se me cachorro falasse

Pode ser muito precipitado, mas julgando pelo primeiro episódio, Wilfred é super bacana. Baseada numa série australiana de 2007, a história é sobre o jovem advogado Ryan (Elijah Wood), ele está tão deprimido que tenta se suicidar e não consegue. Depois que sua vizinha pede para que ele cuide de seu cachorro, sua vida muda por completo, porque Ryan vê Wilfred como uma pessoa. Quem interpreta Wilfred é o desconhecido (pelo menos para a grande maioria) Jason Gann, que fez o mesmo personagem na versão original. Ele personifica traços humanos, mas continua sendo um cachorro. É divertido e bem feito. Vale conferir!

Mudando de gênero. E não é que True Blood começou a temporada com tudo? Esses dois primeiros episódios foram ótimos, tirando a minha falta de interesse nas historinhas do Jason e Sam. O salto de um ano na história só fez bem aos personagens e movimentou as tramas. E sem falar que estes dois episódios já responderam a várias questões pendentes.

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a simetria de kubrick

Stanley Kubrick nunca foi bom aluno. Todos diziam que ele era inteligente, mas nunca rendeu muito na escola. Jogava xadrez muito bem com seu pai e foi dele que veio o presente que mudou sua vida: uma máquina fotográfica. Kubrick aprendeu tudo sozinho, matava aula para tirar fotos e revelá-las em casa. Do xadrez veio a necessidade de controle absoluto, da perfeição. Da fotografia, a noção de composição. Por isso seus filmes são conhecidos pela fotografia simétrica, impecável, e também pelas divergências com os diretores de fotografia. Vamos dar uma olhada em algumas delas. Neste momento, a Cinemateca de Paris realiza uma grande exposição/retrospectiva da obra de Kubrick.

Lolita. Kubrick havia comprado os direitos de adaptação e o próprio Vladimir Nabokov escreveu o roteiro. Ele queria Peter Seller no elenco, mas Sellers estava se divorciando e não podia deixar a Inglaterra. A partir deste filme, Kubrick se muda de mala e cuia para a Europa. Pode parecer chover no molhado para a gente, mas Lolita inovou por usar uma luz mais naturalista, ou melhor, fontes de luz justificáveis. A luz vinha da janela nas cenas diurnas e de abajures nas noturnas. Realmente parece algo óbvio, mas em 1962 não era assim. Direção de fotografia de Oswald Morris.

Dr. Fantástico. Oswald Morris não quis repetir a experiência com Kubrick. Em seu lugar entrou Gilbert Taylor. Uma parte do filme tem estilo documental, câmera no ombro e muito movimento. A outra é como o habitual. Na sala da guerra, a luz do anel era tão forte que chegou a derreter o chão do cenário, que era de plástico. 

2001, uma Odisséia no Espaço. Talvez seja o melhor exemplo do estilo Kubrick. Uma luz nítida e limpa, assim como os cenário. E mais do que nunca, a simetria na composição. O interessante é que acabamos adotando esta estética como o futuro. E quantos filmes passados no espaço não têm referências de 2001? Este filme foi rodado em 70 mm, o que permitiu ser projetado como Super Cinerama.

Laranja Mecânica. Dr. Fantástico havia sido um sucesso, com isso, a Warner Bros deu bastante dinheiro para Kubrick fazer 2001, que também foi muito bem aceito, mas Laranja Mecânica teve as asas cortadas devido a sua temática. Com uma equipe de 20 pessoas, Kubrick adaptou o livro de Anthony Burguess, o que se tornou uma constante em seus próximos trabalhos. John Barry (falamos dele num post sobre Star Wars) assinou o design de produção, enquanto John Alcott foi o diretor de fotografia, o primeiro a repetir parceria com Kubrick. A luz é justificada como em Lolita, mas sempre azulada para ressaltar a frieza do filme, as cores são fortes, além do uso de zoom e câmera lenta para aumentar a violência.

Barry Lyndon. Quase uma pintura. Laranja não foi um sucesso imediato e Kubrick resolveu fazer algo clássico. Com Alcott, decidiu usar, sempre que possível, iluminação natural e de velas. E isso incluiu brincar como névoa e outros fenômenos naturais. O filme foi um fiasco de público. Muito da fotografia do filme foi usado em De Olhos Bem Fechados, último filme de Kubrick. 

O Iluminado. Este dialoga com Laranja Mecânica, seja pelas cores forte e também pela forma de filmar. Em Laranja, Kubrick adaptou a câmera a um carrinho. Com a invenção do steadycam, Kubrick desenhou todo o filme para ser filmado com o novo equipamento e contratou seu inventor, assim passeamos com Danny pelos corredores do hotel.

show me your teeth

Tem foto que resume melhor o que é True Blood?

