Some films are slices of life, mine are slices of cake

A cena do chuveiro é clássica. Marion Crane é esfaqueada enquanto toma banho no motel Bates. Uma semana para a cena ser feita, mais de 90 cortes na montagem, sangue e a assustadora trilha de Bernard Herrmann. Mesmo quem nunca viu Psicose conhece o assassinato da personagem de Janet Leigh, a mesma técnica desenvolvida por Hitchcock foi usada por Spielberg em Tubarão, e por Polanski em Repulsa ao Sexo. Em 1998, Gus Van Sant refilmou Psicose, repetindo cada enquadramento, o resultado não foi satisfatório, pois Hitchock é Hitchcock.

Eu tinha uns dez anos quando vi um episódio de Alfred Hitchcock’s Presents. Era sobre uma menina que passava o verão numa ilha e acabava conhecendo um monstro de aparência assustadora, mas muito dócil. O que se esperava era que o monstro a atacasse em determinado momento, mas foi o contrário. Ela montou uma armadilha para que o monstro ficasse preso em um buraco e ela tivesse a garantia de vê-lo no versão seguinte. Foi arrebatador.

Hoje “comemora-se” 30 anos da morte de Alfred Hitchcock. Ele ganhou o título de Mestre do Suspense, mas é bem mais que isso. Além da técnica e intuição, ou talento mesmo, ele foi além. Juntou entretenimento com arte, e ainda popularizou esta mistura ao convidar o público para ser cúmplice de assassinatos, roubos, sabotagens, intrigas e ataques de pássaros. Seus filmes não têm data de validade, são exercícios de cinema e comportamento. Um dos poucos cineastas que souberam trabalhar com o silêncio.

Abaixo, a homenagem que a Vanity Fair fez em 2008, reencenando cenas clássicas. Fotos de Mark Seliger.

Scarlett Johansson e Javier Bardem em Janela Indiscreta.

Tang Wei, Josh Brolin, Casey Affleck, Eva Marie Saint, Ben Foster, Omar Metwally e Julie Christie em Um Barco e Nove Destinos.

Jodie Foster em Os Pássaros.

Marion Cotillard em Psicose

fangtástico

True Blood volta em junho, mas mini-episódios com os personagens principais sairão pela web. O primeiro é este, com Eric e Pam fazendo testes para a nova dançarina do Fangtasia.

O DVD da segunda temporada sai no final de maio, com apenas dois extras – as notícias no mundo dos vampiros, e a vida segundo o Fellowship of the Sun – além de episódios comentados pelo elenco e equipe.

no country for gingers

M.I.A, Born Free from ROMAIN-GAVRAS on Vimeo.

Semana passada (ou retrasada), M.I.A. declarou que Lady Gaga a copiava, a comparação foi infeliz, mas foi um bafafá no mundo dos monstros. Esta semana, o clipe de Born Free tem gerado discussões. Dirigido por Romain Gavras, filho de Costa Gravas, o filme de 9 minutos retrata um mundo intolerante e de violência banalizada, onde ruivos são capturados e colocados em campos de extermínio. Por ter cenas de sexo, nudez e violência, foi retirado do Youtube. A cantora cingalesa disse que o clipe deve chamar atenção do mundo para o {genocídio} do povo Tamil no norte do Sri Lanka.

sabe-se lá quando

Existem filmes que a gente acompanha desde o anúncio e, misteriosamente, acabamos não vendo. Às vezes saem diretamente em DVD e com título e capa completamente diferentes, outras, não conseguem distribuição nacional. Alguns são tão secretos que a gente nem sabe se estreou no país de origem.

Ágora. O épico egípcio de Alejandro Amenábar (Os Outros, Mar Adentro) não tem nem previsão por aqui. Com a invasão do cristianismo, a filósofa Hypatia (Rachel Weisz) precisa salavar os documentos de Alexandria. Seu escravo, Davus (Max Minghella), se vê dividido entre ajudar Hypatia e conquistar a liberdade.

