brincando de deus

Filmes de ficção científica são mal compreendidos, sempre ignorados e colocados como subcategoria. As pessoas têm preguiça e esquecem que filmes como Alien e A Mosca fazem parte do gênero. Surpreendentemente, 2009 nos trouxe bons títulos: Distrito 9, Star Trek e Lunar. Este ano, é a vez de Splice. É claro que ainda não vi, mas os créditos adiantam que vou adorar o filme. A direção é de Vincenzo Natali, de O Cubo (se você não viu, veja), os protagonistas são Adrian Brody, que eu gosto cada vez mais, e Sarah Polley, que admiro cada vez mais. Polley escolhe seus projetos a dedo, e vai do independente Minha Vida Sem Mim ao terror Madrugada dos Mortos. Como roteirista e diretora, fez Longe Dela, com Julie Christie.

Elsa e Clive são dois cientistas que fazem uma experiência inédita, criam um organismo híbrido com genes animal e humano, mas com a promessa de destruir a criação caso ela tenha sucesso. É lógico que dá certo. Movidos pela vaidade e paixão, os dois quebram a promessa e fecundam um óvulo. O resultado é uma fêmea linda e exterminadora. Uma brincadeira Médico e Monstro, Frankstein, mas que nas mãos de uma diretor competente, pode render um dos melhores filmes do ano.

Splice ainda não tem previsão no Brasil. Nos EUA, foi mal de bilheteria. Agora é torcer para não ser lançado diretamente em DVD ou simplesmente esquecido.

turbante americano

Alan Ball, a mente por trás de Beleza Americana e das séries Six Feet Under e True Blood, é um dissecador da sociedade americana. Ele volta a investigar os subúrbios em seu primeiro longa como diretor, o filme Tabu (Towelhead), de 2007, e que chega às locadoras brasileiras este mês. O filme se passa durante a primeira guerra do Iraque e tem como protagonista, a menina Jasira, de 13 anos, interpretada pela atriz Summer Bishil (com 19 anos, na época).

Num primeiro momento, o foco parece ser o olhar xenófobo para uma menina de ascendência libanesa, mas logo percebe-se que o filme é um raio-x de uma menina descobrindo sua sexualidade. Jasira é filha de um relacionamento imaturo e é mandada para seu pai após o namorado da mãe depilar sua virilha. O pai de Jasira tem uma identidade esquizofrênica, assume costumes americanos e libaneses quando lhe convém, mas olhando bem, dá no mesmo. Obrigada a ser babá do vizinho, Jasira tem o despertar de sua sexualidade na figura do pai do menino, um reservista aguardando ser convocado para a guerra, vivido por Aaron Eckhart. A relação Lolita é incômoda, mas em momento algum chega a ser didática. Não há limite nem diferença entre sexo e amor, é apenas a história de uma menina solitária e negligenciada que encontra escape num adulto.  Adaptado do livro O Deserto de Jasira, de Alicia Erian, Tabu não cria caricaturas, pois o que acontece no subúrbio de lá, pode acontece em qualquer outro lugar.

No elenco, além de Eckhart, Toni Collete faz a vizinha que tenta proteger Jasira. Ainda no elenco, atores parceiros de Ball, como Peter Macdisse e Chris Messina, de Six Feet Under, e Carrie Preston, a garçonete Arlene de True Blood.

cagarras afundam

Detesto a sensação de déjà vu, porque sempre acho que algo de ruim vai acontecer e eu não consigo inerferir. Depois de ter tido um na quinta-feira, percebi que o melhor que eu poderia fazer era fazer algo incomum. Moro no Rio desde sempre e há anos (de verdade, não é uma expressão) não vou à praia. Passo por ela, mas nunca paro para uma fotossíntese, o que explica minha cor doentinha. No sábado de manhã decidi calçar o chinelo (outro fato incomum) e sair de casa. Ninguém acredita.

A luz muda completamente na praia, e a maresia que tanto me incomoda, dessa vez funcionou como um revitalizante. Meio perdido no cenário, andei até um ponto onde pudesse sentar e começar o processo de fotossíntese. As pessoas me olhavam como se eu fosse turista, o que eu adoro. O homem ao meu lado começou a discutir a relação por telefone, e a mulher da barraca começou um alongamento privé, o problema era que ela não era assim uma Brastemp. Pronto, levantei e andei até o posto 11. No caminho, tentaram me vender biscoito Globo não sei quantas vezes.

