as crianças perdidas e mais uma chance para as meninas

Lendo sobre Hit and Miss, acabei chegando a Shameless (EUA). Em comum,  o nome Paul Abbott, criador das duas séries, e a temática de uma família que consegue funcionar sem o papel dos pais. Em Hit and Miss, a transexual Mia acaba assumindo uma família a qual só é ligada por um filho que ela só descobriu ter 11 anos depois. Já Shameless (a versão original já está em sua 9º temporada na Inglaterra) mostra seis irmãos sobrevivendo depois do abandono da mãe e o alcoolismo do pai.

A temática das duas séries, principalmente de Shameless, é bastante familiar para Abbott, pois ele é o sétimo de oito irmãos, teve uma mãe que sustentou a família com três empregos e depois os abandonou por um novo relacionamento. Mais tarde, foi a vez do pai abandonar a família, deixando o sustento sob responsabilidade da irmã mais velha, na época com 16 anos e grávida. Eles sobreviveram assim por algum tempo, digamos que o dinheiro vinha de negócios não muito lícitos, e depois ficaram sob cuidado da assistência social, que encaminhou Abbott para pais adotivos. Em Shameless é quase assim. A mãe dos Gallagher abandonou o barco e quem assumiu o comando foi Fiona (Emmy Rossum), que se desdobra em diferentes empregos e tenta fazer os irmãos comerem aveia, enquanto o pai Frank (William H. Macy) vive bêbado ou caído em algum canto do bairro. Apesar do caos, não há espaço nem tempo para reclamar da vida, cada um contribui e se vira como pode, mas fica claro, em alguns momentos bem sutis, que todos ali sofrem de alguma carência, como no terceiro episódio, com Lip e Karen deitandos sob os trilhos do trem elevado. Frank, por outro lado, não é um pobre coitado, chega a ser detestável, mas a amargura e raiva dentro dele mostram que ele não é simplesmente um bebum que só aparece quando precisa de algo.

A rotina dos Gallagher é tumultuada. Dinheiro é problema, mas não é o maior deles, pois eles acabam se virando – Ian trabalha no mercado depois da aula e Lip dá aulas particulares, além de fazer provas do SAT para terceiros – e apesar de serem bastante maduros, eles também têm problemas afetivos. Fiona não sabe como a química com Steve (Justin Chatwin) funciona, Ian é gay e o único da família que sabe é Lip (a relação dos dois é a melhor parte da série), mas a figura do pai ausente sempre acaba pesando – família é família.

A versão americana de Shameless é interessante porque ela traduz bem o humor britânico para a periferia de Chicago, ela tem uma dinâmica muito particular, digamos que seja um misto das espertezas de Weeds e Malcom in the Middle (alguém lembra?), um caos para os personagens, mas totalmente controlado por alguém que já esteve dentro deste furacão.

E eu dei mais uma chance para Girls. Bom, a segunda impressão foi melhor, mas eu continuo querendo dar um tiro na cara da Hannah.

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5 comentários em “as crianças perdidas e mais uma chance para as meninas”

  1. Isso quer dizer que você vai começar a comentar sobre Shameless também? (dedos cruzados).
    Adoro a série! Não posso dizer nada sobre a inglesa, porque nem senti necessidade de ir atras dela com esse versão americana tão boa que é. Sempre que termino de ver um episódio não sei se fico triste, por todas as desgraças que acontece com essa família, ou feliz, de ter visto mais um episódio excelente.

    E sobre Girls, eu amei até o ultimo episódio mas é praticamente impossível assistir essa série e no fim não querer dar um tiro na cara da Hannah. kk

    1. Eu pensei em ver a versão original, mas achei a americana mais atraente. Fora que a inglesa já está em sua 9ª temporada – e dizem que ela já se perdeu há alguns anos.
      Amo o Lip e odeio a Hannah!

  2. Uai, eu já tinha escrito algo aqui sobre esse post. Tb escrevi sobre o marido de Kalinda, mas nao apareceu. O blog está me censurando, hehehehe.

    Como quero fazer uma única crítica a Girls, série q gostei mto, refaço o texto: Eu detesto a Hannah. Ela é o protótipo total de Loser. Gosto de todas as outras. O pior foi ela ter ficado no apartamento. Como assim?!?!?!?

    Pelo q vcs falaram, Shameless deve ser bom. Vou providenciar pra assistir.

    1. O blog está te censurando mesmo, procurei os comentários e não achei – às vezes acontece de você comentar usando outro e-mail e ele solicitar minha autorização para aparecer, mas não foi o caso.
      Eu acho que você vai gostar de Shameless, tem ótimos personagens, e quando você menos espera, a série ganha densidade e maturidade comoventes.

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