isto é cinema

Povo do Rio e de São Paulo, atenção! Retrospectiva completa de um mestre do cinema: Alfred Hitchcock. Serão exibidos 59 filmes e 127 episódios da série de tv. Além de palestras e cursos debatendo o legado de Hitchcock e como ele mudou o cinema. Mais informações no site oficial.

RJ – de 1º de junho a 14 de julho – CCBB

SP – de 14 de junho a 24 de julho – CCBB

SP – 8 a 17 de julho – Cinesesc

o bom e o ruim de esperar

É certo que não dá para ver tudo o que a gente quer, muitas vezes, a gente acaba deixando uma preciosidade de lado. Ou uma bomba. No sábado eu vi uma maravilha e uma coisa ruim de doer e de dar gargalhadas. O primeiro é O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus, o segundo, Fúria de Titãs.

O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus ficou para escanteio porque eu não estava muito animado com Terry Gilliam e achava que as críticas positivas eram apenas um carinho com o diretor, sempre com muitas dificuldades para realizar seus filmes, e também por ter sido o último filme de Heath Ledger. Ledo engano, Leda Nagle. O mundo do dr. Parnassus é sobre contar histórias, esse ato que surgiu com o surgimento da fala, passou de geração em geração, foi levado para a escrita, o rádio e o cinema, e que a gente não para de cometer. A direção de arte é de uma criatividade interessante, apesar de eu achar que a parte imaginária é exagerada, mas tem muito de Monty Python, o que é mais que compreensível já que Gilliam fez parte da trupe. E claro, é sempre bom ver Christopher Plummer e meu queridinho Andrew Garfield.

Já Fúria de Titãs deu vergonha de ver. Tanta vergonha que eu desliguei a tv com menos de 1 hora de filme. O roteiro parece ter sido escrito por um moleque de 12 anos: tudo acontece do nada, os diálogos são risíveis, os deuses parecem os Cavaleiros dos Zodíacos, tudo é muito cafona (realmente tudo) e mais requentado que cafezinho de repartição pública. Até as frases de efeito. A pergunta final é: por que atores como Ralph Fiennes e Liam Neeson aceitaram fazer este filme? Se você ainda não viu, não se preocupe, não está perdendo nada!

como um tomate esmagado

Estou cansado e um bagaço! Trabalhando há 15 dias sem folga nem sábado e domingo, por isso a ausência por aqui. Este fim de semana ficarei 3 dias fora da cidade fazendo um curso (e dando um rolê, porque eu não sou bobo) e provavelmente também ficarei longe do blog. Não faça carinha triste, aproveite este tempo para colocar a vida em dia, arrumar o armário, estudar,  se atualizar em séries, livros e filme, para namorar, borboletar, matar o mofo e os ácaros… Faça o que quiser, mas se divirta! Combinado?

> a foto é do filme A Morte Lhe Cai Bem (Death Becomes Her), comédia de 1992 com Merryl Streep, Goldie Hawn e Bruce Willis. Dirigido por Robert Zemeckis.

terror espanhol

Houve um momento em que o cinema argentino virou moda e ficou a impressão de que todo filme argentino era bom. Um crítico de lá deu a explicação sobre esta impressão. A Argentina produz cerca de 40 filmes por ano, destes, poucos (3 ou 4) são bons o bastante para sair do país, logo, quem vê estes filme, acha que todo filme argentino é ótimo. Não é birra com os argentinos (eu amo de paixão a Argentina), mas é assim com o cinema de todo país. Às vezes, a impressão que se tem é que um país só produz um gênero de filme: os violento/pobreza do Brasil, os vingativos coreanos e os de terror da Espanha. Estes, eu adoro!

A Espinha do Diabo. Dirigido por Guillermo del Toro, a história se passa num orfanato durante a Guerra Civil Espanhola. Há um menino fantasma, um faz-tudo do mal, um diretor e uma mulher perneta. Eu indico!

Intacto. Não se trata de terror, mas um thriller sobre a sorte. Leonardo Sbaraglia é um sortudo sobrevivente de acidente aéreo  que cai num clubinho de jogos para igualmente sortudos. É uma sinopse confusa, mas ótima. Foi vendo este filme que Danny Boyle convidou o diretor Juan Carlos Fresnadillo para dirigir a continuação de Extermínio, e em breve, ele estreará outro terror, Intruders, com Clive Owen.

Os Outros. Alejandro Amenábar tinha feito Abra los Ojos e Tom Cruise queria fazer uma versão americana deste – Vanilla Sky -, em troca, Amenábar dirigiu Nicole Kidman (então madame Cruise) em Os Outros. Uma casa isolada, duas crianças que não suportam a luz, uma empregada muda e uma governanta esquisita. Tenso!

O Orfanato. Como diz minha irmã: o filme do garoto com um saco na cabeça. Terror clássico. Laura, o marido e o filho se mudam para a casa onde funcionou o orfanato onde ela cresceu. Ela, como uma mulher grata pela vida, pensa e transformar a casa num orfanato para ajudar outras crianças, até que o filho começa com um amigo imaginário e desaparece durante uma festa. Dirigido por Juan Antonio Bayona, um pupilo de Del Toro.

