já é natal

Nas vitrines de Paris e Nova Iorque, um natal lúdico e de led.

Printemps

Barneys

Bloomingdales

Macy’s

Bergdorf Goodman

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quem manda no pedaço

“Mercedes é negra, eu sou gay. Nós fazemos a cultura”. Essa máxima foi dita por Kurt no episódio especial Madonna de Glee na primeira temporada. Quase quinze episódios depois, com Furt, a série levantou a voz e respondeu aos inúmeros casos de bullying contra gays nos Estados Unidos. Em Glee, Kurt é aterrorizado por um garoto do time de futebol americano da escola. Ele é empurrado, prensado, atirado contra paredes e armários, além de receber ameaças de morte. Na vida real, vários suicídios ocuparam as manchetes dos jornais americanos. O caso mais conhecido, ou mais cruel, foi o do universitário Tyler Clementi, que se atirou de uma ponte depois que seus colegas de quarto filmaram e colocaram na internet o vídeo de sexo de Clementi com outro homem.

Voltando ao Furt, Glee nunca foi tão literal ao tratar de seus temas. Os “amigos” de coral finalmente se mostraram amigos ao defenderem Kurt, incluindo o meio-irmão Finn, que sempre esteve em cima do muro (Finn + Kurt = Furt), e ainda teve o apoio da maravilhosa vilã Sue Sylvester, uma rejeitada como todos alí. Todo o episódio teve Kurt em primeiro plano, até uma expulsão do agressor foi desenhada, mas rapidamente riscada pelo conselho de educação. Tão real quanto em qualquer outro lugar.

Já no mundo real, depois da série de suicídios, o movimento It’s Get Better tenta ajudar jovens gays vítimas de bullying simplesmente dizendo que eles não estão sós e que as coisas vão melhorar. Recentemente, os funcionários da Pixar, responsáveis por maravilhas como Procurando Nemo, Ratatouille, Toy Story e Up, contribuíram com depoimentos. Katy Perry adicionou seu single autoconfiante Firework como parte do movimento. Uma das estrofes diz “Vá em frente, mostre o que você vale/ Faça-os fazer ‘oh, oh, oh’/ Enquanto você é atirado pelo céu”.

Em marcha para convencer os senadores americanos a acabar com a lei “Don’t ask, Don’t tell”, que restringe homossexuais assumidos do serviço militar, Lady Gaga usa e abusa do Youtube e Twitter para pedir apoio dos fãs. Como já se sabe, Gaga recebeu o bastão de Madonna e foi a escolhida como sucessora no reinado pop. Ambas tiveram a carreira catapultada pelo público gay até atingirem o mainstream. Usando referências culturais de todo tipo para a construção de algo próprio, o Gagaísmo virou tema ou matéria para cadernos culturais, de moda, comportamento, tecnologia e finanças. Afinal, Gaga é a artista que melhor sabe lidar com a internet e é a primeira artista a alcançar a marca de um bilhão de visualizações apenas no Youtube.

True Blood usa vampiros como metáfora das minorias. Mais precisamente, de gays. Os vampiros da série tentam integrar à sociedade depois do aprimoramento do sangue sintético, mas grande parte dos humanos sente repulsa e usa a bíblia como justificativa. A Liga dos Vampiros trava debates televisivos com grupos religiosos em busca de apoio para a aprovação de direitos igualitários. Vez ou outra seus personagens se encontram em alguma tensão homoerótica, porém, o sucesso da série vem principalmente do texto ágil e do clima que não tem medo de ser trash.