A quarta temporada começa hoje à noite nos EUA. Como já foi adiantado, esta será a temporada das bruxas. Ser amigo de Sookie é que nem ser amigo da Sidney de Pânico, tem que ter o corpo fechado! Enfim, tio Alan Ball disse ano passado que a minha querida Jessica teria mais participação nesta temporada (quero só ver), assim como Pam. A temporada passada terminou da forma mais gélida possível, então os oito primeiros minutos desta nova até que dão certa esperança. Que bom que o mundo das fadas não é como o comercial do Ferrero Rocher. Mas tem umas coisas de gosto duvidoso. Só vendo!

E para terminar, a fantástica Deborah Ann Woll para a Rolling Stone. Se bem que ela é muito mais bonita quando não quer parecer sexy.

mad x-men

X-Men é do Michael Fassbender como Erik, mas ninguém deve ter se divertido mais que o Kevin Bacon fazendo Sebastian Shaw. Ele tinha uma entourage de deixar qualquer roqueiro no chinelo, com direito a January Jones de bota branca, mas melhor que isso, suas cenas se passavam em cenários incríveis. O diretor de arte Chris Seagers e o diretor Matthew Vaughn se inspiraram nos filmes de James Bond para criar estes cenários modernos para época e minimalistas.

O Clube do Inferno. Set construído no mesmo Pinewood Studios de James Bond.

O Submarino. Na pesquisa, Seagers encontrou uma revista de decoração de famílias ricas. O legal da época era pintar os painéis de madeira de uma cor só.

A Mansão Xavier. A Englefield House, na Inglaterra, foi a locação de cenas externas e internas. A casa também foi usada em O Discurso do Rei.

A Sala Russa foi filmada na Australia House, em Londres. Um salão grande e clássico com um mínimo de objetos. O destaque fica para o mapa já meio desbotado.

E por último, a sala dos espelhos, ou do reator nuclear. Apenas espelhos e luzes, nada mais.

 

o gato cleptomaníaco

Com tanta notícia ruim, uma bobagenzinha salva o dia!

Na pequena cidade suíça de Wiesendangen, o gato Speedy tem andado pela vizinhança coletando todo tipo de peça que ele consegue levar na boca. São calcinhas, meias, cuecas, luvas, sutiãs, bonés… Ao todo, segundo a reportagem do canal Blick, foram cerca de 100 objetos em 3 anos. Os donos de Speedy espalham cartazes pedindo para que os donos dos objetos furtados apareçam para buscar seus artigos e perdoem o gato. Que bonitinho! A reportagem está logo abaixo.

Aproveitando o tema felino engraçadinho, eu apresento meu gato: Brown Socks. Aka Chileninho, Milkin e Gordinho (estas variações não têm lógica e ele entende). Há outras ainda.Não, eu não vivo na casa da Regina Casé, mas as texturas são conflitantes. Manta peruana + manta nordestina + almofada floral!

roda viva

De vez enquanto aparece um filminho bem simples e honesto que faz a gente gostar logo de cara. Pode não ser nenhuma obra prima, mas de tão honesto e íntimo, a gente se identifica. É o caso de It’s Kind of a Funny Story, dirigido pela dupla Ryan Fleck  e Anna Boden – do bom Half Nelson. Ambos roteiristas, editores e produtores. Baseado no livro homônimo de Ned Vizzini, a história gira em torno do adolescente de 16 anos Craig (Keir Gilchrist, de United States of Tara). Depressivo e com tendência suicida, ele se interna num hospital psiquiátrico onde conhece Bobby (Zack Galafianakis) e Noelle (Emma Roberts). Bobby se torna uma espécie de mentor para Craig, enquanto Noelle vira seu primeiro interesse realmente romântico.

Craig não tem trauma de nada, sua família é comum mas um pouco ausente, ele é apenas sensível às expectativas da adolescência, como a obrigação de ter boas notas, uma boa faculdade e ser bem sucedido. Um plano traçado sem sua participação. Além disso, seu melhor amigo está ficando com a menina que ele gostava e não tinha coragem de dizer, a também amiga Nia. É um filme sensível, muito leve e que explora com delicadeza as explosões da adolescência. Além disso, um filme que se passa dentro de um hospital psiquiátrico é sempre bom, mas Craig não é o único estranho no ninho.

It’s Kind of a Funny Story é como Roda Viva do Chico Buarque. “Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu. A gente estancou de repente, ou foi o mundo então que cresceu. A gente quer ter voz ativa. No nosso destino mandar. Mas eis que chega a roda viva e carrega o destino pra lá”. A vida é assim, não é?

khaleesi

Não se preocupe, sem spoiler.

Ó, Khaleesi, agora eu não te chamo mais de Gêmea Olsen! Você só cresceu durante a temporada e conquistou de vez o meu respeito. Além disso, disse uma das melhores falas deste último episódio (a outra, surpreendentemente, veio de Sansa).