REC. Tem gente que não suporta estes filmes com cara de documentário e a câmera balançando. Eu não sou um grande fã, mas admiro muito quando o trabalho é bem feito (Cloverfield, Distrito 9), e REC é um exercício muito bem ensaiado e realizado. Uma repórter novata acompanha uma noite de trabalho dos bombeiros e vai com eles até um prédio onde uma senhora não para de gritar. Nada impressionável, mas o prédio é isolado e a senhora é uma zumbi. Ganhou uma versão americana idêntica e uma continuação decepcionante, REC² – Possuídos. Ainda vai ter um uma continuação e um prólogo.

palma de ouro

Depois de vaias e aplausos, Robert De Niro e o júri de Cannes elegeram A Árvore da Vida como o grande vencedor da Palma de Ouro. O prêmio de melhor atriz foi para Kirsten Dunst, por Melancolia, filme do Lars Von Trier, e o de melhor ator foi para o francês Jean Dujardin, pelo mudo e em preto e branco The Artist. O prêmio de diretor foi para Nicolas Winding Refn, de Drive. Super diversificado.

A Árvore da Vida estreia no Brasil dia 26 de junho.

a rush of blood to the head

Ontem, no trabalho, soube de algumas histórias que me deixaram um tanto chocado. Estas fofocas contadas em sussurros em nada têm a ver comigo ou vão mudar quem sou, mas a forma como vou ver certas pessoas certamente já não é a mesma. Hoje, a única coisa que me veio à mente foi o promo da terceira temporada de Six Feet Under. Acho que é exatamente o que eu desejo para essas pessoas, que se reencontrem e amadureçam.

a viagem do homer simpson

Desde ontem, o GNT vem exibindo a série concebida por Ricky Gervais e Stephan Merchant chamada An Idiot Abroad. Aqui, o título virou Um Turista Idiota. A ideia é simples, mandar o amigo Karl Pilkington, um típico inglês de cabeça fechada e que detesta sair de sua zona de conforto, para conhecer as Sete Maravilhas do mundo moderno e confrontar suas respectivas culturas. Como disse Gervais, é a pegadinha mais engraçada e cara que ele já aprontou, tudo porque Karl é um Homer Simpson em carne e osso! Sabe aquela inglês que só como peixe com fritas e diz que o resto é uma porcaria, então, é ele.

No primeiro episódio, Karl foi conhecer a Muralha da China e em suas palavras, era o “lugar que mais temia, pois os chineses tornam tudo estranho”. Na conversa com Gervais e Merchant, ele fala sobre sua preocupação com a comida. “E se eu comer sapos e gostar? Onde eu vou comer sapos em Londres?”. E é dessa cabecinha que saem as melhores observações sobre a cultura estrangeira. No final, você se pergunta: Karl é um idiota ou um gênio?

Não sei o quanto disso é encenado, fictício ou roteirizado, mas que é hilário, ah, isso é! Fernanda Young tentou fazer algo semelhante com Duas Histéricas, mas sem sucesso, eram realmente duas histéricas gritando em cada canto de Israel. Um Turista Idiota é um programa de viagens como todos deveriam ser (mentira, mas uma boa porcentagem deveria). É quase um Borat!

No programa de hoje, ele vai à Índia, onde vai tentar ficar mais espiritualizado e conhecer um homem com cara de elefante. Na semana que vem, o Rio está no roteiro. GNT, de terça a sexta, às 23:15.

cadê a alma?

Este é o trailer de As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne. Sinceramente, não vejo graça nesses filmes de captura de movimento porque, sem querer ser cafona, não vejo alma neles. É claro que é muito bem feito, mas preferia uma animação tradicional ou live action. Tomara que eu morda a minha língua!

E falando tanto em Mad Men, de todas as séries passadas nos anos 60 que a tv americana vai estrear no segundo semestre, a que eu mais quero ver é Pan Am. Tão Prenda-me Se For Capaz que usaram Come Fly With Me no trailer.

a boa esposa

The Good Wife tinha uma sinopse muito parecida com a de outras séries, a de alguém que voltava a trabalhar para recomeçar a vida. Porém, dois nomes nos créditos fizeram toda a diferença para eu assistir: Ridley Scott e Tony Scott. Isso se chama orquestração. Tudo isso fica mais evidente quando a gente sabe que na tv americana, se um programa não dá certo, ele é cancelado sem mais explicações. Então, fazer uma primeira temporada de forma tão inteligente, realista e sem arestas é um trabalho e tanto! Depois do piloto, foram encomendados 13 episódios, mais 9 e mais 1.

Ao contrário do que o povo pensa, The Good Wife não foi inspirada especificamente no caso Clinton, mas também nos casos Dick Morris, Eliot Spitzer (ex-governador de Nova Iorque) e John Edwards. A co-autora Michelle King disse que a ideia surgiu depois que vários casos de adultério e escândalos sexuais se tornaram públicos nos EUA, e sempre acompanhados de pedidos de desculpas. Ao lado do marido infiel, sempre estava a esposa, e era essa personagem que intrigava Michelle e Robert King.

