x-men.doc ou akira

Às vezes, um jovem diretor e/ou roteirista, quase sempre egresso da televisão ou da publicidade, aparece com uma grande ideia e consegue traduzi-la para o cinema de forma muito eficiente. Como recompensa, acaba ganhando de um grande estúdio a árdua tarefa de reinventar um filme feito há não tanto tempo assim. Matt Reeves (Cloverfield, Deixe-me Entrar), Marc Webb (500 Dias com Ela, O Espetacular Homem-Aranha) e Neil Marshall (Abismo do Medo, Centurião, a Batalha de Água Negra de Game of Thrones, The Last Voyage of the Dementer) são alguns exemplos recentes, e agora, Josh Tranks se junta ao grupo depois do ótimo Poder Sem Limites (Chronicle). Tranks, de 27 anos, foi anunciado pela Fox como responsável pelo reboot de O Quarteto Fantástico (afinal, Chris Evans não pode ser Capitão América e o Tocha em Os Vingadores 2).

Poder Sem Limites parecia mais um filme vagabundo de “imagens encontradas”, em que o protagonista é o câmera e tudo não passa de um artifício para camuflar o baixo orçamento, efeitos ruins e roteiro pé de chinelo. Felizmente não é, o amadorismo da câmera tem uma função na história e ela evolui numa sacada inteligente de Tranks e do roteirista Max Landis. A trama começa com Andrew, um adolescente esquisitão, solitário, preocupado com a mãe em estado terminal e que tem problemas com o pai abusivo (claro). Ele usa a câmera justamente para registrar as agressões que sofre e também para documentar a existência da mãe. A câmera poderia virar seu único meio de contato com o mundo exterior se não fosse por Matt, seu primo e amigo, o oposto de Andrew, extrovertido, muito interessado em filosofia e que sabe conversar com garotas. Tudo muda durante uma festa, quando os dois se juntam a Steve, garoto popular da escola, para adentrar num buraco no meio de um campo.

O buraco não é explicado, nem o que tem dentro e como os três acordam com poderes telecinéticos, e antes que apontem isso como um defeito, digo que nenhuma explicação é necessária. A fase dos três adolescentes descobrindo seus superpoderes é a parte mais legal do filme, simplesmente porque eles fazem o que qualquer adolescente faria, seja levantar a saia das meninas ou pregar peças no supermercado. Na euforia de saber que nem o céu é o limite, a responsabilidade por seus atos e o lado sombrio de Andrew começam a aflorar, e o filme entra num ato explosivo e descontrolado (o filme tem 85 minutos muito bem usados) que lembra muito Akira. Mas este ato funciona principalmente porque Tranks tem a mão firme e Dane Dehaan é um ótimo ator.

Dehann é visto como um dos mais promissores atores do momento, ele começou a se destacar na terceira temporada de In Treatment, foi um lobinho em True Blood e está no elenco de pelo menos três filme que prometem badalar na temporada de premiações – Os Infratores, The Place Beyond the Pines e Kill Your Darlings. Ele lembra um pouco o Leonardo DiCaprio quando adolescente, e provavelmente terá uma carreira bastante interessante de se acompanhar. Em Poder Sem Limites, ele dá a Andrew toda a amargura, raiva e deslumbramento que justificam os seu atos.

Poder Sem Limites não inventa nem reinventa nada, mas traz novas ideias para um gênero que caminha sempre na mesmice. O filme é muito bom, uma grande surpresa, mas o melhor é poder acrescentá-lo na lista dos “filmes de baixo orçamento, feito por gente muito jovem, descaradamente comercial e com cérebro”.

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