tédio que não mata

Bored To Death estreará sua segunta temporada dia 26 de setembro e parece estar mais cool que nunca, adjetivo ideal para a série com os personagens mais despretensiosos e absurdamente cômicos da televisão atual. Quase não vista no Brasil, Bored to Death foi criada por Jonathan Ames, que batizou o protagonista com o próprio nome.

A série é uma metalinguagem embaralhada, já que Jonathan (Jason Schwartzman) é um escritor que não consegue escrever seu segundo livro e foi abandonado pela namorada. Entediado, põe um anúncio de “detetive não credenciado” nos classificados e passa a investigar casos sem grande importância, sempre acompanhado de seu amigo Ray (Zach Galifianakis) e do editor George (Ted Danson).

Jonathan Ames, o verdadeiro, é tão pancada que nem tinha televisão em casa quando sua série estreou, precisou ver na casa de um amigo. Bored to Death fez relativo sucesso, mas não chegou a ser um hit. A segunda temporada parece caminhar pela mesma despretensão . No site da HBO, dá para ver vários vídeos especiais: Bastidores, entrevistas e até o trio numa sessão de fotos para a Harper’s Bazzar, além da irresistível música de abertura, composta e cantada por Jason Schwartzman.

Antes da estreia da segunda temporada, a HBO lança Boardwalk Empire no dia 19.

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um novo exorcista?

O Último Exorcismo estreou nos cinemas americanos na última sexta-feira com ótimas críticas. O público compareceu às salas e levou o terror ciência/religião ao primeiro lugar no ranking de bilheteria do fim de semana, num total de 21,3 milhões de dólares. A história acompanha, como num documentário, o reverendo Cotton Marcus, um pregador sem escrúpulos que cobra para realizar exorcismos que ele não acredita. Com peso na consciência, ele planeja se aposentar, mas aceita fazer mais um exorcismo, desta vez numa jovem na Louisiana.

Sua ideia de bem e mal são revistas com o caso e há uma inversão de papéis. Enquanto o pastor tenta encontrar respostas na ciência, o pai da menina, muito religioso, acredita que a filha está realmente possuída. Este entrave acaba piorando o estado da jovem.

Para o veterano produtor Eli Roth, O Último Exorcismo é um retrato atual dos Estados Unidos, em que ninguém ouve o ponto de vista de ninguém e há apenas gritaria. Ainda justificando a realização do filme, ele diz que a religião tem servido como escape para um sociedade cada vez mais confusa. “Creio que isso é porque o mal de hoje não tem mais um rosto, está em todas as partes. Há 75 anos, sabíamos quem era Hitler. Mas hoje, o demônio está no terrorismo, na cobiça das grandes empresas, na corrupção das autoridades”.

O Último Exorcismo tem previsão de estreia no Brasil para o dia 24/09.

praticamente escolhidos por mim

Sabia que ia gostar do Emmy 2010. Mad Men e Modern Family como melhores séries. Bryan Cranston e Aaron Paul como melhores atores em série dramática. No agradecimento, ficou clara a admiração que Aaron Paul sente  pelo colega Bryan Cranston, seu olhos brilhavam e o prêmio foi muito merecido. Edie Falco como melhor atriz cômica, mesmo não sendo uma pessoa engraçada, e Eric Stonestreet como melhor ator coadjuvante em comédia. Foi tão bonitinho ver que ele é a cara da mãe e que Jesse Tyler Ferguson se emocionou com a vitória  do companheiro (e concorrente) de série.

Glee e Lost floparam, mas talvez as indicações já fossem o bastante. A festa em si foi bem superior que a do ano passado, muito mais dinâmica e divertida. Todo mundo muito elegante no tapete vermelho, sem exageros e muito azul marinho. A única que delirou um pouco foi January Jones, que saiu atrasada de casa e nem arrumou o cabelo, e se meteu num Versace dois números maiores feito com copos descartáveis. Claire Danes estava linda, mas ninguém barra a Sally Draper. Go play.

Como fã de Modern Family, minha diversão (além de ver Jon Hamm dançando) foram as esquetes para a premiação.

PS: Ótimo ver que Maura Tierney já está recuperada.

say my name

Julianna Margulies, January Jones, Jon Hamm, Bryan Cranston, Michael C. Hall, Lea Michele, Edie Falco, Chris Colfer, Jesse Tyler Ferguson, Eric Stonestreet, Ty Burrell, Aaron Paul, Terry O’ Quinn, Christina Hendricks, Elisabeth Moss, Archie Panjabi, Jane Lynch, Kristen Wiig e Sofia Vergara. Ficarei feliz se ouvir qualquer um dos nomes acima esta noite no Emmy.

Emmy is the new Oscar. A apresentação será de Jimmy Fallon e ainda haverá uma homagem aos serviços humanitários de George Clooney (sem a cara amarrada do Oscar). O Emmy será transmitido no Brasil pelos canais irmãos Sony e AXN, a partir das 20:00h (tapete vermelho), cerimônia às 21:00h.