Não se trata de uma ditadura gay, não há uma máfia chefiada por Elton John ao lado de Cher e Liza Minelli, tentando enfiar suas convicções goela abaixo. Entenda como quiser, mas que a frase de Kurt é verdade, isso é.

sob a juba do leão

O futuro da MGM é incerto. Suas dívidas estão na casa dos bilhões e atualmente é controlada por credores.  Mas seu passado, ou seu catálogo, é formado por preciosidades, clássicos que nasceram clássicos e que formaram os cineastas de hoje. Será que James Cameron teria feito Avatar se não tivesse O Mágico de Oz e seus delírios como macacos voadores como filme favorito? E Tarantino teria feito Bastardos Inglórios se não tivesse visto Os Doze Condenados? E o clipe de Telephone da Lady Gaga, seria o mesmo sem Thelma e Louise? Abrindo o arquivo MGM:

Os bastidores de E o Vento Levou, o primeiro grande blockbuster épico

Charlton Heston nos intervalos de Ben-Hur nos estúdios da Cinecittá. Uma Vespa no lugar da biga
Uma História de Natal

Brad Pitt em Thelma e Louise, muito antes do fenômeno Brangelina
Elizabeth Taylor em A Mocidade é Assim Mesmo
Os Doze Condenados. O diretor Robert Aldrich com Lee Marvin e John Cassevetes
Nicolas Cage e Cher em Feitiço da Lua
Os acidentados de Um Peixe Chamado Wanda
Gene Kelly e Donald O'Connor em Cantando na Chuva

 

vai melhorar? tomara!

Quando eu era bem criança, a Guerra do Golfo ocupava as manchetes nos telejornais. Foi a primeira guerra transmitida ao vivo, uma tela esverdeada com pontos luminosos cortando o enquadramento. As pessoas diziam “olha a guerra, que loucura”. A Guerra do Golfo também foi chamada de high-tech, com armas inteligentes, precisas em acertar apenas alvos militares, deixando os civis em paz. Não demorou muito para o mundo constatar que não foi bem assim. Passados 20 anos, mas na cidade onde moro, uma outra guerra foi transmitida ao vivo, de 12:00h às 18:00h, sem intervalos comerciais. No Facebook, alguém comentou que a Globo estava tao adiantada que estava passando Tropa de Elite 2 na Sessão da Tarde. Essa guerra foi finalmente declarada como guerra, com imagens nítidas e digitais. Por enquanto, a gente fala “nossa, olha a guerra, que loucura”, não sabemos até onde ela vai e nem seus resultados, mas esperamos mudanças.

Acho que não há um morador do Rio que não parou e refletiu sobre a gravidade da situação de sua cidade. Não há propriamente pânico nas ruas, mas muita apreensão e, pela primeira vez, apoio em massa às ações da Secretaria de Segurança. O barulho dos helicópteros cruzando a cidade e as sirenes deixam as pessoas em alerta, muitos estão isolados, as empresas de ônibus não querem mais veículos queimados, qualquer garoto perto de um carro estacionado já é um suspeito, mas é o remédio amargo. Cada homem de preto dentro dos blindados é um capitão Nascimento e visto como herói, efeito Tropa de Elite. Os traficantes já não são mais legais, foram vistos correndo em desespero, se refugiando num ninho amigo, mas com tantos caciques dentro de uma oca, ninguém será tão amistoso assim. Os urubus em cima do morro já fizeram suas profecias.

não conta pra ninguém, mas eu quero um ipad

Eu vou falar mal do iPad até ter um. Coisa de gente recalcada. Na verdade, eu nem sei direito para que serve, mas o bom do nossos dias é que mesmo que você não precise, alguém cria a necessidade de você ter. Enfim, eu falava a mesma coisa do iPod até ter um, mas agora eu quero um iPad só porque vi a propaganda do aplicativo da revista New Yorker estrelada pelo Jason Schwartzman e dirigida por seu primo, Roman Coppola – diretor, ator, roteirista, produtor, filho de Francis Ford, irmão de Sofia e primo de Nicolas Cage. Como eles conseguem tornar tudo mais cool?

o que te define?

Estupefato com os ataques homofóbicos que aconteceram na semana passada, mas mais ainda com os comentários que li em blogs e sites de notícia. Pela primeira vez os veículos de notícia têm se aprofundado no tema e gerado discussões acaloradas nos espaços para comentários. Muitos pedem rigor na punição dos garotos e nos militares, mas só porque são garotos da classe média e geralmente saem impunes em casos semelhantes. Muitos outros se mostraram parcialmente cúmplices ao encontrarem uma justificativa nas atrocidades cometidas. O que me assusta nestas pessoas é perceber que, para elas, a preferência sexual é que define alguém. E eu me pergunto, e o caráter, não conta mais? Morreu?

