adeus, hebe

Hebe Camargo nunca foi campeã de audiência aqui em casa. Não recordo de nenhum momento em que alguém pegou o controle remoto e sintonizou no SBT só para vê-la. Mas me deu um aperto no peito quando soube de sua morte. Em inúmeras entrevistas ela disse que não tinha medo da morte, sentia apenas pena de morrer. E acho que foi realmente uma pena. Ela era a alegria em pessoa, a primeira grande comunicadora da televisão brasileira, tinha o chamado star quality que quase 99% das apresentadoras atuais não têm. Gente como Hebe nasce assim. Ninguém vai rir no velório dela.

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just like a chicken in the casino

Até esta semana eu achava que a letra de Poker Face era “a chicken in the casino”. Fazia todo o sentido. Imagine um frango no cassino, que loucura deve ser! E foi como um frango no cassino que eu fiquei quando Killer Joe acabou. Deu vontade de levantar os braços e sair correndo do cinema. A premissa é absurda, é escancaradamente violento e ainda é uma comédia negra de erros. Horrorosamente engraçado. Poderia tranquilamente se chamar Os Espertalhões.

Chris (Emile Hirsch) é um traficantezinho que perde suas drogas para a mãe e é expulso de casa. Ele está cheio de dívidas e os cobradores não são nada tímidos. Ele então vai para a casa de Ansel (Thomas Haden Church) e Sharla (Gina Gershon), pai e madrasta, que cuidam de Dottie (Juno Temple). A ideia de Chris é contratar Joe (Matthew McConaughey), o assassino do título, para matar a mãe e dividir a indenização do seguro de vida com o pai. Os dois controlam Dottie, a única beneficiada do seguro – a mãe odeia Chris e Ansel. Se é uma comédia de erros, então as coisas não são tão simples assim.

Os dois não tem dinheiro para pagar Joe, e ele aceita o trabalho com a condição de passar a noite com a virginal e ingênua Dottie. Chris e Ansel aceitam a condição, mas Dottie vira a garantia do pagamento. E o desenrolar disso vai até a memorável sequência final, o grande clímax, que envolve um frango. Eu ainda não acredito no que vi!

Graças ao bom Deus, Matthew McConaughey deixou de ser o garotão da praia e começou a fazer bons filmes. Ele continua lindo, tesão, bonito e gostosão (e vemos isso muito bem no filme), mas ele está hipnótico por outros motivos. Joe é perigosíssimo! É o lobo mau da Chapeuzinho Vermelho e também dos Três Porquinhos. Thomas Haden Church faz o típico caipira burro que rouba as cenas, mas quem se destaca mesmo é Juno Temple. Dottie é o único ponto luminoso no meio daquela gente suja que se acha mais esperta que a outra. Ela é lúcida e confusa, reprimida e periguete, faz par sensacional com Joe. Mas claro, nenhum ator funcionaria tão bem se não fosse por William Friedkin, que joga lenha no fogão e sabe muito bem controlar o fogo, e também do roteiro escrito por Tracy Letts, autor da peça homônima na qual o filme se baseia.

Killer Joe não é para estômagos sensíveis, é um tiro na cabeça para estourar os miolos. Se você não tem problema com isso, divirta-se! Eu adorei!

por trás da porta

Rá! Quer saber quem está atrás da porta da Kalinda? É só ver os três primeiros minutos da estreia da temporada! Kalinda é fogo!

Se depender das mil participações especiais (Stockard Channing foi confirmada como a mãe de Alicia em pelo menos um episódio) e do que o casal King está falando, a quarta temporada será impecável. Segundo Michelle e Robert King, a temporada focará mais na vida pessoal dos personagens e que Archie Panjabi mostrará todo o seu potencial como atriz.

The Good Wife volta neste domingo.

meu cavalo só falava inglês

Achei Moone Boy uma série bem simpática. Ela foi criada e é co-protagonizada por Chris O’Dowd (The IT Crows, Missão Madrinha de Casamento), segundo ele,  a história é quase autobiográfica. O’Dowd faz Sean Murphy, o amigo imaginário de Martin Moone, que acaba de fazer 12 anos e vive com a família no interior da Irlanda na década de 1980 (corrigindo: exato 1990). Martin é um daqueles garotos com imaginação fértil e deslocada (ter um amigo imaginário aos 12 anos não é muito normal), é alvo de bullying na escola e tem três irmãs mais velhas, que parecem ser bem mais velhas e são bem casca grossa.

