gosto de infância

É impossível não se lembrar de filmes dos anos 1980 ao ver Super 8. Começa com o logo da Amblin de Spielberg, mas logo vem o da Bad Robot de J.J. Abrams para nos avisar que tudo não passa de uma homenagem. Uma reverência, mas com a assinatura e identidade de J.J.

Todos os elementos spielberguianos estão ali: o lar partido, a contraluz, a luz esfumaçada, as bicicletas e as crianças. Geniais! Logo na primeira cena de Joe (Joel Courtney, excelente), estabelecemos cumplicidade e carinho assim como com Eliott em E.T. A mãe dele morreu em um acidente que ele desconhece e agora precisa viver com o pai autoritário (Kyle Chandler). Ao ver o menino sozinho do lado de fora, durante o funeral, a vizinha (Jessica Truck, de True Blood) se diz preocupada: “Jackson não entende Joe”. E nesse momento selamos nosso compromisso com Joe.

Tudo se passa numa cidade do interior de Ohio, num ano perdido da década de 1980, quatro meses depois do funeral. Joe e sua turma estão fazendo um filme de zumbis com mortes elaboradíssimas, mas o diretor Charles (Riley Griffiths) quer mais profundidade e pede a participação de Alice (Elle Fanning, cada vez melhor) como a mulher do agente matador de zumbis. Durante uma cena noturna na estação de trem, os guris presenciam o choque de uma camionete com um trem da aeronáutica, que acaba libertando uma criatura misteriosa. Esta criatura não se revela facilmente, aí vemos a mão de Abrams e Cloverfield, Lost e também de Tubarão. Mas a criatura pouco importa, quer dizer, importa, mas o melhor são os garotos.

Alice também tem uma família disfuncional, seu pai é alcoólico e a ausência da mãe não é explicada, assim como, até a reta final do filme, não se sabe por que o pai de Joe odeia o pai de Alice. Entre desaparecimentos, a invasão massiva da aeronáutica na cidade e quedas de energia, vemos Jackson chorando a morte da mulher, o nascimento de uma paixão, a saudade e o ciúmes. Aí entra o terceiro ato e a criatura misteriosa se revela. Super 8 vira um filme de ação cujos protagonistas são crianças sem a dimensão do que é perigoso e, por isso mesmo, possível, tal como os Goonies. Os adultos, com armas e espírito destrutivo, são retratados como seres incapazes de evoluir. Não é de se espantar quando o pai de Joe, um policial, só consegue iniciar a busca pelo filho quando se disfarça de militar, como as maquetes de Joe. Soa piegas e ingênuo? Pode ser, mas o espírito é este.

Eu cresci vendo os filmes de Spielberg. Quando eu era criança, tinha uma fita com Indiana Jones, Poltergeist, E.T. e Goonies, então ver Super 8 é muito natural para mim. Queria a opinião de quem é mais novo, ou mais velho, e tem uma memória cinematográfica diferente.

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3 comentários em “gosto de infância”

  1. Vi o filme ontem e achei maravilhoso. Como amante dos anos 80 e suas produções, a sensação de nostalgia foi imensa. Grande surpresa de 2011, já que apesar de empolgado com os trailers, não esperava muita coisa.

    1. Eu estava bem indeciso em o que ver primeiro: Super 8 ou A Árvore da Vida. Acabei vendo os dois no fim de semana, e ambos são excelentes! Fim de semana golden!
      Feliz com seu retorno 🙂

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