Assisti por um tempo as pessoas jogando vôlei, pensando como seria minha vida se eu gostasse de praia. A única conclusão foi que ela seria mais fácil. Voltei em direção ao Leblon porque os 40 minutos de praia foram o suficiente. Como sou uma penssoa que pensa no próximo, não tirei a camisa, tinha muita criança para traumatizar, mas as ilhas Cagarras afundaram 15 cm nesse dia. Confesso que um dos incentivos para este dia foi o pós-praia, que significa uma torta e café na Kurt, uma espécie de recompensa pelo esforço.

Antes, porém, precisei comprar um band-aid porque o chinelo arrancou parte do meu pé direito. Como as pessoas conseguem andar o dia inteiro de chinelo? Como? Para minha sorte, tinha torta de damasco, uma das minhas preferidas e também uma das mais tradicionais. A pequena confeitaria na General Urquiza é um pedaço do céu, seus doces não muito doce deveriam servir de parâmetro para as outras docerias. Sim, o preço é razoável se comparado com outras casas, mas a qualidade é outra e pago sem reclamar.

O saldo do dia: A fotossíntese fez bem, mas o rubor de saudável saiu no primeiro banho. Depois desse dia, passei a ter sonhos bem estranhos. Sonhei que estava andando de carro com Luciano Huck, depois sonhei que tinha sido expulso do prédio e que Júnior (da Sandy) era meu vizinho… No último sonho, estava no metrô, sem luz, com O Exorcista passando no vagão. A praia faz cada coisa!

fim do tédio

A série mais cool do planeta já tem data para voltar: 26 de setembro, nos Estados Unidos. Bored to Death é uma série biográfica, mas também de ficção do escritor Jonathan Ames, sobre um escritor com dificuldades de escrever seu segundo romance que, num momento de tédio absoluto, anuncia-se como detetive amador. O Jonathan da série é vivido por Jason Schwartzman e tem como companhia de luxo, Ted Danson e Zach Galifianakis. A série é tão cool que o tema de abertura é um chiclete composto e interpretado pelo próprio Schwartman, uma Pantera Cor de Rosa casada com um detetive noir.

Pulando para outra série da HBO, estreia hoje, no Brasil, a terceira temporada de True Blood. Como acompanho junto com os gringos, dá para dizer que a temporada começa com a pulga na cueca, exatamente onde a segunda terminou. Nos dois primeiros episódios, o que se vê é um True Blood com o volume no máximo, diálogos espertos e engraçados, homens nus e trash como nunca. Meia-noite na floresta, entre sacis e pirilampos.

miojo em casa

É lamentável que Brittany Murphy tenha morrido tão precocemente. Ela não era a melhor das atrizes, mas coloria como ninguém a tela do vídeo. Ela é Abby em Sabor de uma Paixão (The Ramen Girl), filme recém-lançado diretamente em DVD, uma jovem perdida na vida e abandonada pelo namorado em Tokyo. Ao perceber que a única coisa que a faz feliz é comer ramen, ela decide virar uma expert no preparo da massa. Ramen é a versão rica do miojo nosso de cada dia. Um prato quase sagrado para os japoneses, uma alquimia, uma filosofia passada de pai para filho. Ou seja, não é para qualquer um. Seu mentor é um homem mau-humorado, grosseiro e amargurado, mas de bom coração, interpretado por Toshiyuki Nishida (o Dênis Carvalho japonês). O resto da história não é difícil de prever, um Karate Kid na cozinha, com Abby limpando banheiro, panelas… A diferença é que Brittany Murphy é irresistível quando faz o seu melhor, o papel da menina que aprende a ser mulher. A maioria dos diálogos é em japonês, o que torna a história mais crível e engraçada, lost in translation, mas há um porém. O filme parece um grande especial para televisão, mas isso é culpa do diretor Robert Allan Ackerman, um especialista no gênero. Apesar do título brasileiro, não se trata de uma comédia romântica, há um flerte bem tímido, mas o ramen fica sempre em primeiro plano. Apesar da desastrosa capa do DVD, é uma fábula que merece a atenção de quem curte o gênero Brittany Murphy.

brilho no mar

Semana passada, eu disse que Ponyo estrearia neste fim de semana. Erro meu, a estreia acontece apenas no dia 2 de julho. Como desculpas, um aperitivo.

No oceano imaginário de Hayao Miyazaki vive um homem que tenta proteger seus preciosos peixes do mundo. Porém uma dessas criaturas, Ponyo, tem a curiosidade de conhecer o mundo. E o faz, se tornando amiga de um menino de seis anos. A amizade é tão forte que Ponyo se transforma numa menina.

