buuuuuu

O ato de contar histórias é muito interessante porque meras palavras contadas numa ordem e no andamento certo conseguem nos fazer emocionar, rir, chorar e ter medo. Eu adoro uma história de horror, gosto de filmes de terror (não de todos os tipos), morro de medo, mas vejo. Não sei explicar bem, mas é a mesma alegria de andar numa montanha-russa. Quando o homem abaixa aquela barra de segurança, eu me pergunto “que que eu tô fazendo aqui?” e sempre acho que vou morrer, que meus órgão vão sair pela boca ou que meu coração vai explodir. E depois eu quero mais.

Psicólogos dizem que o gosto pelo terror é uma forma de enfrentar os próprios medos. É usar psicopatas, fantasmas, monstros, zumbis e espíritos como metáforas. Não sei até que ponto eles estão certos, mas toda história de terror acontece com pessoas comuns, nada excepcionais, e isso faz toda a diferença como espectador.

Nunca tive experiência realmente paranormal, coisas estranhas e sem explicação já aconteceram comigo, mas ver mesmo, nunca. Só o quarto que foi dos meus primos no apartamento que hoje está desocupado. Desde sempre nunca gostei daquele quarto e da última vez que estive lá, senti que ele estava me comprimindo. Uma sensação muito pesada. Comentei isso com minha irmã e ela disse que sentia o mesmo, por isso não entra mais lá.  Uiuuuuu.

De vez enquanto, uma vozinha sopra no meu ouvido dizendo “não confia nele”, “pegue outro caminho”, “não esqueça o celular”. Pode ser sexto sentido, anjo da guarda, instinto… Mas todas as vezes em que eu ouvi a voz, me dei bem.  Já em filmes de terror, se você ouvir um barulho estranho no porão, vá ver o que é, por favor!

Nos comentários, me indique bons filmes de terror e suspense (são tão difíceis quanto os de ficção-científica), estou sempre à procura de um, e conte sua experiência sobrenatural. Às vezes eu acho que já fui abduzido. 😉

trash!

Eu sempre vi muitos filmes, desde criancinha, mas este mundo de frames se abriu mesmo para mim quando eu tinha 14 ou 15 anos, foi quando eu comecei a ir ao cinema sozinho e a ver filmes mais adultos, ou ditos independentes e de arte. E também foi quando tive o primeiro contato com o trash. Não lembro o que vi primeiro – Hairspray, Éramos Tão Jovens (que depois virou musical e outro filme) ou Cecil Bem Demente – os dois dirigidos pelo mestre do trash John Waters. Na época, para mim, era algo tão undergrownd que eu nem comentava.

A partir de amanhã, até o dia 16 de fevereiro, será possível ver toda a filmografia do diretor e outras cositas mais na exposição John Waters – O Papa do Trash, em cartaz na Caixa Cultural, no Centro do Rio.  Não sei se a exposição vai viajar para outras cidades e tampouco sei a programação, não há site e a página da Caixa Cultural não mostra este evento. Gostaria de ver Pink Flamingo e Polyester (com direito a odorama, uma cartela cheia de raspadinhas para cheirar  acompanhando a exibição do filme, nem todos os cheiros são bons), seus filmes mais icônicos e com a diva Divine.

John Waters nasceu em Baltimore e sempre teve tendência ao gore e trash. Seus filmes são sempre escrachados, debochados e satirizam a cultura americana e os filmes de Hollywood. Ele já colocou o travesti Divine como Jacqueline Kennedy e fez Stephen Dorff ser um cineasta guerrilheiro que sequestra uma estrela de cinema (Melanie Griffith) para protagonizar seu filme. Não é cinema para todo mundo, mas vale a pena. Se quiser ir devagar, comece por Mamãe é de Morte, filme que fez minha mãe perder o sono. É de mal gosto, mas é divertido!

cantinho da fofoca

E daí que Histórias Cruzadas foi o grande vencedor do SAG? O que me fez correr para o Google foi ver Jennifer Carpenter colada em Michael C. Hall durante a premiação. Segundo os sites de fofoca, o divórcio deles saiu em dezembro passado, mas eles estariam se reconciliando. Achei fofo. Jennifer, amiga, se ele te trair de novo, pode capar!

sag 2012

Nada legal para postar, então aqui vão minhas apostas para o SAG. Se o SAG também serve de termômetro para o Oscar? Acho que não mais. Este ano, principalmente, todo mundo está atirando para todos os lados, no entanto, o glamour dos atores permanece e é isso que eu quero ver esta noite. Gente bonita, bem vestida e vestidos pavorosamente cafonas – é como ver Caras.