E qual série vai ganhar? Em comédia vai dar Glee, mas em drama, pouco me importa. Sou fã das seis.

meu maluf favorito

Sábado de tempo mais ou menos no Rio e eu decidi ver Meu Malvado Favorito, filme que estava empurrando com a barriga. Achei que a sessão estaria mais vazia já estando na terceira semana de exibição. Ledo engano, tempo mais ou menos no Rio significa não arriscar praia e se meter no cinema com as crianças.

Com a Era do Gelo, Horton e Robôs na bagagem, o produtor Christopher Meledandri sabe o que funciona numa animação voltada mais para o público infantil. Meu Malvado Favorito não inventa a roda, mas entrega um filme redondinho e em forma. Há humor e fofura em cada personagem, principalmente em Gru, o vilão que quer voltar ao primeiro lugar no ranking dos malvados roubando a lua. A dublagem do humorista Leandro Hassum é ótima, cria um malufismo perfeito para Gru, mas ao mesmo tempo, conserva todos os tiques de Steve Carell, o dublador no original. Para ver sem dor.

antolho

E em São Paulo, o pai de uma menina de 12 anos disse ter entrado com uma representação no Ministério Público contra a escola em que ela estuda. O motivo seria o filme apresentado na aula de artes, Frida (2002), que aos seu olhos, contém cenas inapropriadas para a idade. Segundo ele, que é evangélico, a filha chegou em casa chorando e dizendo que haviam passado um filme pornográfico na aula. “Acorda assustada, chora muito. Ela precisa de psicólogo”, disse ele.

Eu sei que não se pode julgar sem conhecer os detalhes, patati patatá, mas com todo o respeito: Meu senhor, vai catar coquinho! Eu já vi o filme diversas vezes e a única coisa chocante é a intensidade de Frida. A escola chegou a dizer que o teor do filme não foge do que se passa na televisão, mas o pai afirmou que tais coisas não passam em sua televisão.

Pode até parecer engraçado, mas é muito triste uma menina de 12 anos se chocar com coisas que já pode digerir. Estudei em colégio protestante e conheci algumas pessoas assim. Gente que acaba usando um antolho e perde a capacidade de interpretar, lêem tudo ao pé da letra, literalmente. É a mesma gente que protesta contra a disponibilidade dos livros de Harry Potter nas bibliotecas ou que destrói estátuas de Buda de 1500 anos.

Através de uma nota, a direção da escola disse que ainda não foi notificada oficialmente e rebateu as acusações do pai da menina, que já foi transferida para outra escola.

no looping

No vídeo promocional do Showtime, Nancy (Weeds) e Cathy (The Big C) duelam, separadas por uma cerca, por quem tem mais problemas. Nancy vende drogas para se sustentar, acabou de ter um filho com um grande criminoso, o filho matou uma mulher, seu cunhado disse que a ama… Já Cathy tem câncer, precisa cuidar do filho mimado e também do marido mimado. No final, elas se abraçam porque se entendem profundamente. Difícil dizer quem tem os piores problemas, mas Nancy tem uma vida mais caótica que Cathy. The Big C, nova aposta do canal, junta Cathy ao grupo de “mães protagonistas e problemáticas em comédias de 30 minutos”. Além de Weeds, as outras séries são United States of Tara e a ótima Nurse Jackie.

Cathy é professora, mas sua grande atuação está no lar, onde mimou o filho adolescente e piorou o já mimado marido (Oliver Platt), típica dona de casa de Connecticut, aquele estado em que tudo é perfeitinho e ninguém tem problemas. Ao ser diagnosticada com melanoma, ela decide preparar seus entes querido para a realidade que sempre escondeu atrás de catálogos de sofás, incluindo uma aluna malcriada interpretada pela preciosa Gaborey Sidibe.

Toda a série está em cima da personagem de Laura Linney, que alterna momentos depressivos com histeria. Apesar de não ter espaço suficiente, ela quer construir uma piscina em seu quintal apenas para mergulhar como fazia quando criança. Dá para culpá-la? Nos dois episódios que já foram ao ar, a série se mostrou um tanto irregular, mas longe de ser ruim, talvez porque o C do título seja uma doença assustadora e temos tanto medo dela como Cathy, mesmo quando ela é tratado com humor.

“com o coração cheio de gratidão por todas as coisas boas do mundo, eu descanso minha caneta”

No último dia 24, o diretor japonês Satoshi Kon faleceu em casa de câncer no pâncreas aos 46 anos. Pouco antes de morrer, ele se despediu com uma comovente e bela carta aberta, publicada postuamente em seu blog (em japonês) e com tradução não oficial, em inglês, aqui. Nem preciso comentar que esgotei minha cota de lágrimas.

Os filmes de Kon não renderam muito dinheiro, como ele mesmo lamenta na carta, nem são muito populares no circuito principal, mas são de grande importância para o cinema mundial. Quando recebeu a notícia do médico, ele trabalhava em Yume Miru Kikai (The Dreaming Machine, título em inglês), que apesar de estar em pós-produção, segundo o IMDB, não tem previsão para estrear, mas quem já viu os extras de seus filmes, sabe que tudo, absolutamente tudo passava pelas mão de Kon. Que ele descanse em seu mundo de sonhos.