As cores de Ponyo são mais suaves, os desenhos foram pintados com aquarela, sem se preocupar com realismo, afinal, como um peixe pode se tornar humano? Tudo desenhado à mão. O computador só foi usado para criar alguns efeitos. Não que Miyazaki seja contrário ao uso da CG, mas segundo ele, dá muito mais trabalho. Depois dos complexos Princesa Mononoke, A Viagem de Chihiro e O Castelo Animado, Miyazaki faz um filme para seu neto, usando uma história simples e estimulante, que talvez agrade mais às crianças. Assim como em Meu Amigo Totoro, Ponyo explora o fantástico, o mistério e a inocência de ser criança, sem criar situações de sentimentalismo barato.

No Japão, os filmes de Miyazaki são sucesso absoluto. Princesa Mononoke e Ponyo bateram, respectivamente, as bilheterias de Titanic e O Cavaleiro das Trevas. A música tema colou feito chiclete e foi ouvido à exaustão, já que os japoneses têm tendência a coisas fofas. O filme entra em cartaz no Brasil com quase dois anos de atraso, em cópias dubladas e legendadas. Vale dizer que as cópias legendadas têm o áudio em inglês, com vozes de Tina Fey, Cloris Leachman, Liam Neeson, Lily Tomlin, Matt Damon e Cate Blanchett (excelente escolha para o papel).

Para o The New York Times, Ponyo nos faz perceber que poucos filmes atuais expressam alegria e nos deixam extasiados, nas palavras da crítica, “é eufórico, uma tocante imagem de liberdade”. Eu concordo, e se este post não lhe deu a dimensão sobre o que é Ponyo, eu apelo para que você pegue um liquidificador e bata A Pequena Sereia, Procurando Nemo e Fantasia.

No oceano imaginário de Hayao Miyazaki vive um homem que tenta proteger seus preciosos peixes do mundo. Porém uma dessas criaturas, Ponyo, tem a curiosidade de conhecer o mundo. E o faz, se tornando amiga de um menino de seis anos. A amizade é tão forte que Ponyo se transforma numa menina.

As cores de Ponyo são mais suaves, os desenhos foram pintados com aquarela, sem se preocupar com realismo, afinal, como um peixe pode se tornar humano? Tudo desenhado à mão. O computador só foi usado para criar alguns efeitos. Não que Miyazaki seja contrário ao uso da CG, mas segundo ele, dá muito mais trabalho. Depois dos complexos Princesa Mononoke, A Viagem de Chihiro e O Castelo Animado, Miyazaki faz um filme para seu neto, usando uma história simples e estimulante, que talvez agrade mais às crianças. Assim como em Meu Amigo Totoro, Ponyo explora o fantástico, o mistério e a inocência de ser criança, sem criar situações de sentimentalismo barato.

No Japão, os filmes de Miyazaki são sucesso absoluto. Princesa Mononoke e Ponyo bateram, respectivamente, as bilheterias de Titanic e O Cavaleiro das Trevas. A música tema colou feito chiclete e foi ouvido à exaustão, já que os japoneses têm tendência a coisas fofas. O filme entra em cartaz no Brasil com quase dois anos de atraso, em cópias dubladas e legendadas. Vale dizer que as cópias legendadas têm o áudio em inglês, com vozes de Tina Fey, Cloris Leachman, Liam Neeson, Lily Tomlin, Matt Damon e Cate Blanchett (excelente escolha para o papel).

Para o The New York Times, Ponyo nos faz perceber que poucos filmes atuais expressam alegria e nos deixam extasiados, nas palavras da crítica, “é eufórico, uma tocante imagem de liberdade”. Eu concordo, e se este post não lhe deu a dimensão sobre o que é Ponyo, eu apelo para que você pegue um liquidificador e bata A Pequena Sereia, Procurando Nemo e Fantasia.

super-toys last all summer long

Alguns falam da evolução tecnológica ou o marco que o primeiro Toy Story representa para a animação por computação, mas estamos falando de Pixar. Nos filmes do estúdio, os aprimoramentos ficam em segundo plano, enquanto todas as atenções são voltadas para a história. Quando a Pixar não mandava em seus filmes e a Disney quis porque quis fazer Toy Story 3, os animadores da Pixar chiaram, para eles, uma continuação só valeria a pena se tivessem uma boa história (não deveria ser assim em todos os estúdios?). Na versão da Disney, Buzz Lightyear seria mandado para algum país da Ásia para um recall e o resto da turma o resgataria. Sorte que a Disney sofreu um revertério e John Lasseter, diretor dos dois primeiros filmes, virou o manda-chuva da animação. Enfim, Toy Story 3 aconteceu, mas pelas mãos e cabeças da Pixar.