I love you Phillip Morris. Steven Russel (Jim Carrey) é um golpista que vive com um pé na cadeia. Numa dessas estadias, se apaixona por seu colega de cela, o Phillip Morris (Ewan McGregor) do título. O filme encontrou muita dificuldade de distribuição nos EUA, por ser muito gay. Por aqui, o nome de Rodrigo Santoro deve quebrar essa dificuldade. O filme tem estréia prevista para o dia 4 de junho, e com o nome de O Golpista do Ano. Já estou até vendo um monte de marmanjo reclamando depois da sessão.

Somewhere. Se a produção do novo da Sofia Coppola quis manter sigilo, conseguiu. Até agora, há apenas uma foto oficial. A sinopse diz que o filme é sobre um ator (Stephen Dorff) que passa dias metendo o pé na jaca no Chateau Marmont até a inesperada visita de sua filha (Elle Fanning). A última notícia é que o franceses do Phoenix (o vacalista Thomas Mars é namorado de Sofia) estão fazendo a trilha sonora. O filme pode ser lançado em setembro, não há nada confirmado. Fique com fotos do set.

hey, soul sister

Já não é de hoje que a televisão americana atrai atores, diretores e roteiristas que buscam por mais liberdade criativa e espaço. O telespectador médio foi amadurecendo e aceitando diferentes narrativas e linguagens, Lost é um exemplo. Quinze anos atrás, nenhum canal aberto aceitaria uma série que falasse sobre viagens no tempo e realidades paralelas. O amadurecimento do público possibilitou a chegada de personagens mais complexos, longes da perfeição, que tentam fazer o melhor, mesmo cometendo erros catastróficos. Na comédia, Nancy Botwin, Lynette Scavo e Sue Sylvester. No drama, temos Dexter, House, Don Draper, Bill Henrickson, Patty Hewes, Alicia Florrick e Jackie. Nurse Jackie.

Edie Falco é tão boa que esquecemos que ela foi Carmela Soprano até pouco tempo atrás. Jackie é enfermeira de pronto socorro, pelas suas mãos passam todos os tipos de pacientes. Não há glamour, eles são chatos, reclamões e mal educados, mas seu trabalho é tratá-los da melhor forma possível, nem que ela precise mentir, sacanear, adulterar, falsificar e até roubar. Ainda precisa lidar com o médico playboy Cooper e a enfermeira novata Zoey.

Jackie é como uma equilibradora de pratos. Sua vida privada, que ela tenta preservar com unhas e dentes, lhe reserva um marido dedicado e duas filhas, uma com transtorno de ansiedade. Ainda na vida privada, o amante farmaceutico é seu fornecedor de analgésicos, porque uma enfermeira com dor nas costas é uma enfermeira demitida. Estes dois lados se complicam quando o amante perde o emprego para um robô e descobre que Jackie tem uma família. Ela é uma mulher que martela o próprio dedo para encobrir uma mentira. Tudo isso em episódios de trinta minutos.

A série não é focada nas doenças nem nos furos do sistema de saúde americano. Também não há heróis, mas há uma Madre Teresa torta, que pisa em protocolos e questões éticas por um bem maior, e sem reconhecimento. “Ó, Deus, me faça uma pessoa boa. Mas ainda não”.

Infelizmente, Nurse Jackie é exibida no Brasil pelo Studio Universal (antigo Hallmark), canal que nem sabia da existência. A série já está em sua segunda temporada e seu formato reduzido é um acerto, não desgasta. A enfermeira Jackie merece sua cumplicidade.

versão brasileira

Se você mora no Rio e quer ver Alice no País das Maravilhas em versão original, vai precisar ter disposição para atravessar a cidade ou se contentar com a sessão das dez da noite. Numa decisão muito inteligente, a Disney/Buena Vista colocou muito mais cópias dubladas que legendadas. O que até tem certa lógica, já que a demanda por filmes dublados é crescente.