Melhor Ator em cinema
Demián Bichir como Carlos Galindo em A Better Life
George Clooney como Matt King em Os Descendentes
Leonardo DiCaprio como J. Edgar Hoover em J. Edgar
Jean Dujardin como George em O Artista
Brad Pitt como Billy Beane em O Homem que Mudou o Jogo

Melhor Atriz  em cinema
Glenn Close como Albert Nobbs em Albert Nobbs
Viola Davis como Aibileen Clark em Vidas Cruzadas
Meryl Streep como Margaret Thatcher em A Dama de Ferro
Tilda Swinton como Eva em We Need to Talk About Kevin
Michelle William como Marilyn Monroe em My Week with Marilyn

Melhor Ator coadjuvante em cinema
Kenneth Branagh como Sir Laurence Olivier em My Week with Marilyn
Armie Hammer como Clyde Tolson em J. Edgar
Jonah Hill como Peter Brand em O Homem que Mudou o Jogo
Nick Nolte como Paddy Conlon em Warrior
Christopher Plummer como Hal em Toda Forma de Amor

Melhor Atriz Coadjuvante em cinema
Bérénice Bejo como Peppy em O Artista
Jessica Chastain como Celia Foote em The Help
Melissa McCarthy como Megan em Missão Madrinha de Casamento
Janet McTeer como Hubert Page em Albert Nobbs
Octavia Spencer como Minny Jackson em The Help

Melhor Elenco em cinema
O Artista
Missão Madrinha de Casamento
Os Descendentes
The Help
Meia-Noite em Paris

Melhor Ator em filme televisivo ou minissérie
Laurence Fishburne como Thurgood Marshall em Thurgood
Paul Giamatti como Ben Bernanke em Too Big to Fail
Greg Kinnear como Jack Kennedy em The Kennedys
Guy Pearce como Monty Beragon em Mildred Pierce
James Woods como Richard Fuld em Too Big to Fail

Melhor Atriz  em filme televisivo ou minissérie
Diane Lane como Pat Loud em Cinema Verite
Maggie Smith como Violet em Downton Abbey
Emily Watson como Janet Leach em Appropriate Adult
Betty White como Caroline Thomas em Hallmark Hall of Fame: The Lost Valentine
Kate Winslet como Mildred Pierce em Mildred Pierce

Melhor Ator em série drama
Patrick J. Adams como Mike Ross em Suits
Steve Buscemi como Enoch “Nucky” Thompson em Boardwalk Empire
Kyle Chandler como Eric Taylor em Friday Night Lights
Bryan Cranston como Walter White em Breaking Bad
Michael C. Hall como Dexter Morgan em Dexter

Melhor Atriz  em série drama
Kathy Bates como Harriet Korn em Harry’s Law
Glenn Close como Patty Hewes em Damages
Jessica Lange como Constance em American Horror Story
Julianna Margulies como Alicia Florrick em The Good Wife
Kyra Sedgwick como Dept. Chief Brenda Leigh Johnson em The Closer

Melhor Ator em série cômica
Aalec Baldwin como Jack Donaghy em 30 Rock
Ty Burrell como Phil Dunphy em Modern Family
Steve Carell como Michael Scott em The Office
Jon Cryer como Alan Harper Two and a Half Men
Eric Stonestreet como Cameron Tucker em Modern Family

Melhor Atriz  em série comédia
Julie Bowen como Claire Dunphy em Modern Family
Edie Falco como Jackie Peyton em Nursie Jackie
Tina Fey como Liz Lemon em 30 Rock
Sofia Vergara como Gloria Delgado-Pritchett em Modern Family
Betty White como Elka Ostrovsky em Hot in Cleveland