Sean é como o Grifo Falante para Martin e é a parte mais legal da dupla – particularmente, achei o novato David Rawle meio forçado, mas isso é o de menos. O destaque do primeiro episódio é o pai de Martin, Liam, que decide retomar sua autoridade de pai e forma uma espécie de clube com outros pais desrespeitados.

Não é uma série hilariante ou brilhante, mas como disse, é muito simpática. É exatamente como Chris O’Dowd. Tem cara de gente boa, é fofo e tudo mais, mas não é o cara mais bonito ou gostoso da festa. Por algum motivo a gente gosta de olhar para ele. Vale a pena ver, e também são apenas seis episódios – uma segunda temporada já foi encomendada!

família creepy

Enquanto Old Boy está ganhando remake americano pelas mãos de Spike Lee, Park Chan-wook faz seu debut em terras não coreanas. Qualquer filme dirigido por Chan-wook me deixa curioso, mas Stoker ainda tem o roteiro escrito por Wentworth Miller sob o pseudônimo de Ted Foulk. Miller, na minha cabeça, é tão interessante quanto seu personagem em Prison Break, Michael Scofield, e seu roteiro circulou por Hollywood e entrou na Black List, a famosa lista de excelentes roteiros não produzidos.

Pela prévia, Nicole Kidman (que parece ter voltado com tudo), Mia Wasikowska e Matthew Goode devem formar uma das famílias mais sinistras dos últimos tempos no cinema. Elas são mãe e filha, Goode faz um tio distante que vai ao enterro do irmão, marido da personagem de Kidman, e influencia sinistramente a sobrinha. Stoker está previsto para o dia 1º de março de 2013 (no Brasil). A expectativa está no céu!

festival do rio 2012 – chegou a hora

Festival do Rio começa amanhã e a vida fica uma loucura. Mesmo quando a seleção é ruim, você quer ver trocentos filmes – e para falar a verdade, destes trocentos, apenas 15% são realmente bons. Na edição deste ano, são 400 filmes vindos de 60 países, especialmente do Reino Unido, o país homenageado do ano (embora haja mais filmes portugueses). Há também mostras homenageando os diretores John Carpenter, Manoel de Oliveira, João Rodrigues e Alberto Cavalcanti. Para a nossa alegria, a safra 2012 está bem legal (queria muito que The Master estivesse na lista)! Logo, trocentos filmes ao cubo! Mesmo que você tenha todo o tempo do mundo, não dá para ver tudo. É preciso escolher, e aqui estão as minhas, mas antes, eu mostro como reduzo minha lista.

1 – Pegue a programação (fique de olho diariamente no site, pois as sessões podem ser alteradas ou cancelas) e escolha os filmes que você quer ver. Anote os horários e os códigos.

2 – Entre no Filme B e veja quais são os próximos lançamentos comerciais. Nisso você já corta bastante coisa. Por exemplo, eu quero muito ver Moonrise Kingdom e vai passar no festival, mas o filme entra em circuito assim que o festival acabar. Ruby Sparks, A Negociação (Arbitrage), Celeste e Jesse Para Sempre também estreiam em breve.

3 – Provavelmente você vai ficar em dúvida entre um e outro. Veja o que o Rotten Tomatoes, Metacritic, o Allocine e o IMDB dizem, são bons termômetros. Muitos dos filmes que estão no Festival do Rio passaram por outros festivais como o de Cannes, Sundance, Berlim e Veneza. Na dúvida, veja o que os críticos acharam.

4 – A lista já deve ter encolhido bastante, então está mais fácil de encaixar os filmes de acordo com seus horários. Minha dica é equilibrar os filmes, não ver dois filmes pesados em seguida. Em 2006, eu vi Babel e O Labirinto do Fauno com um intervalo de apenas 15 minutos (literalmente saí correndo de um cinema para outro). Quando O Labirinto acabou, parecia que estava carregando uma bigorna na cabeça. Em maratonas, carregue sempre água e alguma comidinha.

