Londres. E é muito legal! Para saber mais sobre o projeto Horrorgami e o próprio marc, visite o site Paper Dandy.

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por esta ninguém esperava

Buemba! Polêmica! Desfile de lingerie! Não, como é, produção?

Do nada, do mais absoluto silêncio, a Disney anunciou a compra da Lucasfilm pela bagatela de 4,05 bilhões de dólares. No pacotão, além dos filmes Star Wars e tudo que está agregado a eles, estão a LucasArts (games), Industrial Light & Magic (efeitos visuais) e o Skywalker Sound (efeitos sonoros). O negócio ainda não foi aprovado pelo governo americano, já que a Disney comprou a Marvel Entertainment em 2009 e a Pixar em 2006, mas tudo indica que a Disney vai mesmo virar um mega-hiper-super gigante do entretenimento.

Com a compra, a Disney aproveitou para anunciar  Star Wars – Episódio VII para 2015 e quer fazer novos episódios a cada dois ou três anos – o filme terá uma história original. Além disso, quer uma série para o canal Disney XD e aumentar a presença Star Wars nos parques – não será surpresa se anunciarem um canto exclusivo tipo do Harry Potter. Na prática, George Lucas deixa a presidência da Lucasfilm e se torna consultor da notória produtora Kathleen Kennedy, que já dividia a mesa com Lucas desde junho passado.

O que ainda está incerto é como vão ficar os filmes que a Fox está convertendo para o 3D, e também a série do Cartoon Network Star Wars: A Guerra dos Clones – o Cartoon pertence ao grupo Turner, uma divisão da Time Warner, concorrente da Disney.

Star Wars é uma mina de ganhar dinheiro e de se fazer dinheiro. O CEO da Disney Bob Iger disse que a marca é um ótimo negócio há décadas, mas majoritariamente no mercado doméstico americano. O que a Disney quer, assim como está fazendo com a Marvel, é expandir internacionalmente a marca. Aumentado a presença Star Wars nas lojas, seja em publicidade, brinquedos e novos produtos.

Para quem acha que o Mickey vai virar Jedi e ferrar o mítico universo Star Wars, não criemos pânico e nem sejamos tolinhos. A Disney é uma empresa, ela quer lucro. Pixar é Pixar, Marvel é Marvel e Lucasfilm vai ser Lucasfilm. E sinceramente, o melhor Star Wars nem foi dirigido pelo George Lucas.

007 platinum edition

Eu adorei Skyfall, mas não tão quanto Casino Royale. Veja bem, é James Bond, garantia de locações extraordinárias, cenas de ação implacáveis e ternos bem cortados, mas faltou o “martini, girls and guns”. Talvez seja a direção mais autoral do Sam Mendes (Beleza Americana; Foi Apenas um Sonho) ou esta estranha necessidade atual de fazer filmes mais sombrios e realistas. Skyfall é elegantíssimo, há simbolismos e os enquadramentos obedecem uma simetria quase editorial da Vogue. A história é muito boa e trabalha bem o conflito do novo vs tradicional, e também tem a necessidade de plantar as novas diretrizes da franquia – contar mais estragaria o filme, mas nada que um bom espectador não suspeite.

Em Skyfall, um ciberterrorista está expondo a identidade de agentes do MI6 infiltrados em organizações terroristas. Tudo não passa de uma vingança contra M (Judi Dench), que mais do que nunca, passa a contar com a lealdade de Bond. Há pouco martini no filme e apenas uma bondgirl, Bérénice Marhole, que tem uma participação rápida. Ou melhor, a bondgirl de Skyfall é M. E se ela é o objeto de desejo do filme, o vilão não poderia ser ninguém menos que Javier Bardem – divertidíssimo ao cubo, pena que não há mais diálogos entre Bond e ele. Aliás, este filme tem bastante humor.

Skyfall é um filmaço, mas é diferente dos outros filmes da franquia. Só isso. Exatamente como a música da Adele para o filme.

apanhadão: dexter/nashville/elementary

Dexter. A sexta temporada não foi das melhores, mas ainda sim foi melhor que a terceira, tudo por conta do gancho final. “Oh my God”, disse Dexter. Nós também. Debra finalmente conheceu o dark passenger do irmão adotivo, a pessoa que ela descobriu ser o homem de sua vida. Gostei que a série não fez Dexter enrolar Debra e que ela decidiu ser seu rehab. Acho interessante que em Breaking Bad, por mais que a gente goste do Walter e Jesse, sabemos que seus destinos não serão felizes, é um caminho sem volta, mas em Dexter, há uma esperança de final feliz – à sua maneira, é claro. Porém, algo muito trágico deve acontecer nesta reta final. Rehab de serial killer não tem grandes chances de sucesso. Se o Titus Pullo vai ser o grande vilão da temporada, isso não sei, me interessa mais o cerco contra Dexter.

Nashville. E não é que eu gostei! Diferente do que haviam dito, não é uma série musical nem Dallas disfarçada, mas um drama com música country para pessoas que não curtem ou não se interessam pelo universo country americano. Ou seja, quem esperava country de raiz, que veja o ótimo A Última Noite. Aqui, Connie Britton (nunca gostei dela, mas aqui ela está perfeita) faz uma diva da música caipira de raiz que tem um péssimo relacionamento com o pai, o homem mais rico e influente de Nashville, que quer eleger o genro banana para prefeito, contrariando o desejo da filha. Ela, por sua vez, tem um pedregulho na carreira: os CDs estão encalhados e a turnê não está vendendo como antes. A solução da gravadora é juntá-la à estrelinha do momento, uma não muito talentosa mas ambiciosa mini bitch, vivida por Hayden Panettiere. Na órbita da história estão produtores, assessores, empresários, compositores procurando um lugar ao sol e jovens talentos. Pode parecer adolescente, mas a série é bastante adulta.

