prometido e quase cumprido

Dizem que um filme pode ser ruim, mas que se salva se o final for bom, mais ou menos como num jantar em que o prato principal não é lá essas coisas, mas a sobremesa é dos deuses, você paga a conta e sai feliz do restaurante. Mas e quando é o contrário? Prometheus estava carregado de expectativas e eu até apostei que seria o melhor filme do ano. De fato, a primeira metade é hipnotizante, de se segurar na cadeira, prender a respiração e não piscar. Depois a história começa a apostar em reviravoltas esquisitas, esburacadas e deixa um gosto bem amargo na boca. As pessoas andam falando que o filme é decepcionante, mas acho que é um adjetivo muito forte, mas é compreensível, ainda mais porque a primeira metade é tão boa, promete tanto e tem a mesma potência das obras primas do Ridley Scott, Blade Runner e Alien.

Prometheus não é exatamente um prelúdio de Alien, está no mesmo universo, o nome Weyland aparece, se passa anos antes  e tem seus elos, mas não foi feito como um prelúdio. Na verdade, nas palavras de Ridley Scott, é uma história construída a partir da premissa de Eram os Deuses Astronautas, livro de  Erich von Däniken que posteriormente virou documentário. Para Erich, civilizações antigas como os sumérios, egípcios e astecas recebiam constantes visitas de extraterrestres que lhes passavam conhecimento e tecnologia. A partir disso, Scott e o roteirista Damon Lindelof construíram a história que começa com a descoberta de pinturas rupestres na ilha de Skye, na Escócia. Esta descoberta comprova a tese da dra. Elizabeth Shaw (Noomie Rapace) de que a raça humana descende de extraterrestres e ainda mostra a constelação onde fica o planeta originário de nossos criadores, ou engenheiros, como nomearam no filme.

Acho que o filme pode ser interpretado de diversas maneiras e dependendo do caminho escolhido, ele deixa o filme 100% bom. Pode-se pegar a mitologia de Prometeu, o titã que roubou o fogo de Zeus e deu aos homens. Como punição, foi acorrentado numa rocha por toda a eternidade tendo seu fígado dilacerado por uma águia. Ou pode ser por um prisma religioso, ou até o clipe de Born This Way. De qualquer forma, tanto Alien quanto Prometheus são filmes feministas, não só por terem protagonistas mulheres e fortes, mas por tratarem do maior dos poderes: a criação. E é justamente neste ponto que o filme empaca, ele desvia do foco inicial e aposta em lados, digamos, menos condizentes (e houve momentos em que eu disse “ai, não, por favor, não”).

Tudo em Prometheus é gigantesco (fazia tempo que não via proporções tão colossais na tela), é obrigatório ir ao cinema ver o trabalho extraordinário de cenografia, direção de arte e fotografia. Ridley Scott sabe preencher uma tela de cinema e espero que a vida lhe dê muitos anos, saúde e lucidez para que continue fazendo o que sabe. Fora a grandiosidade técnica, há cenas agoniantes, tomadas deslumbrantes na Islândia e na Escócia, e Michael Fassbender fascinante como o androide David – talvez a síntese do filme, se ele fosse integralmente excelente.

Vale muito a pena assistir Prometheus, mas diminua suas expectativas e não deixe que elas subam muito durante a projeção!

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