a francesa

Este é poster do 63º Festival de Cannes, que começa em 12 de maio. A foto é de Brigitte Lacombe. Curiosamente, Juliette Binoche, um símbolo do cinema francês, nunca foi premiada em Cannes. Se Hollywood não promete muito para 2010, é possível que os festivais internacionais movimentem um pouco o panorama cinematográfico, olhos abertos. Tim Burton presidirá o júri e uma das únicas certezas do festival é seu filme de abertura, Robbin Hood, de Ridley Scott.

mr. america

Quem estiver livre em São Paulo deve dar um pulo na Estação Pinacoteca e conferir a exposição Mr. America, um apanhado da obra de Andy Warhol. No total, são 169 produções, entre gravuras, pinturas, fotografias e filmes. As obras mais populares estão presentes, como Marilyn Monroe, Mao Tse-Tung e as sopas Campbell. Creio que o trabalho de Warhol seja mais acessível por ter uma aura positiva do sonho americano, o foco é sempre na beleza, mas há estranheza nisso. É como se este sonho tivesse prazo de validade.

Vi a exposição no Malba, Buenos Aires, em novembro passado. Fui surpreendido quando cheguei no museu e vi o cartaz do Mr. America. Vale muito a pena, principalmente a seção de fotografias. A exposição fica em São Paulo até dia 23 de maio. A entrada custa R$ 6,00 e é gratuita aos sábados.

de frente com o bode

Tive vontade de ver Os Homens que Encaravam Cabras desde que li a sinopse no ano passado. Hoje fui conferir e gostei, ao contrário da metade dos críticos. É verdade que não é um humor para todos, nem é hilário, é um grande deboche em cima da guerra. Ewan McGregor é um repórter um tanto ingênuo que decide cobrir a guerra no Iraque depois de ser trocado pela esposa. Isolado no Kwait, sem permissão para entrar no Iraque, ele conhece Lyn Cassady (Clooney), um paranormal que trabalha para o exército americano. Em flashbacks mostra-se a criação de uma divisão especial com métodos pacíficos de combate, uma coisa hippie com Jeff Bridges. Bom, é difícil explicar o enredo, mas só a cena de Clooney dançando já vale o ingresso. Que bom que hoje, após os desastres que foram as guerras no Afeganistão e Iraque, Hollywood já consegue fazer comédia com a falta de sentido da guerra.

cinema em casa

*surrupiado da Ana Maria Bahiana.

No próximo mês de junho, a Philips lançará seu novo televisor LCD: Cinema 21:9. O que isso quer dizer? É a primeira TV HD com real proporção da tela de cinema – 21:9. O preço é bem salgado, estima-se que ficará em torno de 4 mil euros, mas isso não importa, já que o campanha de lançamento é bem mais interessante. A Philips quis mostrar o máximo de cinema em sua tv e contratou Adam Berg para dirigir o fantástico curta Carousel.

Numa segunda etapa, a fabricante pediu para que Ridley Scott mostrasse as vantagens da tv 21:9 sobre a 16:9. Através de sua produtora, 45 jovens realizadores enviaram argumentos para curta com a frase “é um unicórnio”. Seis foram selecionados e criaram Parallel Lines, cinco curtas de diferentes gêneros filmados em Londres, Moscou, África do Sul e Uruguai. Os curtas serão divulgados no dia 8 de abril no site da Philips, mas o trailer está abaixo.

tiros de audiência

Aaron Johnson fez a audiência deste blog subir. Não foi um recorde, mas ficou bem acima da média de visitas. Quem tem um blog sabe que, mesmo sem comentários, o número de acessos superior a um já é uma festa. Siginifica que alguém que você não tem a mínima ideia de quem seja leu o que você escreveu para você mesmo, e isso é um bálsamo para a vaidade. Sério. É a mesma sensação que Julie Powell sente quando começa a pipocar comentários em seu blog.

Audiência é um monstro. Esta semana, a empresa de análises Visible Measures anunciou que os vídeos de Lady Gaga alcançaram a marca de um bilhão de visualizações na internet. Só no Vevo/Youtube, a procura por seus vídeos corresponde a 25%.

Ainda em números expressivos, o paredão de ontem do Big Brother Brasil teve 125 milhões de votos, um recorde. O fator drag x pitboy atingiu até quem não acompanha o programa. O engraçado é que, mesmo na 10ª edição, o Big Brother ainda tem fôlego no Brasil, enquanto em outros países, já é uma atração quase esquecida.