Elementary. Hum, Sherlock Holmes nos dias de hoje… depois de oito temporadas de House, dois filmes do Guy Richie e, principalmente, duas temporadas de Sherlock (BBC), fica a pergunta: era preciso? A série é OK, nada extraordinária, mas também não é uma bomba. Falta estilo e afiação, mas por outro lado, se beneficiou de não precisar explicar quem é quem e como é a dinâmica de Holmes. A única diferença em Elementary é que Holmes se mudou para Nova Iorque e Watson é uma mulher, uma cirurgiã que perdeu a licença e que foi contratada para acompanhar Sherlock depois de um período na reabilitação. Ainda não sei se Jonny Lee Miller foi uma boa escolha. Como disse acima, a série precisa ser amolada, e isso pode vir com o tempo.

you don’t own me

Apesar de eu não gostar muito de Girls, eu admiro muito Lena Dunham, a mãe suprema e estrela da série – falando em mãe, vocês já viram Tiny Furniture, filme com a participação da mãe e irmã da Lena? Voltando ao assunto, minha admiração por ela aumentou com seu vídeo político contra as políticas femininas do time republicano do Mitt Romney.

Uma verdadeira batalha pelos direitos igualitários está sendo travada nos Estados Unidos. Enquanto Obama é abertamente favorável ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, Romney já deixou escapulir que o casamento gay deveria ser banido por uma emenda constitucional (e voltou atrás). Ora, se os direitos dos homossexuais não forem garantidos e respeitados, os femininos e de outras minorias também não serão. A antipatia pelos republicanos só aumenta a cada gafe dita em entrevistas e debates, como o “estupro legítimo” e o fichário com nomes de mulheres. Assim, Lena, que tem uma irmã lésbica, gravou um vídeo com mulheres dublando You Don’t Owm Me, hit de Leslie Gore, que apóia a iniciativa. “Eu gravei esta música em 1964 e é difícil acreditar que ainda estamos lutando pelas mesmas coisas”, diz Leslie.

Para entender mais por que Romney é um homem que não ama as mulheres, leia aqui (em inglês).

Em outra corrente, também favorável a Obama, Sarah Silverman critica a obrigação de usar um documento com foto para poder votar. O problema é que muitos americanos não têm um documento de identificação com foto e endereço, como passaporte e carteira de motorista. Na conta dela, são 21 milhões de pessoas que não poderão votar, gente que provavelmente votaria em Obama: pobres, negros, estudantes e idosos.

mad hula hula

E começaram as gravações da sexta temporada de Mad Men! E no Havaí! Bom, ninguém sabe como Don e Megan vão parar lá, mas as especulações são muitas: 1) uma segunda lua de mel 2) foram convidados para um casamento 3) convidados por um cliente 4) Megan foi a trabalho 5) Megan está no elenco de Havaí Five-O

Seja lá qual o motivo da viagem dos dois, o mais importante é que Jon Hamm recorre a mesma tática que eu uso de encolher a barriga.

a música do túnel

Antes de mais nada, é um imenso prazer ir ao cinema e ver um filme tão bem contado, tão bonito e sensível o bastante para te emocionar.

As Vantagens de Ser Invisível conta a história de Charlie (Logan Lerman), 15 anos e já abarrotado de tragédias pessoais. Ele é muito inteligente e sensível, seu último ano foi particularmente muito difícil e ele espera que sua entrada no ensino médio mude as coisas. Depois de tomar coragem, ele se aproxima dos veteranos Patrick (Ezra Miller) e Sam (Emma Watson), que o acolhem de imediato. A partir daí são autodescobertas, frustrações, medos, vitórias e amores. Triste, divertido e mágico, como a adolescência. Ou será que um dia a gente saiu da escola?

Não li o livro, mas fica claro que todas as nuances e entrelinhas estão nas telas graças a Stephen Chbosky – autor, roteirista e diretor. E também graças ao elenco. Logan Lerman (eu mandei ficar de olho nele) consegue segurar o filme sem nunca cair na pieguice e, ao longo dos 103 minutos, ele vai do frisson ao desespero devastador. Grande parte do sucesso se deve a ele. Emma Watson largou Hermione na plataforma 9 3/4 e faz de Sam uma personagem tão viva, apaixonante e humana. Ezra Miller, que bateu de igual para igual com Tilda Swinton em Precisamos Falar Sobre o Kevin, aqui faz um garoto carismático e otimista que atrai todos os olhares para ele. Não tem como não gostar dos três.

Recentemente li a fórmula do filme independente: garoto desajustado e adorável + garota sensível, forte e perfeita + trilha sonora de bom gosto. As Vantagens de Ser Invisível tem tudo isso e sua premissa não é nenhuma novidade, mas seu desenvolvimento é repleto de carinho e sinceridade. Falando assim parece até um filme hippie, o que quero dizer é que o tratamento que o filme recebe vai muito além da sinopse. É empolgação e a coragem de ser jovem (e isso não tem nada a ver com idade). Acho que é impossível ficar indiferente quando ele acaba e já vai virar um filme referência na cultura dos jovens adultos.  Amei!

PS: a música to túnel é Heroes do David Bowie.