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Com meu topete (que não é igual ao do personagem, não se preocupem, é naturalmente rebelde) e um óculos 3D, fui ver As Aventuras de Tintim: O Segredo de Licorne numa matinê (adoro essa palavra). Antes de falar sobre o filme, retiro todas as palavras que escrevi quando saiu o primeiro trailer. Mordi a língua com muita força! O Tintim de Spielberg é diversão pura, é uma volta à infância, é Spielberg dirigindo como espectador, uma aventura frenética e absurdamente bem feita.

As comparações com Indiana Jones são inevitáveis, afinal, sem que Spielberg soubesse, Indiana “foi inspirado” em Tintim. Os Caçadores da Arca Perdida teve como base O Homem do Rio, de Phillipe de Broca, que era fã dos quadrinhos de Hergé. Na época do lançamento de Os Caçadores, as comparações foram tantas que Spielberg resolveu ler as histórias de  Tintim e acabou virando fã. Tão fã que chegou a ter uma longa conversa por telefone com Hergé e a marcar um encontro. Infelizmente, o belga acabou morrendo antes do encontro, mas sua viúva convidou o diretor para visitar o estúdio do quadrinista, um prenúncio do que viria acontecer, mas isso foi durante as filmagens de O Templo da Perdição. Quase trinta anos depois, e ainda bem que demorou esse tempo todo, Spielberg cumpriu sua vontade.

O Segredo de Licorne do filme é a adaptação de mais duas histórias – além da que dá o título. O Caranguejo das Tenazes de Ouro, e O Tesouro de Rackham, o Terrível. E a história rende sem perder o fôlego, graças ao roteiro escrito por um trio de ouro: Steven Moffat (Doctor Who, Sherlock), Edgar Wright (Todo Mundo Quase Morto, Scott Pilgrim) e Joe Cornish (Ataque ao Prédio). Diálogos econômicos, sem repetições e humor visual. Claro que um roteiro bom não seria nada se não fosse por um diretor fanstástico e um elenco incrível. Andy Serkis já merece um prêmio pelo conjunto da obra, ele arrebenta como o Capitão Hadoque, assim como Jamie Bell é versátil como Tintim. Isso sem falar nos coadjuvantes Daniel Craig, Nick Frost e Simon Pegg – se é que dá para chamá-los de coadjuvantes.

Se você nunca leu uma história do Tintim ou nunca viu o desenho na Cultura, não se preocupe. Mesmo que Hergé não tivesse criado o repórter, ainda sim seria um filmão. E ele começa com uma abertura linda em 2D, e ao longo de sua duração, há homenagens e citações, sempre de forma sutil, incluindo Tubarão. As crianças que estavam na matinê gostaram muito (vale dizer que a classificação é 10 anos) e tomara que elas se interessem pela obra original. E eu torço para que elas se juntem a mim no coro: Vai, Peter Jackson, termina logo o Hobbit e parte pro Tintim!

2 Comentários

  1. Tb assisti e me diverti mto. O filme é surpreendente. Pena q foi dublado.
    Fico na espera por uma continuação. será q vai ter?

    • Eu também acabei vendo dublado. Não sei se foi porque eu me diverti o tempo todo, mas não achei a dublagem ruim. Vou rever quando for lançado em DVD.

      Então, o Spielberg disse que vai ter mais dois filmes (ele queria mais, mas foi o que ele e o Peter Jackson conseguiram com a Paramount e a Sony). O segundo filme – isso quem disse foi o Jackson – vai começar a ser rodado assim que o segundo Hobitt for finalizado. Eu quero muito uma continuação!


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