Melhor Elenco em série drama
Boardwalk Empire
Breaking Bad
Dexter
Game of Thrones
The Good Wife

Melhor Elenco em série comédia
30 Rock
The Big Bang Theory
Glee
Modern Family
The Office

somos todos descendentes

Não vou falar de Os Descendentes porque é um filme que merece mais ser acompanhado do que comentado. Entre de carona na viagem do quarteto e veja que é um filme sobre todos nós. Ancestrais e descendentes, laços de sangue e de afinidade. Um filme engraçado, comovente, cheio de raiva e de redenção. Pode não ter um impacto imediato, mas vai deixar um gosto na boca por um bom tempo e já está na lista de filmes que se tem carinho especial.

Só comentando o de sempre: George Clooney, que eu gosto muito, está melhor do que nunca, e muito bem acompanhado pelos jovens Shailene Woodley, Amara Miller e Nick Krause. Os três são excelentes atores e torço para que ganhem o SAG de Melhor Elenco. Adoro ver Judy Greer, uma atriz que todo mundo conhece mas não sabe o nome. Só não gosto do irmão do Jeff Bridges, mas é coisa pessoal. A direção de Alexander Payne é tão incrível que parece que não há câmeras nem roteiro.

how soft your fields so green can whisper tales of gore


Se alguém me perguntasse se eu gostei da versão original de Os Homens que Não Amavam as Mulheres, eu responderia que sim, e muito. Mas se me pedisse para contar a história, eu me embananaria todo. “É sobre um homem que contrata um jornalista para investigar o sumiço de uma sobrinha há décadas…” e falaria mais de Lisbeth que de qualquer outra coisa. Pra ser sincero, nem lembro da cara dos outros personagens. E acho que é assim com todo mundo, a  imagem de Noomi Rapace foi tão forte que fez a gente gostar do filme mesmo sem gostar da história.

A Lisbeth de Rooney Mara e David Fincher é tão boa quanto a de Rapace, talvez um pouco mais insolente  e com certeza mais frágil. Além do passado violento, há uma complexidade de sentimentos por baixo do visual punk, mas sem deixar de ser dura e agressiva. Se o filme sueco é estranhamento sueco, extremamente frio, o de Fincher é frio e intimidante quando precisa ser, pontuado pela trilha de Trent Reznor. Isso não significa que seja Hollywood na Suécia, mas é um filme mais palpável. E depois de rever a história, eu vejo que há alguns furos (não no roteiro, mas na história em si). Mas não importa, porque o que atrai os olhos não é precisamente o caso investigado, mas o choque de Lisbeth e Mikael e como eles conduzem a investigação. É o interesse que os personagens têm um pelo outro, e vale ressaltar que Daniel Craig está ótimo.

Se você já leu os livros, já viu o filme sueco ou não gostou da história, aqui vão cinco motivos para ver o filme do Fincher: 1 – Rooney Mara está mara (vocês não sabem como eu esperei pra falar isso)! 2 – É um filme de David Fincher. 3 – O elenco é melhor que o do filme sueco. 4 – Immigrant Song, pirei vendo a abertura. 5 – É um filme adulto, não é para fracos.

são paulo – sp

Queridos paulistanos, meu nome é Alexandre e sou carioca, sempre morei no Rio e amo minha cidade, mas minha identidade é paulistana. Escrevo esta carta como um pedido de adoção. Sei que sua cidade é muito generosa com os que chegam, mas acho que preciso da benção de vocês.

Eu me identifico com o tamanho absurdo de sua metrópole, com a feiura dos prédios naturalmente feios, com a degradação de prédios que um dia foram majestosos e com o modernismo e também com  modernidade de suas obras arquitetônicas. Gosto de encontrar lolitas no metrô, os roqueiros estilosos e também ver as madames chiques que gastam a sola de seus Ferragamos e Louboutins nas calçadas desniveladas. Confesso que tenho certa aflição com as canaletas que dividem as ruas, mas o que me deixa mais nervoso são os motoqueiros que se espremem entre os carros. Ah, o trânsito também me incomoda muito, mas é sinal de que existe movimento, e é isto que me fascina nas grandes cidades.