5 – Todo ano tem um filme sensação que todo mundo quer ver. Se você também quer ver, fique de olho, pois ele geralmente chega e é confirmado só no meio do festival. Os ingressos para ele só começam a ser vendidos depois da confirmação, então o negócio é ficar de olho no site do festival ou do ingresso.com.br.

Smashed. Um casal de alcoólicos (Aaron Paul e Mary Elizabeth Winstead) vive “bem” até que a personagem de Winstead decide ficar sóbria. Com isso, ela precisa encarar sua família e a relação com o marido é testada. A ganhadora do Oscar Octavia Spencer está no elenco.

Rust and Bone. Ganhou o título de Ferrugem e Osso, é o filme em que Marion Cotillard faz uma treinadora de baleias e sofre um acidente. Já foi bastante falado neste brogui.

Cesar Deve Morrer. Filme italiano vencedor do Festival de Berlim. Dentro de uma prisão de segurança máxima em Roma, os diretores Paolo e Vittorio Taviani ensaiaram a peça de Shakespeare com os detentos (de verdade). O filme é sobre esta montagem e como a história de Cesar é contemporânea.

Indomável Sonhadora (Beasts of Southern Wild). Uma menina de seis anos vive isolada com seu pai no delta de um rio. Quando uma tempestade eleva o nível da água, o pai adoece e criaturas pré-históricas despertam. Enquanto tenta sobreviver à catástrofe, ela sai à procura da mãe. Prêmio do Juri em Sundance.

Pietá. Filme coreano do Kim Ki-Duk (O Arco, A Casa Vazia) sobre um homem solitário e bruto que trabalha cobrando dívidas para agiotas. Um dia, uma mulher aparece e diz ser sua mãe. Ele a rejeita de imediato, mas aos poucos a aceita. Sua vida começa a mudar. Ele larga o emprego, mas sua mãe é sequestrada. Com isso, ele acaba se deparando com segredos de seu passado. Venceu o Festival de Veneza, tirando o Leão de Ouro de The Master.

Electrick Children. A premissa é louca. Uma adolescente mórmon de 15 anos ouve uma fita cassete de rock. Três meses depois ela está grávida e acredita que a fita a engravidou. Para encontrar o pai de seu filho, ou a pessoa que gravou a fita, ela parte para a cidade mais próxima de sua comunidade: Las Vegas. Com Julia Garner, Rory Culkin e Billy Zane.

Killer Joe. Novo filme do William Friedkin (O Exorcista, Operação França). Emille Hirsch faz um traficante que tem suas drogas confiscadas pela mãe. Com uma dívida de seis mil dólares, a única solução que encontra é contratar um assassino de aluguel, Joe, o policial vivido por Matthew McConaughey, para matar a mãe e receber o seguro de vida. Como ele não tem dinheiro para pagar o serviço, ele oferece sua irmã (Juno Temple) para ficar com Joe até tudo estar quitado.

Quem tiver mais sugestões, é só colocar nos comentários!

rindo com protógenes

Se você está tristinho, vamos rir um pouco do deputado Protógenes Queiroz. Só para resumir, o nobre deputado foi ao cinema com seu filho de 11 anos  ver Ted (a classificação do filme é de 16 anos), o filme politicamente incorreto do Seth McFarlane. Por ter Mark Wahlberg e um ursinho de pelúcia como protagonistas, ele deduziu que se tratava de um filme infantil.

Amo gente que acha que animação é coisa de criança e que vai ao cinema ou teatro sem ter se informado do que vai ver! A entrevista indignadíssima pode ser lida aqui, mas eu vou colocar a melhor aspas.

“As crianças que veem as ilustrações todas querem assistir ao filme, porque tem um urso falante. Qual adulto quer ver um filme sobre um urso falante? O urso de pelúcia é um ícone de qualquer criança, menino ou menina. Mas (no filme) aquele ícone querido não estuda, não trabalha, consome drogas, só pensa besteira o tempo todo. Aí entra na polêmica que estou querendo proibir. Sou a favor da liberdade de expressão, mas desde que sejam obedecidos determinados critérios da capacidade de entendimento do indivíduo. Como um pré-adolescente consegue entender que aquilo vai ser um risco?”

