amor confuso amor

Gosto muito da Sarah Polley desde Minha Vida Sem Mim, uma atriz que faz Madrugada dos Mortos e depois escreve e dirige um dramalhão como Longe Dela.  Ela me lembra muito a Elizabeth Moss (ou o contrário). Take This Waltz é seu terceiro longa como roteirista e diretora e tem Michelle Williams e o agora magérrimo Seth Rogen no elenco. Trata-se de mais um triângulo amoroso, mas vindo de Polley, é mais interessante. Estreia em junho nos EUA.

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para pina com amor

Wim Wenders não tinha interesse em dança até sua namorada puxá-lo para um espetáculo de Pina Bausch. Ele amou e os dois ficaram amigos. Durante 20 anos, os dois planejaram levar a experiência de ver um de seus espetáculos ao cinema, mas ele nunca encontrou uma forma ideal para adaptá-lo à tela. Com a explosão do 3D em 2009, eles finalmente resolveram fazer o documentário, mas Pina faleceu dois dias antes do início das filmagens, vítima de câncer de pulmão, aos 68 anos. Depois do período de luto, Wenders começou a filmar os espetáculos do Tanztheater Wuppertal Pina Bausch, grupo de dança, mas sem saber no que daria. Só depois que veio a ideia de fazer uma homenagem, um tributo à genialidade da amiga.

Durante o filme há relatos, na verdade parecem mais pensamentos, de seus dançarinos e homenagens individuais. É quando a gente vê o real papel de Pina, não só a dançarina, a coreógrafa e a diretora, mas a professora Pina, que os acolheu. No momento em que eles menos esperavam, ela chegava e dizia algo que acendia a fagulha neles. “Você é a mais frágil do grupo. A fragilidade é a sua força”, “Por que você tem medo de mim, eu não te fiz nenhum mal”, “Continue procurando”. Palavras tão relevantes que eles se lembram até hoje e que também ajudam o espectador a conhecê-la melhor, uma mulher inquieta que misturava alegria, solidão, tristeza, sofrimento, amor e rejeição. E cortando estas aspas há dança, muita dança, que o 3D mostra com uma intimidade assustadora. São trechos de Lua Cheia, Sagração da Primavera, Café Müller e Kontakthof (neste último, Wenders funde 2 gerações de dançarinos), que ficam tão próximos que é quase possível se sujar de terra, se molhar ou morrer de tristeza.

Pina é uma declaração de amor, de amizade e de gratidão. Também é um escândalo visual e de movimento. Belíssimo! Vendo o filme, percebendo a importância e o poder da arte, as mesquinharias que nos cercam ficaram do tamanho de um grão de arroz.

Eu sei que é um filme que não atrai um grande público, mas faça como eu, que não conhecia Pina, e se surpreenda. Se você gosta de beleza, vá ver correndo!

got contagem regressiva 3

Se você fica perdido com a quantidade de personagens, nomes esquisitos, terras distantes, casas, famílias, lords etc, seus problemas acabaram! Neste mapa interativo você fica sabendo onde fica cada lugar, quem são os personagens, as suas ligações e quais suas origens. O mapa foi criado por fãs e é bem bacana!

E prestes a estrear a nova temporada, a HBO lançou mais cartazes.

antes da chuva

Para a gente, foi um ano e meio de espera, mas para os habitantes de Mad Men, foi muito menos que isso. A pequena Sally acorda perdida no tempo na luxuosa cobertura de Don e vemos que ele realmente casou com Megan, e está aparentemente feliz – não gosto de Don feliz, só em LA. Na Sterling Cooper Draper Pryce, as pessoas estão se aguentando. Os negócios andam no marasmo, Bert e Roger passam o dia sem fazer nada e só Peggy parece estar trabalhando muito. Pete também, mas ele só quer uma sala maior, com janela e sem coluna de sustentação. Pai de família, ele está infeliz com a falta de glamour que é a vida nos subúrbios. E com essa reapresentação dos personagens, a gente lembra que o andar calmo da série esconde que cada um dos personagens tem suas vontades e desejos, tão complexos quanto a reação deles diante das mudanças da época.

