girls just wanna have fun

Escapismo é a melhor paralavra para descrever o segundo filme de Sex and the City. Michael Patrick King, o homem por trás da série e dos filmes, disse ter escrito o filme no ápice da crise econômica e o que ele mais queria era um escape para algum lugar onde o dinheiro fosse gasto de forma obscena, ou seja, mandar as quatro para algum estado dos Emirados Árabes. Abu Dabhi foi o escolhido, mas as filmagens ocorreram no Marrocos, onde houve autorização e liberdade para fazer o que quisessem.
Dois anos depois do primeiro filme, Carrie não quer cair no marasmo do casamento, Charlotte tem dificuldades em ser a mãe perfeita, Miranda enfrenta o novo sócio do escritório e Samantha tenta driblar a menopausa. Depois de uma breve introdução de como as quatro se conheceram e o casamento mais gay que já se viu, o andamento do filme cai um pouco (a gente quer ver as quatro livres, leves e soltas), mas se recupera quando o antigo apartamento de Carrie aparece, depois é só diversão, a essência da série. Suítes individuais na primeira classe do avião, quarto de 22 mil dólares a diária, mordomos particulares, passeio de camelo e, claro, roupas fabulosamente extravagentes. Patricia Field se supera e entende o que é escapismo. Se você não tem problemas com isso, se monte e vá ao cinema para duas horas e meia num mundo de mil e uma noites.

the readers

Fim de semana, clima Manoel Carlos, nada muito vibrante e excitante, um cinema à tarde e a necessidade de postar algo. A internet traz muita bobagem, mas algumas bobagens são divertidas, como o blog Hot Guys Reading Books. Sim, um blog com fotos de caras lendo um livro, revista… Se você quiser, pode enviar a sua para o blog. A foto que ilustra o post foi enviada por uma leitora que encontrou o pescador lendo A Torre Negra, de Stephen King.

lady blue

Lady Blue é a terceira parte da campanha Lady Dior – Lady Noir e Lady Rouge. A Dior convidou David Lynch para dirigir o comercial e fez apenas duas exigências, a mítica bolsa Dior deveria ter destaque e tudo deveria se passar em Shanghai. Marion Cotillard retorna como a Lady e o comercial é inspirado no poema do próprio Lynch, Shanghai Pearl Tower.

Bom, é David Lynch (Twin Peaks, Duna, Inland Empire, Mulholland Drive), então não espere conclusão, podem ser 16 minutos de prazer ou 16 minutos perdidos, você quem decide.

the end – o catártico e belíssimo final de lost

com spoilers

Desde o primeiro episódio, seis anos atrás, sabia que a série se encerraria com Jack fechando os olhos no bambuzal, essa era a única certeza que tinha. Lost terminou sem responder todas as perguntas, mas isso importa? A série sempre foi sobre os encontros destes personagens que amei e, por vezes, detestei. A série foi sobre seus personagens, e é por isso que chorei diversas vezes durante o episódio final. O individualismo, livre arbítrio, eternidade e destino, os temas presentes na série se fecharam satisfatoriamente, assim como os flashes-sideways que tanto intrigaram os espectadores.

O roteiro muito bem estruturado e escrito pela dupla Carlton Cuse e Damon Lidelof, os reais guias, casou-se melhor que nunca com a edição de tempo correto e a trilha de Michael Giacchino. Foi com imensa alegria que vi os reencontros e o retorno de personagens tão queridos, como Charlie, Penny, Boone, Shannon, Charlotte e a loira Juliet (e, sim, eu chorei com o beijo em Sawyer). Hitchcok dizia que para se fazer um bom filme, este deveira ter, pelo menos, 4 cenas memoráveis.  Acho que The End tem várias: Ben em sua redenção, a passagem de Jack para Hurley, a mortalidade do Homem de Preto, a despedida de Kate e a responsabilidade de Jack. Os minutos finais foram de uma beleza singular na televisão, apesar de lembrar Six Feet Under.

Lost fica como a série que mudou a telivisão e a transcendeu. Cresceu com as novas redes sociais e outras mídias móveis. Em poucas horas, os episódios estavam disponíveis para download ou em algum streaming. Permitiu filhotes e elevou a qualidade da tv, coisa muito difícil de se  fazer na tv aberta. Debates, fóruns e análises para encontrar detalhes não vistos nos episódios. Lost exigiu cumplicidade e maturidade do espectador, usou saltos no tempo, teorias de Rousseau, Hume, Locke (também sobrenomes de personagens), física quântica, reinventou narrativas, mas ainda uma série sobre personagens. Entretenimento inteligente. Está sendo difícil aceitar que não ouvirei mais o “presviously on Lost”, mas a série tem sobrevida nos debates. Tenho certeza que todos estão passeando na kombi do Hurley.

wes andersen – parte 2

Para ler a primeira parte, clique aqui.