Em The Good Wife, Alicia Florrick retoma sua carreira de advogada depois que seu marido, ex-procurador, é preso por corrupção num escândalo sexual. Ela deixa uma vida de conforto no subúrbio e se muda para um apartamento na cidade com os dois filhos. No trabalho, precisa lidar com a concorrência, o peso de ser a mulher do ex-procurador (mas ainda muito influente) e a humilhação de ter sido traída publicamente. A primeira temporada mostra os progressos de Alicia no trabalho, as complicações do público/privado e a tentativa de Peter de sair da cadeia e limpar sua imagem. Já a segunda mostra todos os desdobramentos da primeira temporada e um acirrado jogo político, ou melhor, as intenções políticas ficam mais evidentes. A ironia é que Alicia é uma excelente advogada, mas sem querer, depende da figura do marido.

Uma das exigências de Julianna Margulies para ser Alicia Florrick foi que a série fosse gravada em Nova Iorque, exigência não muito difícil de ser aceita, já que os impostos são menores e a cidade é mais parecida com Chicago, onde a trama é ambientada, que com Los Angeles, onde as outras séries costumam ser gravadas. Além do mais, grande parte das cenas é ambientada em interiores. Uma das vantagens de ser gravada em Nova Iorque é que muitos atores de teatro conseguem fazer  participações especiais frequentes, na maioria das vezes, como advogados e juízes. Caso de David Paymer, Michael J. Fox, Joanna Gleason, Ana Gasteyer, Peter Riegert, Denis O’Hare e Martha Plimpton.

O elenco fixo foi escolhido perfeitamente, não há ninguém fora do lugar. Archie Panjabi consegue dar sutileza e sesualidade à Kalinda, uma personagem que poderia ter ficado muito engessada ou violenta. Josh Charles e Christine Baranski têm a ironia inteligente de Will e Diane. Matt Czuchry faz um Cary amargo, mas ao mesmo tempo muito doce (linda a cena em que ele e Alicia conversam pelo telefone de forma irônica e no final os dois ficam em silêncio e ela pergunta como ele está). E para completar, Alan Cumming (entra de vez para o elenco na segunda temporada) é divertidíssimo como Eli, o estrategista político, sempre muito respeitoso com Alicia.

Como disse a crítica do Los Angeles Times, The Good Wife é inteligente, sem ser sarcástica; realista, mas sem ser cansativa; a união é respeitada e reverenciada, mas não o amor. No primeiro parágrafo, eu falei dos irmãos Scott porque eles não colocam seus nomes em qualquer projeto, mas isso não tira os créditos de Michelle e Robert, que escrevem, de forma brilhante, muitos dos episódios. E isso, na minha opinião.

Se você nunca viu The Good Wife, aproveita que a segunda temporada está acabando e veja tudo até a estreia da terceira, em setembro/outubro. Cuidado que vicia!

junho vale a pena

Tem mês que não dá para ir ao cinema, não tem nada de bom passando ou o blockbuster do momento está ocupando todas as salas. Mas junho tem estreias bem interessantes, alguns com um bom atraso, outros de uma rapidez como nunca se viu.

03/06 – X-Men: Primeira Classe. As pessoas andam falando muito mal deste filme, eu, para contrariar, acho que será ótimo. Primeiro, pelo diretor, Matthew Vaughn, de Stardust e Kick-Ass. Segundo, pelo elenco, James McAvoy, Michael Fassbender, January Jones, Jennifer Lawrence, Kevin Bacon… E por último, os trailers. Ah, e se passa nos anos 1960 (é, eu tenho um pé nessa década).

10/06 – Namorados Para Sempre. Blue Valentine, no original. Estreia com alguns meses de atraso, estava previsto para a época do Oscar, mas a indicação de Michelle Williams não foi forte o suficiente. Ryan Gosling no elenco, um ator que eu admiro desde que vi Tolerância Zero. De verdade, um dos melhores atores de sua geração.

17/06 – Contra o Tempo. Segundo filme de Duncan Jones (já falei mil vezes que Lunar é excelente), também uma ficção científica. Jake Gyllenhaal é um soldado que precisa descobrir o autor de um  atentado a um trem, e para isso, ele precisa reviver a explosão diversas vezes. Vera Farmiga está no elenco.

17/06 – Meia-Noite em Paris. Houve um tempo em que um filme de Woody Allen demorava um ano ou mais para estrear por aqui. Meia-Noite estreou há pouco no Festival de Cannes e brinca com aquele nosso pensamento de que nossa vida seria melhor em uma outra cidade, como Paris, Tóquio, Nova Iorque…

23/06 – A Árvore da Vida. Já falei várias vezes de A Árvore da Vida. Só pelas imagens já dá para ver que é lindo. Uma história que vai desde o Big Bang até o futuro. Terrence Malick na direção, com Brad Pitt e Sean Penn.