Separar as pessoas em certas e erradas apenas por sua preferência sexual é um tanto limitador. Para os que se dizem cristãos e usam este sistema, isso não seria uma blasfêmia, uma vez que Deus nos deu inteligência, intelecto para evoluir? Se fosse assim, tão simplista, tudo seria mais fácil, eu não confiaria em nenhum homossexual, passaria o dia dizendo “ah, esses gays, sempre enganadores como uma naja”. Porque os gays são facilmente identificáveis, adoram rosa, usam o copo levantando o dedo mindinho, dançam em qualquer lugar, a qualquer momento rasgam sua roupa e desfilam de sunga branca, têm cavanhaque, usam perfume e adoram couro. É muito fácil identificar um gay, estão sempre andando com um poodle rosa. E ainda paqueram todo homem que vêem pelo caminho, não escapa unzinho!

Dizer que Deus criou homem e mulher é uma coisa, macho e fêmea, é outra. Aprendi que ser homem ou mulher é muito mais que produzir gametas, tem a ver com caráter. No Aurélio, caráter é o “conjunto de qualidades (boas ou más) que distinguem (uma pessoa, um povo); gênio, índole, humor, temperamento. / Formação moral, honestidade: homem de caráter”. Não é muito mais importante do que se preocupar se a pessoa sente atração por alguém do mesmo sexo?

Agora a questão de ser normal e anormal. Quem neste mundo pode levantar o dedo e dizer com toda certeza que é normal? Aliás, o que é normal? Por mais diferentes que sejam as culturas e credos, todo mundo enfrenta os mesmos dilemas. Sentimos alegria, tristeza, angústia, inveja, nervosismo, medo, amor e desejo, independente de classe social, educação etc. É o que nos torna humanos, algo universal. Uma família, não necessariamente, é composta de pai, mãe e filhos. Já está mais que provado que o modelo tradicional não é garantia de sucesso. Alguns criam famílias nas amizades, porque família é vínculo, é uma relação de entendimento e amor incondicional entre pessoas.

Eu, Alexandre, prefiro somar e multiplicar à subtrair e dividir. Não tenho paciência para pessoas que terceirizam Jesus, então fica logo a resposta: “Bem-aventurados os misericordiosos porque alcançarão misericórdia”. “Bem-aventurados os puros de coração porque verão a Deus”. “Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus”. “Rache uma lasca de madeira e Eu estarei lá; Levante uma pedra e Me encontrará”. “Amai-vos uns aos outros como a si mesmo”.

como se fazia antigamente

Há nem tão pouco tempo atrás, as maquetes eram usadas para cenas que hoje podem ser feitas com computação gráfica, como se fosse a coisa mais corriqueira do mundo. Atualmente, as maquetes são usadas basicamente para animações em stop motion, como Coraline e O Fantástico Sr. Raposo, ou filmes que dependem de efeitos visuais mas sem muito dinheiro, como Lunar. Nessa mesma época em que maquetes, máscaras e bonecos eram o último grito no mundo dos efeitos visuais, a Industrial Light & Magic reinava absoluta no setor. Para a Vanity Fair, o artista de efeitos visuais Dennis Murren, ganhador de 8 Oscars e primeiro profissional do gênero a ganhar uma estrela na Calçada da Fama, abriu seu arquivo mostrando os bastidores de cinco filmes que mudaram a cara dos efeitos especiais no cinema.

Star Wars – O Império Contra-Ataca. Na foto, ao lado de Michael Pangrazio (pintor) e Phill Tippett (animador stop motion)

Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida. Foi ideia do modelista Steve Gawley de filmar a fantasma na água. Para o rosto derretendo, camadas e camadas de cera, além de uma câmera de baixa velocidade.

E.T. As dificuldades em filmar o pouso da nave, construída numa escala muito pequena. E as luzes para casar maquete, boneco e um painel pintado.