Duas coisas são marcantes em Hotel Chevalier (parte 1 e 2), curta que antecede Viagem a Darjeeling: a nudez felina de Natalie Portman e o roupão amarelo gema – ao som de Where do You Go To My Lovely. O quarto em que Jack (Jason Schwartzman) tenta esquecer sua ex-namorada até receber sua visita é amontoado de memórias, incluindo o perfume Voltaire nº6, uma introdução ao mais estiloso de seus filmes.

Em Darjeeling, Francis (Owen Wilson), Peter (Adrien Brody) e Jack (Schwartzman) são três imãos que não se falam desde a morte do pai, um ano atrás. Numa tentativa de recuperar os laços fraternos, os três partem para uma viagem de trem pela Índia. Tudo muda ao serem expulsos após alguns incidentes, ganhando pinceladas reflexivas sobre a vida, solidão e perdas.

Os tons pastéis do figurino criado pela sempre fantástica Milena Canonero contrastam com o colorido da Índia de Anderson. O trem foi minuciosamente pintado e adornado por artesãos indianos (veja a quantidade de gente nos créditos da direção de arte), um reflexo do co-roteirista Roman Coppola (irmão mais velho de Sofia e que já ganhou perfil na revista Vogue Hommes International). Sofia, prima de Jason Schwartzman, é amiga íntima de Marc Jacobs, que assina o set de bagagem dos três irmãos. Família Coppola, Andersen, Milena Canonero e Marc Jacobs formam uma máfia que deixa fashionistas cinéfilos em polvorosa.

No desenrolar da história, os tons pastéis se casam com o colorido dos colares, calçados e lenços. Os personagens vestem-se corretamente, mas não chega a doer de tão perfeito quanto em A Single Man, vestem pijama para dormir e cueca samba-canção rosa, mas são rebeldes ao usar meia branca com sapato escuro. Peter, o feioso e charmoso Brody, apega-se aos pertences do pai e não se importa em ter dores de cabeça por usar os óculos do pai.

Depois de serem expulsos do trem, os irmãos vão para numa vila do interior, onde ocorre a esperada assinatura de Andersen, com os três caminhando em câmera lenta. A participação dos imãos em dois funerais é comovente, mas também engraçada, assim como o sobe e desce das malas no ônibus. Já no norte, uma Angelica Houston de cabelo raspado e muito cajal nos olhos os recebe toda vestida de branco e botas de couro, alertando-os sobre um tigre.

Fantastic Mr. Fox

Apesar dos costumes elegantes, tipicamente ingleses, os membros da família Raposo não deixam de ser selvagens. É por isso que o chefe da família não consegue viver uma vida sossegada e precisa roubar galinhas, cidra e ganços defumados dos fazendeiros.

Por ser uma animação em stop motion, a direção de arte deve ser mais planejada e cuidadosa, talvez por isso o nome do diretor esteja tão presente em cada frame. Baseado no livro de Ronald Dahl, Anderson teve ajuda da viúva do escritor, que lhe abriu a casa no interior da Inglaterra e cedeu os rascunhos do livro. No jardim da casa de Dahl, o diretor e seu co-roteirista, o também cineasta Noah Baumbach, escreveram o roteiro em pouco tempo. A única certeza é que o filme deveria ter como base as ilustrações originais do livro, feitas por Donald Chaffin.

O capricho da direção de arte não é nenhuma surpresa quando se vê filmes como Coraline e as aventuras de Wallace e Gromit, mas o toque do diretor está nos detalhes, como o terno usado pelo sr. Raposo, parecidíssimo com o conjunto usado por Ritchie Tenenbaum. Muitos dos objetos de cena são reproduções da casa de Dahl, fotografadas por Anderson e passadas para o departamento de arte. Na cena do depósito de cidra, toda a iluminação vem das garrafas, posicionadas estratégicamente para que o cenário ficasse todo iluminado.

A dublagem ocorreu fora de estúdios, numa fazenda onde os atores tiveram total liberdade para criar e reproduzir as ações de seus personagem. Maryl Streep foi a única que gravou em estúdio, mas como disse Andersen, Maryl Streep é muito fácil de ser dirigida. Radicado em Paris, Anderson dirigiu o filme por e-mails, despertando a fúria do diretor de animação em Londres, apenas um detalhe que passou batido depois da estréia.

Um livro com o making off  detalhado do filme foi lançado nos Estados Unidos, oxalá terei em mãos em breve. O especial Wes Anderson termina aqui. Seu próximo filme ainda é um mistério, foi anunciado como My Best Friend, com previsão de estréia para 2011.

rio

Saem as favelas e periferias e entra um Rio de Janeiro imaginário e fantasioso de Carlos Saldanha. O diretor de A Era do Gelo conta a história da arara-azul Blu, que sai de Nova York para encontrar a única fêmea de sua espécie. No teaser, Blu salta num voo quase suicida da Pedra Bonita para aterrisar numa praia híbrida de Ipanema com Copacabana, ainda sem Choque de Ordem – ao som do novo hino brasileiro, Mas Que Nada.

