The Good Wife tinha uma sinopse muito parecida com a de outras séries, a de alguém que voltava a trabalhar para recomeçar a vida. Porém, dois nomes nos créditos fizeram toda a diferença para eu assistir: Ridley Scott e Tony Scott. Isso se chama orquestração. Tudo isso fica mais evidente quando a gente sabe que na tv americana, se um programa não dá certo, ele é cancelado sem mais explicações. Então, fazer uma primeira temporada de forma tão inteligente, realista e sem arestas é um trabalho e tanto! Depois do piloto, foram encomendados 13 episódios, mais 9 e mais 1.
Ao contrário do que o povo pensa, The Good Wife não foi inspirada especificamente no caso Clinton, mas também nos casos Dick Morris, Eliot Spitzer (ex-governador de Nova Iorque) e John Edwards. A co-autora Michelle King disse que a ideia surgiu depois que vários casos de adultério e escândalos sexuais se tornaram públicos nos EUA, e sempre acompanhados de pedidos de desculpas. Ao lado do marido infiel, sempre estava a esposa, e era essa personagem que intrigava Michelle e Robert King.
Em The Good Wife, Alicia Florrick retoma sua carreira de advogada depois que seu marido, ex-procurador, é preso por corrupção num escândalo sexual. Ela deixa uma vida de conforto no subúrbio e se muda para um apartamento na cidade com os dois filhos. No trabalho, precisa lidar com a concorrência, o peso de ser a mulher do ex-procurador (mas ainda muito influente) e a humilhação de ter sido traída publicamente. A primeira temporada mostra os progressos de Alicia no trabalho, as complicações do público/privado e a tentativa de Peter de sair da cadeia e limpar sua imagem. Já a segunda mostra todos os desdobramentos da primeira temporada e um acirrado jogo político, ou melhor, as intenções políticas ficam mais evidentes. A ironia é que Alicia é uma excelente advogada, mas sem querer, depende da figura do marido.
Uma das exigências de Julianna Margulies para ser Alicia Florrick foi que a série fosse gravada em Nova Iorque, exigência não muito difícil de ser aceita, já que os impostos são menores e a cidade é mais parecida com Chicago, onde a trama é ambientada, que com Los Angeles, onde as outras séries costumam ser gravadas. Além do mais, grande parte das cenas é ambientada em interiores. Uma das vantagens de ser gravada em Nova Iorque é que muitos atores de teatro conseguem fazer participações especiais frequentes, na maioria das vezes, como advogados e juízes. Caso de David Paymer, Michael J. Fox, Joanna Gleason, Ana Gasteyer, Peter Riegert, Denis O’Hare e Martha Plimpton.
O elenco fixo foi escolhido perfeitamente, não há ninguém fora do lugar. Archie Panjabi consegue dar sutileza e sesualidade à Kalinda, uma personagem que poderia ter ficado muito engessada ou violenta. Josh Charles e Christine Baranski têm a ironia inteligente de Will e Diane. Matt Czuchry faz um Cary amargo, mas ao mesmo tempo muito doce (linda a cena em que ele e Alicia conversam pelo telefone de forma irônica e no final os dois ficam em silêncio e ela pergunta como ele está). E para completar, Alan Cumming (entra de vez para o elenco na segunda temporada) é divertidíssimo como Eli, o estrategista político, sempre muito respeitoso com Alicia.
Como disse a crítica do Los Angeles Times, The Good Wife é inteligente, sem ser sarcástica; realista, mas sem ser cansativa; a união é respeitada e reverenciada, mas não o amor. No primeiro parágrafo, eu falei dos irmãos Scott porque eles não colocam seus nomes em qualquer projeto, mas isso não tira os créditos de Michelle e Robert, que escrevem, de forma brilhante, muitos dos episódios. E isso, na minha opinião.
Se você nunca viu The Good Wife, aproveita que a segunda temporada está acabando e veja tudo até a estreia da terceira, em setembro/outubro. Cuidado que vicia!
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