Números pequenos chamam tanta atenção quanto números inflacionados. O filme Uma Mãe em Apuros, com Uma Thurman, rendeu apenas 88 libras (+- R$ 240,00) em seu fim de semana de estréia no Reino Unido. A bomboniere deve ter rendido mais. Vale lembrar que o filme foi exibido apenas em uma sala, pois os produtores contavam com a propaganda boca a boca. Mas é um fracasso mesmo. Orçado em 5 milhões de dólares, nos EUA arrecadou pouco menos de 60 mil. O filme estreou no Brasil em janeiro, mas acho que ninguém deu muita bola também.

kick-ass

Sem grandes poderes, sem responsabilidade. Esqueça Alice, porque seu filme favorito neste primeiro semestre será Kick-Ass, pelo menos é o que conta quem já viu o filme. Dirigido pelo bom  Matthew Vaughn (Nem Tudo É o Que Parece, Stardust), a história gira em torno de Dave Lizewski, um adolescente que decide vestir um uniforme coladinho e combater o crime com o nome de Kick-Ass. Ao seu lado, outros heróis sem superpoderes – Red Mist (Christopher Mintz-Plasse), Big Daddy (Nicolas Cage) e sua filha Hit Girl (Chloe Morritz).

A participação de Chloe Morritz (500 Dias Com Ela), de 13 anos, num filme de ação altamente violento chegou a causar polêmica, mas foi rapidamente abafada. Pelos trailers, Hit Girl será um hit (kkk). Baseado nos quadrinhos de Mark Millar e John Romita Jr, o filme já tem uma sequência programada.

O personagem título é interpretado pelo jovem Aaron Johnson, possível xodó adolescente do ano. Você possivelmente o conhece de O Ilusionista, onde ele interpretou o personagem de Edward Norton em flashbacks.

Aos vinte anos, ele está noivo da diretora e artista plástica Sam Taylor Wood, que o dirigiu em Nowhere Boy e espera seu primeiro filho. Nowhere Boy, que mostra a relação de John Lennon com sua mãe e tia, ainda não tem data de estréia no Brasil. Ainda este ano, ele estará em The Greatest (previsão 2/07), ao lado de Carey Mulligan,  Susan Sarandon e Pierce Brosnan.

Kick-Ass estréia dia 11 de junho.

PS: É claro que a foto do Aaron Johnson de cueca é só para aumentar a audiência do blog! Você não sabem como tem gente que vem parar aqui por causa dele.

cheiro de páprica

Christopher Nolan revelou alguns detalhes de um dos filmes mais aguardados do ano, A Origem (Inception). “… é um filme de ação narrado em grande escala com um personagem, vivido por Leonardo DiCaprio, que lidera um time de pessoas que tem acesso a uma tecnologia que permite entrar na mente das pessoas através dos sonhos delas”. Hum, tá, mas não lembra Paprika?

Paprika é uma animação japonesa de 2006, dirigida por Satoshi Kon. No filme, cientistas inventam um aparelho capaz de controlar sonhos, mas este aparelho é roubado por terroristas de sonhos, ameaçando a própria realidade. Uma versão live-action está sendo desenvolvida por Wolfgang Petersen, e já arranca desaprovação de fãs.

Voltando ao filme de Nolan, as expectativas ainda estão em alta, pelo menos as minhas, basta ver o currículo do diretor – além de Batman Begins e O Cavaleiro das Trevas, ainda tem Amnésia e O Grande Truque (excelente).  O elenco também é interessante – Ken Watanabe, Maion Cotillard, Cillian Murphy (um dos melhores atores de sua geração), Michael Caine, Joseph Gordon-Levitt e Ellen Paige.

A Origem tem estréia prevista para o dia 6 de agosto. Paprika está disponível em DVD.

ddd

Entre em um site sobre cinema e veja como tem anúncio de filme em 3D, tudo na esteira de Avatar. O negócio é que 3D não é tão legal assim. Funciona muito bem no filme do James Cameron, pois é um recurso complementar ao filme, mas o filme da Ivete Sangalo precisa ser em 3D? A missa precisa ser em 3d? Eu acho que não. Depois de certo tempo, os óculos incomodam. Spielberg, sempre estusiasmado com as novas tecnologias, está preocupado com o rumo do 3D. Para ele, este recurso aumenta o individualismo na experiência de ver um filme.