Já é 1965 em Mad Men, “negros, policiais e padres” protestam nas ruas por direitos civis e a as coisas estão mudando violentamente. Don faz 40 anos e começamos a ver que seu casamento com Megan não foi uma decisão muito inteligente. Consequentemente, Peggy se sente desprestigiada e isso afeta tudo. Do outro lado da cidade, Joan cuida de seu filho e de sua mãe, mas tudo que ela quer é voltar para o escritório, e tomara que ela volte correndo. Nesses dois parágrafos, eu acabei fazendo uma sinopse de Little Kiss, mas todo mundo que acompanha a série sabe que isso é apenas o reflexo na água. Cada fala, gesto, sorriso forçado e olhar mostra o turbilhão de insatisfação, decepção e paixão que é Mad Men. Não é preciso ser sensitivo para prever que os direitos raciais vão interferir na agência, que Megan será infeliz em seu casamento – a cena na sacada indica um suicídio? – e que a rainha do gelo Betty ainda vai estragar muito a cabeça de Sally e Don. Mad Men is back! A televisão banhada a ouro. Ainda bem que Matthew Weiner lutou bravamente para manter a série como ela é.

Vendo os 10 melhores momentos que a Empire selecionou, espero da 5ª temporada nada mais do que a série apresentou até agora. E se ela me brindar com um novo “The Suitcase”, eu tatuo “Don is sexy” na nuca. Mentira, tatuo nada!

scooby dooby doo

Vi apenas a primeira parte de Little Kiss e mesmo assim preciso digeri-lo e rever antes de falar qualquer coisa. Por enquanto, é a maré mansa antes do tsunami que vem por aí, pois Don é Don. Old habits die hard. Como a Jessica Paré é linda, não? Lembro dela em Jack & Bobby, e cantando Zou Zou Bisou ficou encantadora. Mas nem todos acharam isso… Sei lá, prevejo algo trágico para Megan.

got contagem regressiva

Eu não juro que este vai ser o último post sobre Game of Thrones até o início da temporada. Eu até pensei em não postar porque ultimamente só tenho falado de Mad Men e Game of Thrones, mas em todo lugar só se fala nisso e no sucesso de Jogos Vorazes, então… Why not, não é mesmo? Além do mais, já está meio tarde para comentar o ótimo final de temporada de The Walking Dead, ainda não vi Mad Men (vou ver hoje), nem Pina e ando meio burrinho para escrever sobre qualquer outra coisa.

Odeio Joffrey e quero que ele leve muitos tapas na cara (já vimos alguns nos trailers). Vê-lo apanhando é um prazer inenarrável. Também tenho certo prazer em ver a Cersei sofrendo, mas o que quero mesmo é a coroa do Renly. Aí você me pergunta, o que eu vou fazer com ela? Não tenho a mínima ideia, só acho ela legal.

voracidade sem fome

É, falta voracidade em Jogos Vorazes. Confesso que não li nenhum dos livros da trilogia e tampouco me animei com as primeiras notícias do filme, mas fiquei interessado depois que me contaram uma sinopse mais detalhada. Um regime totalitário, sociedade do espetáculo, o custo da violência, o sacrifício da juventude. O flerte com 1984, Admirável Mundo Novo e obras mais recentes como O Show de Truman, Batalha Real e os Survivors da vida está impresso no filme, muito na direção de arte, que valoriza o exuberante inspirado nos exageros e afetações da corte de Maria Antonieta e Luís XVI. Porém, o Huger do título foi reduzido.

