procurando sombras

Assim como eu busco incansavelmente  um bom sorvete de pistache (sério, é difícil, a maioria é muito doce ou verdemente artificial), eu também cavuco atrás de bons filmes de terror/suspense. Num mar de filmes que tentam reinventar o gênero com falsos documentários, filmagens encontradas e possessões modernas, vi dois filmes que podem não ser incríveis, mas são interessantes.

A Mulher de Preto, ou Harry Potter e a Mulher de Preto, é um terror clássico, como há muito tempo não era produzido. Apesar da brincadeira, Daniel Radcliffe não está mal, agora como um advogado e pai viúvo que precisa ir até um vilarejo para acertar a papelada de um casarão, como Jonathan Harker indo até o castelo de Drácula. Todos os elementos tradicionais estão lá: a tragédia pessoal, o isolamento, a atmosfera gótica, uma casa velha cheia de coisas assustadoras (tem coisa mais medonha que pierrot de porcelana?), névoa, muita névoa, e a aparição de uma mulher toda vestida de preto. O filme não quer modernizar nada, pelo contrário, sustenta-se no choque entre o advogado londrino e os moradores do vilarejo que querem que ele vá embora imediatamente. Ele, tão melancólico e em frangalhos desde a morte da mulher, interessa-se mais pelo sobrenatural que por se manter no emprego (no lugar dele, já estaria bem longe), e tratando-se de uma história clássica, seu final é a redenção.

Assim como A Mulher de Preto, O Despertar se passa no início do século passado, num momento em que muitas pessoas, principalmente a aristocracia européia, passaram a se interessar pelo ocultismo e a possibilidade de se comunicar com mortos. No filme, Florence (a incrível Rebecca Hall) perdeu o noivo na guerra e desde então dedica-se a desmascarar eventos paranormais. Isso a consome, mas é como ela lida com o luto. Ela é então chamada para investigar a aparição do fantasma de um menino num colégio interno e que pode ter sido responsável pala morte de um outro.

O Despertar parte do princípio que a gente já viu mil filmes do gênero e que por isso conhecemos as regras do jogo. A gente sabe, desde que Robert (Dominic West) a chama para a investigação, que ela tem uma ligação pessoal com os eventos no colégio, e é em cima disso que o filme constrói o seu suspense. Sim, é claro que ela vai duvidar de seu ceticismo, mas tudo é feito com muita elegância e bom gosto,  lembra Os Outros.  Confesso que não teria visto o filme se não fosse pelo trio de atores. Além de Rebecca Hall e Dominic West, há também Imelda Istaunton como uma espécie de governanta do colégio. E para quem gosta de Game of Thrones, Bran Stark é um dos garotos.

Entre A Mulher de Preto e O Despertar, eu fico com o último. No final das contas, o pano de fundo é sempre uma história muito triste.

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