um pulo na croisette

Festival de Cannes rolando e a gente se pergunta qual a importância dele. Bem, já foi, disparado, o principal festival de cinema do mundo, depois caiu num bairrismo clubinho croisette, e agora tem grande importância para o cinema internacional, incluindo Hollywood. Foi no Festival do ano passado que três filmes foram catapultados e se mantiveram brilhando até o fim do ano, para a temporada de premiações nos EUA: O Artista, Meia Noite em Paris e Drive.

Para o mercado, Cannes é um feirão da casa própria. Se os grandes estúdios deixaram de produzir filmes menores ou co-produzir filmes independentes para investir em blockbusters, é lá que eles encontram produções que podem ter uma boa bilheteria ou conseguir alguns prêmios ( ainda é importante ganhar prêmios). A Weinstein Company, por exemplo, vai exibir previews de três aguardados filmes de para a imprensa: The Master (de Paul Thomas Anderson, que era esperado para Cannes), Django Livre (novo do Tarantino) e Silver Linings Playbook (novo do David O. Russel). Outros filmes esperados também estão sendo mostrados no festival, como Only God Forgives (Nicolas Winding Refn com Ryan Gosling).

Entre a mostra competitiva e as paralelas, alguns filmes já chamam atenção. Diferentemente de outros festivais, a unanimidade nunca impera em Cannes. Logo, quanto mais a plateia se divide (num modo xiita, aplauso de pé + gritos de “bravo” vs. vaias), melhor para o filme.

Rust & Bone. É quase unânime que Marion Cotillard vai levar a Palma de atriz. Ela retorna ao cinema europeu no papel de uma adestradora de baleias que perde as pernas num acidente dentro de um parque aquático e se envolve com um lutador de rinhas clandestinas (Matthias Schoenaerts). A direção é de Jacques Audiard, de O Profeta. Se o trabalho dos atores foi aplaudidíssimo, o mesmo não se pode falar do roteiro. Metade da crítica o achou inverossimilhante demais.

The We and the I. O novo do Michel Gondry (Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças) não está na mostra competitiva mas muitos acharam que ele deveria ter sido selecionado. É um Entre os Muros da Escola sobre rodas, acompanha a viagem de ônibus de uma turma de adolescentes pelo Bronx, depois do último dia de aula. Questões juvenis, bullying, relacionamentos…

Antiviral. É o filme que todos estavam curiosos para ver. Se filho de peixe, peixinho é. E parece que é. Antiviral é um filme de Brandon Cronemberg, filho de David, e herdou dele o mesmo fascínio pelo horror biológico. A história é sobre um funcionário de uma clínica que vende amostra de vírus encontrados em organismos de celebridades para serem injetados em fãs ardorosos.

Beyond the Hills. Novo trabalho de Cristian Mungiu, diretor romeno de 4 meses, 3 semanas e 2 dias.  A trama se passa no interior da Romênia, quando uma jovem decide ingressar num mosteiro onde uma amiga se refugiou. Alina acha que assim resgatará a amizade com Voichita, que já fez seus votos. Um padre tenta convencer Alina de que Voichita está em outra “esfera”, mas Alina enlouquece e o padre acredita que ela está possuída, começando assim um exorcismo.

Os Infratores. O filme de gangster dos anos 30 agradou. A direção é de John Hillcoat (A Estrada) e tem um elenco estelar: Tom Hardy, Gary Oldman, Mia Wasikowska,  Jessica Chastain e Shia LaBeouf. A história é sobre uma família que lucra ilicitamente com a Lei Seca, mas quando autoridades querem uma fatia dos lucos, começam os tiroteios.

Ainda tem uma semana de festival e muitos favoritos ainda vão passar pelo tapete vermelho: The Paperboy, Mud, Amour, Cosmopolis, Killing them Softly, Beasts of the Southern Wild e Na Estrada.

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Um comentário em “um pulo na croisette”

  1. […] Festival de Cannes chegou ao fim com a grande vitória de Amour, mais um prêmio para Michael Haneke. Mas quem levou o de direção foi o mexicano Carlos Reygadas – reações controversas. Cosmina Stratan e Cristina Flutur, ambas de Beyond the Hills, dividiram o prêmio de atriz e o filme também ganhou na categoria roteiro. Mads Mikkelsen, de The Hunt, levou o prêmio de ator. A decisão do juri, presidido por Nani Moretti, foi vista como justa (menos na categoria direção), mas também como xenófoba por esnobar filmes americanos de grande qualidade (leia-se Mud, The Paperboy, Killing Them Softly e Cosmopolis). Esta “injustiça” pode ser facilmente corrigida no Oscar e Globo de Ouro. De qualquer forma, seja lá qual fosse o resultado, não seria uma unanimidade. O primeiro pulo pode ser lido aqui. […]

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