No verão, gosto dos bairros arborizados, de dar uma passada em Moema para tomar um sorvete ou um café gelado em um de seus inúmeros cafés. Aliás, comer em São Paulo é sempre bom porque o cardápio é para todos. Pode ser um um bife à parmegiana para quatro pessoas num restaurante de cadeiras de plástico ou um jantar no Itaim. Nos dias frios, adoro andar sozinho na Paulista (já me disseram que a Faria Lima é a nova Paulista, mas eu amo a Paulista) e sentir o vento gelado que o corredor de prédios produz, e quando o frio é muito grande, me refugio na Fnac ou na Cultura, onde posso passar horas desejando livros, revistas, DVDs… Ainda na Paulista, amo a coleção do Masp e fico triste por muitos não saberem o quão rico é seu acervo. E falando em museu, ainda não conheço a Pinacoteca, uma falha que precisa ser corrigida.

Adoro quando os jacarandás estão floridos e os bairros ficam cortados por fileiras roxas, quem disse que São Paulo é só concreto? Aqui no Rio, muitos me falam que os paulistanos são frios, antipáticos e só pensam em trabalho. Saibam que eu sou um diplomata de vocês e estou revertendo esta imagem completamente errada. Sim, há os apressadinhos e estressados, mas a maioria de vocês sempre me recebeu muito bem. De uma atenção e educação exemplares. Alguns, mais solícitos, praticamente pegaram a minha mão e me acompanharam quando eu perguntei se conheciam um endereço.

Eu não sei explicar, isso ocorre toda vez que eu chego em São Paulo, mas meu coração bate em outro compasso. Acho que é a premonição de uma conexão que ainda vai ser feita. No meu imaginário, São Paulo não é apenas turística, é um movimento de pessoas que faz a cidade funcionar. São pessoas que saem bem cedo de casa para trabalhar no centro e adormecem no ônibus ou metrô. São pessoas que amam a cidade que escolheram para viver e tentam torná-la mais leve e flexível. O que eu mais gosto de vocês, paulistanos de nascença e de coração, é essa eterna procura por soluções. Seja o grafite no muro cinza ou uma forma de juntar prazer e trabalho.

Queridos paulistanos, por favor, me adotem. Eu sou limpinho, educado, leio e escrevo. Lavo, passo, cozinho e arrumo. Sei usar o metrô e não coloco ketchup na pizza!

Feliz Aniversário, São Paulo!

careca dourado te despreza

Como assim, Bial? Gato de Botas e Kung Fu Panda 2 foram indicados a Melhor Animação e Tintim não? Cuma? Por quê? E cadê os nomes de Ryan Gosling, Michael Fassbender e Tilda Swinton? Além dessas surpresas negativas, a única que realmente foi surpresa foi a indicação de Tão Forte e Tão Perto a Melhor Filme – com isso, Stephen Daldry mantem o primeiro lugar no ranking filme/indicação ao Oscar – Billy Elliot, As Horas, O Leitor. Porém, e Drive? Tsc tsc! Mas Madonna e Elton John ficaram de fuera! Hahahaha!

Todos os indicados se mostraram contentes com a validação do Oscar, apenas Gary Oldman ficou realmente surpreso, pois seu nome não constava como um possível indicado. Ele estava na Alemanha, dando a última entrevista de divulgação de O Espião que Sabia Demais quando seu agente entrou na sala chorando, agora ele vai começar uma nova rodada de entrevistas. Viola Davis também ficou muito contente com sua segunda indicação e disse que ficou mais feliz ainda com a entrada de Tão Forte e Tão Perto. Já Christopher Plummer elogiou Toda Forma de Amor e disse que ficou muito contente com a indicação de sua colega Rooney Mara como Melhor Atriz. Achei fofo da parte dele.

Ai ai, não é de hoje que o Oscar faz injustiças!

a falta do que fazer

Eu, por exemplo, não posso usar bermuda e segurar uma caneta ao mesmo tempo porque eu começo a desenhar nas minhas pernas – e o pior é que geralmente eu uso uma caneta que não sai nem passando bombril. Quando uma pessoa tem tempo e não tem o que fazer, ela faz coisas assim:

Vai me dizer que você nunca achou o portão do Mikey legal?