Feiticeira: – Eu não vou gritar!

Khaleesi: – Vai, sim!

A segunda temporada começa a ser gravada no início de julho e estreia no próximo outono daqui. Winter is comming!

fim de caso

É de chorar de rir a estratégia da Paris Filmes de vender Namorados Para Sempre (Blue Valentine, no original): “O filme perfeito para o Dia dos Namorados”. Seria perfeito se fosse uma comédia romântica bacaninha com a Sandra Bullock ou a Julia Roberts, e não um filme sobre a desintegração de uma relação. Dean (Ryan Gosling) e Cindy (Michelle Williams) estão casados há cinco anos, mas só pelo timbre de voz  dos dois, percebe-se que a paixão e cumplicidade dos tempos de namoro deram lugar ao esgotamento e a exaustão. Através de flashbacks, conhecemos os históricos familiares dos dois, as circunstâncias da aproximação e os sacrifícios feitos para formar esta paixão que sempre nos parece durar até a morte. Não é um filme fácil de digerir, suas quase duas horas de duração são melancólicas e sufocantes, é como ver um casal brigando na rua. No início é divertido, mas depois é apenas triste. É a tragédia que todo mundo conhece como “o fim”.

Michelle Williams foi indicada ao Oscar por este filme, indicação merecidíssima e que só a revalidou como uma das melhores atrizes de sua geração. Inexplicavelmente, Ryan Gosling ficou fora da lista (Javier Bardem ficou com a vaga), uma injustiça, já que 60% do bom funcionamento do filme estão em suas costas.

O título deste post é uma referência ao maravilhoso livro de Graham Greene e também ao ótimo filme baseado no romance. Bem mais doce que Namorados Para Sempre.

la vie en rose

É Meia-noite em Paris. O roteirista Gil está meio embriagado e perdido no caminho de volta para o hotel, mas finalmente tem um momento a sós com a cidade. É quando um carro para e seus passageiros o convidam para entrar e ir a uma festa. Gil acaba entrando e é transportado para a Paris dos anos 1920 de sua imaginação. Na festa, Cole Porter toca piano e Gil acaba fazendo amizade com Zelda e o marido F. Scott Fitzgerald, além Ernest Hemingway. Um sonho? Talvez, mas é cinema, não precisa ter lógica. Gil também não entende, apenas aceita o fato de que viajou pro passado e conheceu um monte de gente bacana, bem diferente da família de sua noiva.

Gil (Owen Wilson) e sua noiva Inez (Rachel McAdams, excelente) estão de passagem por Paris aproveitando que o pai dela está fechando negócios na cidade. O problema é que Inez ouve mais o pseudointelectual e pedante Paul (Michael Sheen) que os comentários sensíveis do noivo. E é nesse momento, quando Gil é deixado de lado, que a mágica acontece. Muitas críticas comentam que Meia-Noite em Paris é primo de A Rosa Púrpura do Cairo (se você tem problemas de aprender ou ensinar metalinguagem, veja este filme) por conta do seu elemento fantástico, mas eu acho que Woody Allen deixou o cinismo e a armagura que ele estava usando ultimamente e fez um filme mais doce e que realmente aquece o coração, exatamente como o clima de A Rosa Púrpura do Cairo.

Owen Wilson é o alter-ego de Woody Allen e teve o luxo de ter o roteiro reescrito por causa dele, e isso é perceptível, porque ele está perfeito no papel. Sob medida, assim como Marion Cotillard e Kathy Bates, ambas fazendo personalidades reais na cidade particular de Gil. Se em A Rosa Púrpura era um filme dentro de um filme, aqui, é a vida real dentro do filme. Como nós sabemos, Woody Allen se reencontrou na Europa (dá para dizer que ele é como os Fitzgeralds, Hemingway e outros escritores da Geração Perdida), com vários convites para filmar em diversas cidades, mas é como se ele estivesse avaliando sua carreira e percebido que não é o bastante. Nas palavras da noiva de Gil, o marido é “super procurado pelos estúdios”, mas Gil não concorda, ele se vê como um escritor frustrado e joga toda essa sua ideia de sucesso/felicidade nessa Paris que fervilhava de modernidade na década de 1920, cheia de possibilidades e gente criativa.

Eu não posso falar sobre a conclusão do filme porque estragaria a delícia que é a Paris de Gil e Woody Allen.  Digo apenas que a história poderia se passar em qualquer cidade grande, ou grande cidade, mas Paris é de encher os olhos, os primeiros minutos do filme são cartões postais quue fazem qualquer um quebrar o porquinho e comprar uma passagem. Só de ida. Agora eu entendo porque a imprensa francesa disse que o filme é “uma declaração de amor a Paris”.