Ah, deputado, nisso o senhor tem razão. O meu Mario, por exemplo, desde criancinha vive correndo atrás de cogumelos. Uma lástima! O irmão está indo pelo mesmo caminho.

goela abaixo

Não quero discutir a Nova Lei da TV Paga (que já não é tão nova assim, está em vigor desde setembro de 2011), mas vou precisar passar por ela para falar do quão ridículo é um canal como o Sony. A Nova Lei só evidencia o desastre de sua programação.

Resumidamente, a Nova Lei da TV Paga obriga os canais (que exibem séries, documentários e programas de variedades) a terem um espaço semanal de produção brasileira no horário nobre (18h às 24h). Jornalismo e eventos esportivos não valem. Em 2013, este espaço deverá ser de 3 horas e meia por semana, por enquanto, é de 2 horas e vinte minutos. E mais: a partir de outubro de 2013, os pacotes de tv paga deverão oferecer um canal brasileiro em cada três “canais de espaço qualificado”, que são estes como o Sony, Fox e Discovery. Teoricamente, a lei é ótima, incentiva a produção e dá um gás na concorrência, já na prática a coisa é diferente.

São muitos prós e contras. Particularmente, acho muito bonitinho, mas de onde vai vir o dinheiro? Uma coisa é a HBO ou o Discovery co-produzir, outra coisa é uma produtora independente fazer tudo do zero. Vai vir tudo pela Lei Rouanet? Estamos falando de TV paga, onde a maioria dos canais não atingem nem um ponto de audiência. Sei não. Acho tudo muito mal feito.

Esta lei pede um pouco de bom senso aos canais, pois não há nada que os impeça de reprisar e reprisar. Por exemplo, se um canal tem apenas uma série de doze episódios, ele pode exibir, por meses e meses, quatro episódios durante a semana para cumprir a cota. Então vejamos, se vários canais hoje já reprisam suas séries e filmes (não brasileiros) sem vergonha alguma, imagina na Copa! E é aí que entra o Sony.

No ano passado eu fiz um post sobre como o Sony é um canal burro. Mudou alguma coisa? Não! Nadica de pitiguiriba. Os mesmos filmes são exibidos religiosamente todos os meses – Sete Vidas, A intérprete, Peter e Vandy – e para botar no mesmo saco, o Universal faz o mesmo. Neste canal há o estranho mantra de que todos no mundo devem ver Velozes e Furiosos. Mas como o Sony está se comportando com a esta lei? Reprisando filmes brasileiros nas noites de sábado, é claro. Neste próximo, dia 29, passa Cazuza e Houve Uma Vez Dois Verões. No dia 06 de outubro vai exibir Carlota Joaquina e Deus é Brasileiro. No sábado seguinte, dia 13, reprisa Deus é Brasileiro e Casa de Areia. Já no outro sábado, passa novamente Casa de Areia e Cazuza. No último sábado, Carlota Joaquina dá as caras novamente, mas na companhia de 2 Filhos de Francisco. Sentiu o drama?

E Saturday Night Live? Continua indo ao ar na faixa da uma da matina! E sem reprise. E o meu querido Top Chef? Well, teve quase todas as temporadas reexibidas durante a semana – quase porque pularam uma das melhores, a sexta – me fazendo acreditar que iam exibir a oitava (a all stars, com os melhores participantes das temporadas anteriores). Que nada, vão reprisar tudo do começo.

Sony. Tem que ver. Ou ver de novo. E de novo… e mais uma vez…

emmy 2012 – eu S2 aaron paul

Não acho que Homeland seja melhor que Mad Men e Game of Thrones, mas também não dá para dizer que a grande vitória de Homeland (grande mesmo: série, ator, atriz  e roteiro) foi injusta. Engoli seco a vitória de Maggie Smith e ri horrores com Amy Poehler e Ricky Gervais. Só que para mim, a noite foi do Aaron Paul! Estou todo errado com Breaking Bad, mas eu amo Aaron Paul de paixão. E ele se emocionou tanto! Foi lindo! Onde vende?

 

O cabelo da Claire Danes estava lindo, mas o vestido…. Putz, ela pegou um saco amarelo, colocou um elástico no peito e outro na cintura.