Aqui está a programação de Alice com legendas:

Quatro salas no total, sendo que três ficam na Barra. Agora, Alice legendado 3D:

Completam o quadro as salas UCI Norte Shopping, UCI New York e Unibanco Arteplex. Nada contra a dublagem, que já foi muito melhor, mas eu tenho o direito de ver um filme em idioma original e em horários mais razoáveis.

batbomba

Rumores e rumores. Não há nada definido para o terceiro Batman de Christopher Nolan, o que se sabe é que o roteiro está sendo desenvolvido. Com os holofotes voltados para A Origem, o mais recente de Nolan, surgiu um boato ligando Joseph Gordon-Levitt ao filme do morcegão. Veja as fotos abaixo.

A rápida semelhança do ator com Heath Ledger criou um burburinho de que ele seria o Coringa numa participação no terceiro filme, como o Espantalho apareceu no segundo. Claro que não se deve botar fé em boatos, mas olhando rápido, até que lembra. Imagino que Nolan não irá reprisar seu monstro, mas seria divertido se criasse monstrinhos.

chorando pra cachorro

Eu sou do tipo de gente que solta uma onomatopéia fofa quando vê um cachorro, gato, coelho, tigre, lhama, carneiro, leão, burro, porco… Gente que é capaz de arrancar a cabeça de quem maltrata bicho ou abandona seu cão simplesmente porque ele late. Pessoas como eu não vão ao cinema ver dramas em que um cão é o protagonista, pois sabem que vou chorar feito princesa que levou bolo do príncipe. Eu já me desidratei com Marley, Skip e Biruta. Ontem foi a vez de Hachiko ter sua cota de lágrimas. O filme não é bom, mas não dá para resistir quando um cão é tão leal ao seu dono que é capaz de esperá-lo mesmo depois de sua morte. O mérito fica com o adestrador dos cães, pois os akitas não são fazem truques de dar patinha, rolar e correr atrás da bola, mas amam incondicionalmente seus donos. E este parecia amar loucamente Richard Gere. Se você gosta de cachorro e falta água na sua casa, veja Hachiko. E eu quero um akita.

chicotada

Sabe aqueles filmes que você gosta antes mesmo de ver? Muitas vezes você se decepciona, outras, você simplesmente tem uma grata surpresa. Foi um prazer assistir a estréia de Drew Barrymore na direção, Whip It, no original. A irmã do Elliot não escorregou nenhuma vez e conduziu com muita ternura a história de uma menina que se encontra num estranho esporte chamado roller derby (existe mesmo, inclusive no Brasil). O elenco é povoado por nomes conhecidos e, claro, coleguinhas da diretora, deixando claro que os bastidores foram bem divertidos: Ellen Page, Marcia Gay Harden, Juliette Lewis, a cantora e atriz Eve, a própria Barrymore, o ex-SNL Jimmy Fallon, a SNL Kristen Wigg, a eterna Maeby Alia Shawkat e Andrew Wilson (irmão mais velho de Luke e Owen Wilson). Bliss divide-se entre a invisibilidade no high school, o emprego numa lanchonete e concursos de beleza – obrigada pela mãe. Ao conhecer o violento roller derby, decide fazer um teste e é aceita pelo time formado por trintonas de bem com a vida, cada uma com um inspirado nome de guerra. É só isso que se deve saber antes de ver Whip It, que foi lançado este mês, diretamente para DVD. Ah, um detalhe: Whip It virou Garota Fantástica.

alice chic

A Alice de Tim Burton inspirou inúmeros produtos, de kit de maquiagem aos macarons da Ladurée. Para comemorar a proximidade da estréia aqui no Brasil (menitra, é falta de assunto), as vitrines da Printemps. A magazine francesa abraçou o filme, o vestido rosa é uma das últimas criações de Alexander Mcqueen.

No subsolo da Printemps, a Ladurée montou homenageou o filme recriando o chá de Alice, além do macaron especial com perfume de maçã verde. Para babar um pouco mais, uma caixinha de música para guardar estas jóias.