Andy agora tem 18 anos e se prepara para a faculdade. Os brinquedos não o atraem mais e fica a escolha entre mandar para o sótão, doação ou lixo. Depois de um incidente, os brinquedos vão parar numa creche e recepcionados por um fofo e mal intencionado urso de pelúcia. Depois de perceberem que a creche não é o lugar certo para eles, começa a jornada de voltar para casa. O filme se prende à essência dos anteriores, a inevitável passagem do tempo. Brinquedos são feitos para serem amados e depois esquecidos ou destruídos, e é sobre isso que Toy Story dialoga. Pode ter faltado um pouquinho de humor para os pequenos, mas deve-se pensar que os pequenos que viram o primeiro TS são como o Andy do filme. Um Buzz spanish mode, um Ken metrossexual, a comédia física e clássica do Sr. Cabeça de Batata e os ótimos alienígenas puxam as risadas que se transformam, inevitavelmente, em lágrimas nos dez minutos finais. Cada um em sua maneira é tocado pela história destes brinquedos, pois eles são a metáfora que a Pixar usa para falar com maestria sobre tempo, amadurecimento, rejeição e abandono.

Não chegue atraso para não perder o tradicional curta que precede o filme. Dia e Noite tem uma história muito simples, e genial exatamente por isso. Não deixe de reparar na homenagem feita ao mestre Hayao Miyazaki na cena que se passa no quarto de Bonnie.

toma lá, dá cá

Qualquer relação com a imprensa é delicada, mas como figura pública, é preciso engolir sapos e responder perguntas indelicadas. Nos últimos dias, Dunga tem provado que não é nem um pouco simpático e fez a burrada de cancelar as entrevistas exclusivas e os privilégios que a Globo tinha acertado com a CBF. Um tiro no pé no intuito de jogar a culpa na imprensa caso a seleção sofra uma derrota. Pois é, ele esqueceu que a mesma Globo que o apoiou quando todos criticaram sua escalação é quem tem o microfone na mão.  Não tem nada a ver com a Globo, mas já fizeram um vídeo paródia: Dunga em um dia de fúria, criação de @Pablo_Peixoto e @alexpopst. O vídeo contém palavras depreciativas.

Se você não é muito bom em palpites e sempre perde em bolão, sua solução pode ser jogar no Bingo do Galvão, criação do designer Marcello Cavalcanti. É assim: cada um recebe uma cartela e toda vez que o Galvão gritar um de seus bordões, você marca na sua cartela. Quem fechar uma coluna não paga sua cota nos comes e bebes. Pobre Galvão (not!).

via blog do Ancelmo.

a rainha está nua

Em tempos que Mulher Melancia é chamada de Marilyn Monroe tupiniquim e Cristiano Ronaldo é eleito o jogador mais bonito da Copa, ver esta foto chega a ser um alívio. Prestes a completar 65 anos, Helen Mirren desnudou-se para um artigo da New York Magazine. Sua foto, nua na banheira, arranca elogios e críticas, mas a nudez da rainha importa? Olhe bem a foto. Tudo está iluminado nos olhos de uma atriz que se recusa a descansar no esplendor de seu sucesso. Ela é a bad girl que afirma ser. Graças a Deus.

o amor é lindo

Memórias de Uma Gueixa e Maria Antonieta são filmes belos quando se trata de direção de arte, fotografia, figurino, maquiagem… É certo de que não são ruins (de maneira alguma), mas exigem que o público os assista com um carinho a mais. Io Sono L’amore me parece um filme de beleza singular, mas pelas críticas, parece também ser um filme excepcional.

Dirigido pelo italiano Luca Guadagnino, da adaptação de 100 Escovadas Antes de Dormir, I Am Love (como é chamado internacionalmente) conta a história da riquíssima família Recchi. No momento em que o patriarca decide dividir a cadeira da presidência da indústria entre seu filho Tancredi e o neto Edo, este diz que seu sonho é abrir um restaurante junto de seu amigo Antonio. O amor acontece quando a esposa de Tancredi, a imigrante russa Emma (Tilda Swinton), se apaixona loucamente por Antonio, o que desestabiliza a família. É difícil não ficar ansioso com um filme que tem a elegantérrima Tilda Swinton encabeçando um elenco tão belo. Io Sono L’amore já está no meu coração e espero muito que seja muito mais que um filme bonito. Infelizmente ainda não há previsão de estreia.