faroeste urbano

O herói de Drive é um homem pacato, quieto e contido. Fechado em seu mundo particular, ele demonstra suas emoções de forma discreta através de olhares e sorrisos, como um mocinho bang bang à la Clint Eastwood ou John Wayne, mas muito mais charmoso, um personagem ideal para Ryan Gosling. Drive é um filme doce e furioso, um romance para adultos urbanos levado às últimas consequências. É estilizado – a jaqueta prateada com um escorpião estampado, o palito de dente, o labirinto formado pelas ruelas de Los Angeles e a trilha sonora, mas também é realista. Um filme que daqui a vinte anos será lembrado como um clássico do gênero.

Na trama, o motorista sem nome passa os dias entre uma oficina mecânica, sets de filmagem onde trabalha como dublê e dirigindo tranquilamente servindo como motorista de assaltantes. Seu mundo é abalado quando conhece a vizinha Irene (Carey Mulligan), que traz na bagagem um filho e um marido prestes a sair da cadeia. Como bom herói, seu interesse na mocinha se estende ao seu bem-estar e por isso ele aceita ajudar o marido dela num último roubo. As coisas dão errado, desencadeando numa cadeia de fúria sensata e consequências desastrosas, e na melhor cena de beijo que o cinema viu nos últimos anos!

Drive é baseado no livro de James Sallis e tinha Hugh Jackman como protagonista e Neil Marshall (Abismo do Medo, Centurião) como diretor. Quando Gosling pegou o papel, ele escolheu o dinamarquês Nicolas Winding Refn (Bronson) como diretor. Ironicamente, Refn não tinha interesse em carros e nem tem carteira de motorista (reprovou 8 vezes na prova). Além do mais, seria a primeira vez que dirigiria um roteiro não escrito por ele mesmo. Depois de uma reunião frustrada (Refn passou muito mal, estava gripado) e uma carona no carro de Gosling, ele acabou aceitando o trabalho. E ainda bem, pois sua direção é precisa e controlada.

Se não bastassem estes motivos para ver Drive – com certeza um dos melhores filmes de 2011 – o restante do elenco merece atenção. Albert Brooks, Ron Perlman, Bryan Cranston e Christina Hendricks. Sério, este filme vai ser um clássico!

> Alguém me explica por que a Imagem Filmes, que distribui o filme no Brasil, colocou uma referência da crítica do NYT no trailer, sendo que o jornal deu uma crítica negativa ao filme? Tivesse mantido a vitória no Festival de Cannes. “… have been waiting 30 years to see” (sobre a atuação de Albert Brooks) não é  “… esperamos 30 anos para ver um filme como este.”

Anúncios

4 comentários em “faroeste urbano”

    1. Olá, Virgilio, que bom que gostou! Acabei de dar uma passada no seu tumblr (acho que é uma evolução dos blogs) e gostei bastante. Seus textos têm a medida certa, “escrever é cortar palavras”, Carlos Drummond disse uma vez, são informativos e têm humor! E não tem uma coisa muito comum hoje em dia, afetação. O único conselho que posso te dar é atualizar sempre, mesmo que seja uma besteirinha, porque depois de um tenebroso inverno sem postar, dá uma preguiça….

      1. PS: Eu não sei comentar no Tumblr, por isso estou fazendo isso aqui, ok?
        PS: Achei uma pena que Hair demorou tanto para estrear em SP. A ideia era que viajasse logo depois da temporada carioca, mas parece que o teatro estava em reforma e não ficou pronto a tempo. Você tem razão quando disse do amadurecimento técnico dos musicais e Hair é uma prova disso.

  1. Alexandre, valeu por ter dedicado um tempo para responder o meu post. Vou ficar atento ao seu conselho. Abração. V.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s