A história se passa em Panem, o que restou da América do Norte depois de guerras e desastres naturais. Essa nova nação é dividida em 12 distritos mantidos em estado de fome pela Capital. Anualmente, cada distrito deve enviar um casal entre 12 e 18 anos para participar do Jogos Vorazes, uma espécie de Survivor com American Idol e jogos romanos em que eles devem matar um ao outro até restar um vencedor, que leva para o seu distrito uma “cota extra” de alimento. A gente acompanha Katniss, do paupérrimo e distante 12º Distrito, responsável pelo sustento da mãe e irmã e que se voluntaria para ir no lugar da irmã que havia sido sorteada para o programa.

O diretor Gary Ross (A Vida em Preto e Branco, Seabiscuit) entende que a violência não é entretenimento e joga a câmera pro lado para poupar a plateia da sangria. Mas numa obra em que a violência não é gratuita, pelo contrário, ela é proposital e necessária, eu entendo que ela deveria ter sido mais explícita e deixado mais claro o seu custo. São jovens vistos como peças num espetáculo cruel para a diversão de milhões, jovens que precisam matar para sobreviver.

A escolha do elenco é o ponto mais forte do filme, principalmente Jennifer Lawrence, que fez um laboratório para o papel em Inverno da Alma. Katniss é o contexto de Jogos Vorazes, é a vítima e também a pessoa que questiona o poder de sua individualidade. Apesar de eu achar que a violência não deveria ter sido abrandada (tendo uma classificação mais baixa, é comercialmente melhor), Jogos Vorazes  não é ruim. É facilmente identificável por suas ideias e como elas são atuais. Sua autora, Suzanne Collins, teve a ideia para o livro depois de ver na tv, rapidamente, jovens num reality show e outros lutando no Oriente Médio. Então o mata-mata literal de Jogos Vorazes não é tão distante assim.

A Lionsgate disse que as continuações só virão se o primeiro for comercialmente bem. O filme custou cerca de 100 milhões de dólares e só na sexta arrecadou 68,3 milhões, estima-se que chegará a 140-150 milhões até o fim do domingo. O trio protagonista – Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson e Liam Hemsworth – se comprometeu a reprisar seus papéis no caso de continuações. Alguma dúvida?

quem brinca com fogo faz xixi na cama

A Garota Menina que Brincava com Fogo é a segunda parte da trilogia Millenium e sua adaptação sueca foi lançada logo depois do primeiro filme, em 2009, mas só agora chegou oficialmente ao Brasil, diretamente em DVD (seria lançado nos cinemas em julho de 2011, mas não havia salas e depois veio o filme do Fincher). Apesar da demora, foi bom que o filme não foi para o cinema, pois a qualidade artística dele não é das melhores, bem inferior a Os Homens que Não Amavam as Mulheres. Não digo em termo de enredo, mas falta a brutalidade tão carregada no primeiro filme. Os Homens… causa estranheza de tão frio e sintético, tanto que faz A Menina que Brincava com Fogo parecer um filme feito para tv.

A questão não é comparar os dois filmes, se fosse o caso, o filme do Fincher entraria na jogada, mas como eles são complementares, pode-se dizer que o segundo é bem inferior em relação ao primeiro. E  é preciso assistir o primeiro antes para se posicionar na história.

A trama não é das minhas favoritas e se agrava por conta do Michael Nyqvist, o  Mikael Blomkvist, sempre com cara de “acordei e vou na padaria”. Essa parte pode ser implicância minha, pois o acho ruim desde que o vi em A Vida no Paraíso. A parte boa já é conhecida, Noomi Rapace como Lisbeth. Aqui, Lisbeth volta para Estocolmo depois de um ano e se vê procurada pela polícia suspeita de três assassinatos. As mortes estão ligadas ao tráfico de mulheres e ela precisa da ajuda de Blomkvist para provar sua inocência. A parte do tráfico perde força rapidamente, pois a medida que Lisbeth e Blomkvist avançam em suas investigações, mais se descobre sobre o passado misterioso de Lisbeth.