O público do cinema estava minguando até Avatar chegar e fazer todo mundo pagar um pouco mais para ver Pandora de perto. Os estúdios se animaram e anunciaram todos os blockbusters em 3D. Acontece que nem todos são filmados com câmeras especiais em 3D estereoscópico, na verdade, são filmados e depois convertidos para “3D”. Um desses filmes é Fúria de Titãs, que estréia em maio. Falando em Titãs, mitologia grega é tendência.

O 3D é a nova animação por computação. Lembra que depois de Toy Story todos os estúdios decidiram fazer o mesmo? Lucraram bastante, mas quantos desses filmes foram memoráveis? Abaixo, os trailers de Secret of Kells, indicado ao Oscar deste ano, e Kuky se Vrací – ambos em 2D.

é estranho, mas é bom

Quando eu estava no jardim de infância, tinha o Dia da Discoteca, quando as tias pintavam as caras das crianças com batom e enfiavam todo mundo numa sala com luz apagada e música alta. Quando vi meus coleguinhas sendo pintados com batom de camelô, eu disse “não, não quero”. E quem me conhece sabe que quando eu digo não, é não. As tias insistiram muito. “Mas Alexandre, você vai ficar sentado vendo todo mundo brincar?”. Não achei má idéia e ainda juntei mais alguns rebeldes. Com essa informação, já da para imaginar o tipo de pessoa que sou.

Sempre gostei de coisas estranhas e pertubadoras, às vezes beirando o grotesco. Estava no início da adolescência quando vi “A young Brooklyn Family going for a Sunday outing” estampada na capa do Segundo Caderno. Imediatamente criei uma história para aquela família, um casal tão jovem obrigado a amadurecer, tendo como escape, Liz Taylor e James Dean. Depois foi um pulo para a foto das Gêmeas, que me conectou ao O Iluminado. Pirei vendo esse filme. Descobri um diretor chamado Stanley Kubrick e um filme chamado Laranja Mecânica. Li o livro e revi o filme.

Encasquetei com as ilustrações de uma eciclopédia que tinha quando criança, um livro que passou de casa em casa. Fui caçar o título no Google e não tive sucesso. Aí encontrei Edward Hopper. Todo mundo fala que suas telas são melancólicas, eu as acho pertubadoras, principalmente New York Movie. Parece que um estrondo pode ser ouvido a qualquer momento, até mesmo em Nighthawks.

Quando eu tinha 15 anos, passei a ir ao cinema sozinho e, claro, o interesse aumentou. Vi um monte de filmes não convencionais (tudo no Telecine, acredita?): Cecil Bem Demente, Woop Woop – Terra de Malucos, o primeiro Hairspray, Mamãe É de Morte… Aí veio Boogie Nights e o tripé do Mark Wahlberg. Na mesma época, tive um professor de espanhol bem moderninho e que eu achava o máximo. Mandou a gente ver Carne Trêmula, mas acho que só eu vi. Almodóvar. Marquei esse nome e nem precisei de indicação para ver Tudo Sobre Minha Mãe. Antes, os hormônios me fizeram ver Jamón Jamón.

Fui apresentado a um pintor fabuloso chamado Hieronymus Bosch. Sério, como alguém pode pintar esses seres híbridos em 1500? Quando fui ao Masp, fiquei um tempão “analisando” As Tentações de Santo Antão. Muitos dos seres que vemos em filmes e games saem das telas de Bosch. Entre tantos seres bizarros, os que mais me assustam são os passarinhos de verdade.

Um dia, minha amiga Eliana me chamou para ver Mulhollannd Drive. Não vimos juntos porque toda vez que a gente marca cinema dá uma ziquizira. Cada um foi em sua locadora e viu sozinho. Cada um teve sua interpretação. Pouco tempo depois peguei Veludo Azul na televisão. Também tive minha interpretação e concluí que sou meio burro para David Lynch. Ah, mas eu gosto.

Bom, este post era para falar de Twin Peaks, que eu ouço falar desde sempre, mas preferi falar de coisas estranhas. Ainda estou no meio da primeira temporada e nem me interessa saber quem matou Laura Palmer. Minha pertubação fica com o índio que a mãe da Laura viu, a mulher com o tronco e a Audrey dançante. No vídeo abaixo, o sonho do detetive Cooper.

Ainda sobre coisas estranhas, estou fascinado/me borrando com a Isla de las Muñecas.