Já tem gente chiando dizendo que o filme é caricatural e que a realidade deve ser retratada. Uma grande besteira! Se tantos cineastas mostram suas Nova York, Barcelona e Paris dos sonhos, por que não um Rio? Filmes são as maiores vitrines de uma cidade no exterior. Vamos parar com essa mágoa de caboclo e tirar proveito disso. Rio estréia na páscoa de 2011 com vozes de George Clooney e Anne Hathaway.

carrie away

Para celebrar o segundo filme de Sex and the City, a Vogue americana convidou Mario Testino para clicar Sarah Jessica Parker. O filme não está causando tanto furor, parece que as mesmas pessoas que acompanharam as quatro meninas por seis anos estão com preguiça de ir ao cinema. É tudo um dengo e mimo, porque o filme vai tirar a continuação de Homem de Ferro do topo e lucrar bastante, claro que bem menos que a primeira parte (custou US$ 65 milhões e arrecadou US$ 413 milhões). Prepare seu cosmopolitan!

Sinceramente, prefiro o editorial feito para o primeiro filme, intitulado Rebel Romance e fotografado pela incrível Annie Leibovitz.

circo de sonho

Jean-Pierre Jeunet tem a capacidade de compor imagens fabulosas para seus filmes. A estética de sonho em amarelo e verde presentes em Delicatessen e Amélie Poulain teve uma pausa em Eterno Amor, mas parece voltar em Micmacs, filme que já estreou na França e Reino Unido e tem acumulado boas resenhas. Por aqui, ainda não há previsão de lançamento.

Basil tem a vida alterada depois de levar um tiro acidental na cabeça. Sem casa nem nada, encontra refúgio junto a um grupo de excêntricos, com quem planeja vingança contra os fabricantes de armas.

A gente tem ideia do que é um grupo de excêntricos para Jean-Pierre Jeunet, mas não importa, pois a gente sempre se surpreende e sai do cinema com um sorriso no rosto. Assistindo ao trailer, parece que há uma visita à Ladrão de Sonhos. Os companheiros de longa data Yolande Moreau e Dominique Pinon estão no elenco.

o curandeiro

Ao contrário do que todo mundo pensa, quando meus pais decidiram me chamar de Alexandre, eles não estavam pensando em Alexandre da Macedônia, mas na pedra alexandrita (batizada assim em homeagem ao czar Alexandre II), a mais valiosa das pedras precisosas. Não sei se é por esse motivo que tenho tanto interesse pela Rússia e seus czares, não morro sem antes conhecer Moscou e São Peterburgo. Aí que hoje vejo o anúncio de duas cinebiografias de Rasputin, o maior místico, herege, santo, profeta ou fraude do século XX. A primeira é um projeto antigo de Gerard Depardieu, um filme para TV de co-produção França e Rússia, chamado Rasputine. As filmagens devem ocorrer em dezembro, entre Moscou e São Petersburgo. A segunda é de Roselyne Bosch, roteirista de 1942, e se chama Rasputin: The Healer.

As duas produções têm enfoque nos dois últimos anos do místico, após conquistar a confiança da czarina Alexandra Feodorovna. Monge siberiano, Rasputin pregava a teologia de que uma pessoa precisava se familiarizar com o pecado antes de ultrapassá-lo. As más bocas diziam que ele exigia dormir com a noiva antes de celebrar o casamento, boatos acrescidos das bebedeiras e orgias, que  só aumentavam sua fama degradante. Mesmo assim ele foi procurado para ajudar o filho dos czares, que sofria de hemofilia. Sabe-se lá como, Alexei se recuperou e Rasputin se infiltrou na realeza.

Repudiado e adorado ao mesmo tempo, Rasputin foi assassinado aos 52 anos, acusado de espionagem. Sua morte é um capítulo à parte: Primeiro foi envenenado durante um jantar, mas sua úlcera crônica o fez expelir o veneno. Depois foi fuzilado com 11 tiros. Inacreditavelmente sobreviveu. Foi castrado e continuou vivo. Por fim, foi atirado no rio Neva, porém sua morte não foi causada pelo frio.

Outra fama de Rasputin deve-se ao seu jr. Um dote de 28,5 cm que foi preservado e atualmente está exposto num museu erótico em São Peterburgo. Como este blog preza pelo bom gosto, a foto não será publicada, mas dá para ver aqui.

good bye – o início

Parece dia temático, mas não dá para ignorar que Lost termina semana que vem. Eu sei que é meio loser dizer, mas vou ficar meio órfão (foi assim com Sex and the City, Six Feet Under e Will & Grace). Foram seis anos na ponta do sofá. Nesse tempo, fiquei louco para pegar carona na kombi do Hurley, chorei quando o Boone morreu, prendi a respiração quando a Shannon foi morta, fiquei chocado ao saber que Sun falava inglês… Enfim, vou sentir muita falta, o elenco também. No vídeo abaixo, parte do elenco se despede da série.